Apenas uma colocação inicial. Nos comentários ao post "PRISMA", publicado no dia 02 deste mês, meu amigo Rogério do "Conversa Avinagrada" (
http://conversavinagrada.blogspot.com)/ escreveu o seguinte:
"A refracção da luz solar
quando natural
é sempre bela,
espectacular
Sentou-se no chão para a admirar
por pura e mera distração
sem qualquer outra preocupação
particular
Eis senão quando
algo de inusitado apareceu
cruzando o céu
qual meteorito colorido
armonioso, meio veloz, meio brincalhão
após descrever um arco
se veio enfiar pelo chão
Chão tão próximo, que ali estava
que quase a coisa linda ele pegava
Não pegou, nenhuma pedra a agarrou
partiu terra adentro
sem ruido, impacto ou eco
apesar de ter aberto
uma larga galeria
Reforçou a curiosidade
e entrou por aquela entrada
levando consigo a impressão
de lhe ir acontecer coisa sagrada "
O post de hoje foi motivado por este comentário como uma retribuição do carinho sempre a mim dispensado e como uma brincadeira de continuação de histórias postas, que já está se tornando um gostoso exercício entre nós.
Assim, apresento:
SAGRADO
Um amplo salão abriu-se diante do seu olhar atônito. A umidade do ambiente fazia o ar quase irrespirável, mas produzia um lindo efeito quando em contato com a luz, que não se sabia de onde, invadia o espaço e se desdobrava em mil cores. O ar místico era reforçado pela melodia suave das inúmeras gotas que pingavam por todo lugar. Ele, em dúvida e ansioso, seguia em frente, caminhando com cuidado pelo musgo que crescia em todas as direções. Não sabia o que iria encontrar, não sabia o que queria encontrar. Simplesmente procurava algo que o chamava incessantemente. Ela, por sua vez, já refeita em seu vestido colorido o observava, procurando prever cada passo, cada deslocamento cuidadoso. Assustava-se com cada escorregão. Não podia sair da onde se encontrava. Com a queda abrupta, havia rachado a louça de que era feito seu corpo. Só lhe restava aguardar. A energia dos corpos, no entanto, já havia se encontrado e brincava emitindo vibrações e ondulações de toda ordem. Sabiam que estavam próximos. Sabiam que nada mais seria igual. Em um salto, de uma rocha a outra, ele a viu. Imediatamente, à medida em que ia caminhando, uma livre e firme trilha surgiu aos seus pés. Não havia mais cautela, não havia mais medo. Aproximaram-se. Ela sorriu e ele ajoelhou-se para verificar suas condições. No que chegou perto, pelas rachaduras da porcelana, ela o tragou para dentro das suas entranhas. Misturaram-se as essências e, em festa sagrada, fizeram-se unos. Fugiram em forma de luz escalando as pequenas gotas coloridas para viverem o resto da sua energia sorrindo e colorindo a paisagem.
BEIJOS
GISA