No ar giravam purpurinas em suspensão.
No centro do palco,
O único holofote dava seu espetáculo de luz.
As cortinas, rotas, de veludo vermelho
Já pálido pelos anos de serviços prestados,
Abriram-se com a mesma imponência de sempre.
Ela surge com uma capa negra de gola levantada,
Calças justas e camisa branca.
Na cabeça, a velha cartola meio castigada pelo uso.
Todos aplaudem e aguardam o início da apresentação.
Entre mil voltas com a varinha e inúmeras expressões enigmáticas,
Começa tirando lenços, pombas e coelhos da cartola,
Intercalados apenas pelas palmas e gritos da plateia.
Leva o espetáculo até o final, agradece e sai de cena.
Fecham-se as cortinas.
Apagam-se as luzes.
A plateia se retira.
Ela senta-se e tira a máscara, que já estava iniciando a lhe incomodar,
Livra-se da fantasia que lhe apertava as asas.
Respira fundo e lança-se aos ares,
Em um voo sereno de puras sensações
Mira o horizonte e acelera o mais que pode.
Precisa recarregar suas energias
Antes do próximo show.