segunda-feira, 18 de julho de 2011

RELATO


Espiou pelos olhos e fechou rapidamente as pupilas
Gostava de assistir tudo
Iluminada apenas pela luz colorida raiada que entrava pelas íris
Divertia-se tentando decifrar as imagens holográficas
Projetadas na tela da retina.
Excentricidades de velha, minha filha, excentricidades de velha...

domingo, 17 de julho de 2011

PASSEIOS


Um corredor escuro, longo e úmido
Cheio de idas e vindas
Idas e vindas
Idas e vindas
Idas e vindas
Idas e vindas
Idas e vindas
Idas e vindas
Idas e vindas
Idas e vindas
IDAS E VINDAS
Idas e vindas
Idas e vindas
Idas e vindas
Idas e vindas
Idas e vindas
Idas e vindas
Idas e vindas
Idas e vindas
I d a s

e

v
i
n
d
a
s
.
.
.

sábado, 16 de julho de 2011

ANDORINHA

A andorinha de origami passou diante dos meus olhos desafiando-me
Aceito o combate e faço-me de infinitas dobras em duas longas asas
Vamos ver quem irá alcançar o nascedouro da mais alta onda primeiro.
Concentro-me e parto depressa,
Ainda tenho que ultrapassá-la antes que o vento,
Torcendo pela eterna amiga,
Tente prejudicar o meu percurso.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

GARGALHADA

De uma gargalhada surgiu no meio da sala sisuda.
E com outra, saiu pela janela aberta,
Sem se preocupar com o rumo.
Até o presente momento,
Os convivas, do circunspecto ambiente,
Se perguntam o que realmente teria ocorrido...
Esforçam-se para manter o irretocável ar de enfado,
Que às pessoas sérias é imposto.
Sigilosamente, no entanto, lutam para não apagar
Aquela prazerosa sensação
De frio na barriga misturada com água na boca
Que aquele estridente som lhes causou...

quarta-feira, 13 de julho de 2011

SEDE

Vou dançar para ti até que prendas fogo
Pretendo te derreter, lentamente, até encher um copo
Quero te beber de canudinho colorido,
Aos pouquinhos,
Em pequenos goles,
E te deixar satisfeito de teres aplacado minha sede.
Afinal, servistes para alguma coisa, não é mesmo?

terça-feira, 12 de julho de 2011

ANDARILHA

Ando na linha do horizonte.
Dali sou capaz de alcançar e me apropriar de todo o ouro contido no pote que jaz embaixo do arco-iris.
Pergunta básica:
“ – O que eu vou fazer com o ouro se sou uma andarilha condenada, eternamente, a seguir apenas esse trilhar?”

segunda-feira, 11 de julho de 2011

AMIGOS

Cinco portas de um corredor ensolarado.
Abro a primeira e lá encontro alguém com: Quiero charlar em un banco del parque disfrutando de todas las estatuas de su colección. Me gusta su compañia, sus palabras y su amabilidad.
Indo a segunda, encontro: Outro, e olhem que estranho, um único composto de três, sendo o primeiro real e os demais etéreos opostos. Debates e desfiles fazem parte do show onde a poesia é o cenário. Agradam-me suas provocações e palavras, tanto áridas quanto doces. Vivo na sua força e agradam-me seus triplos encantos.
Na terceira, vejo que: Há mais um, em que o contato com a natureza ao som da passarada se faz imprescindível. As conversas são entremeadas de longos silêncios cúmplices e presentes. O importante é que sabemos que ambos estão ali esperando uma garrafa a qualquer momento chegar na beira d'água com mensagens melodiosas e perfumadas de além mar.
Em frente a quarta porta sorrio quando percebo que: Il y a un autre que me fait sourire et qui comprend mes rêves, car il est si romantique que moi. Il est une personne douce avec humour sur son visage et un cœur prêt à aimer. Il est mon cher ami a qui j'embrasse toujours.
Na derradeira, vislumbro: Aquele que faz com que eu me sinta feliz e aconchegada no berço de suas palavras. Cuidado e zelo são as palavras coloridas pelo cheiro bom do pão de queijo que surge entre uma conversa e outra. Uma pessoa a quem tenho enorme admiração e prazer em conhecer. Risadas, sem nenhum pudor, palavras insanas e sérias dão a tônica de uma bonita e duradoura amizade.

Cinco portas, portanto, e 
Cinco pessoas importantes para mim. 
Cinco faces que me surgiram neste mundo novo que acabei de conhecer.
Cinco reflexos que já fazem parte do meu. 
Cinco amigos a quem eu mando um grande beijo e digo, 

OBRIGADA!

domingo, 10 de julho de 2011

sábado, 9 de julho de 2011

DESMASCARADA

Flagrada, sorrio perplexa!
Como posso ter relaxado tanto a guarda
Ao ponto de perceberes o truque da mágica?!
Respiro fundo e penso, foi só dessa vez, nunca mais irá se repetir.
Só ainda não consigo conviver com a alegria que isso me causou.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

CAMUFLAGEM

Vermelho, amarelo e laranja
Provocam.
Laranja, vermelho e amarelo
Intimam.
Amarelo, laranja e vermelho
Chamam.
Hipnotizada, entro de um fôlego só na lareira...
Danço em meio as labaredas com uma única intenção:
Apropriar-me das formas, cores e calor disfarçando-me de chama.
Totalmente camuflada,
Aguardo-te pacientemente.
Está frio
E logo, logo irás querer descansar perto do fogo...

:) :) :) :)

quarta-feira, 6 de julho de 2011

BIOMBO

Abriu o biombo e começou a despir-se vagarosamente
Retirou a razão e colocou-a na cadeira.
Guardou a lucidez na caixinha de veludo vermelha.
Livrou-se dos preconceitos, culpas e responsabilidades,
Pendurando-os no cabide do canto.
Olhou-se e sorriu.
Dirigiu-se para o leito com a certeza
De que agora poderia entregar-se por completo
Aquele que quisesse deitar entre seus lençois.

terça-feira, 5 de julho de 2011

BERÇO

No berço das tuas palavras durmo.
Alcanço o sonho embalada por tua respiração cuidadosa.
Rápido! Deixa que o sono te envolva também!
Vem aproveitar comigo esta manhã de sol
Que surge por detrás de nossas pálpebras...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

LADRA

Queria um instante do teu dia,
Minutos do teu silêncio e cumplicidade.
Palavras não pronunciadas,
Mas sentidas na pele,
Risadas escancaradas,
Sonhos inconfessáveis!!!

domingo, 3 de julho de 2011

A TORRE

Branca e soberanamente bela erguia-se em meio a mata úmida. Alta e esguia buscava ferir os céus. Sem portas e janelas, guardava um segredo em seu interior. Chamava a atenção de todos que passavam, mas nunca ao ponto de convencê-los a aceitar o desafio que debochadamente propunha. Seguia impassível dias e noites sem que qualquer coisa se alterasse na paisagem.Certo dia passou por ali alguém mais curioso do que o costume. Parou, olhou e sorriu. Entendeu, desde logo, tudo o que se passava. Procurou o subsolo perto da torre. Vasculhou arbustos e a vegetação espessa encontrando uma pesada porta fechada. Pôs-se a trabalhar. Dobradiças enferrujadas custaram a ceder. Esforçou-se muito. Trabalhou com afinco. Conseguiu finalmente abrir a passagem. Uma escada surgiu a sua frente, lânguida e escura, convidando-o ao desconhecido interior. Enfrentou-a até o final. Nova porta, agora já não tão espessa quanto a anterior, abriu-se ao seu toque. Viu-a a tecer o enorme tapete com lãs que brotavam todas noites das paredes. Sorriram-se. Estenderam o tapete na pequena sala e o teto abriu-se para a noite estrelada. Voaram alguns instantes, ainda emaranhados pelos fios que se desconectavam, pouco a pouco, da antiga prisão. Permaneceram em círculos até que a torre entrasse definitivamente no solo. Foram-se para o reino dos sonhos para sempre com a linda tarefa de encantar as noites dos enamorados.

sábado, 2 de julho de 2011

PERDIDO

Da porta mal fechada fugiu rompendo o lacre ordinário e apresentou-se na minha frente
Reflexo desalinhado de cores opacas pelo mau acondicionamento
Passou a perseguir-me na esperança de reencontrar sua forma de origem e a ela unir-se novamente
Custou a perceber que jamais alcançaria seu intento
A imagem original havia mudado muito e já havia seguido outro caminho 
Repleto de diversas estradas e inúmeros rumos
Chorou quando deu-se conta da total incapacidade
Resignou-se, deprimido, na sua nova condição de lembrança
A ser arremeçada ao frustrante futuro do préterito 

sexta-feira, 1 de julho de 2011

FUGA

A névoa tomou conta do ambiente.
Densa, úmida, sufocante.
Mal conseguia distinguir as árvores retorcidas do caminho.
Seguia instintivamente com passos dúbios.
De quando em quando emaranhava a capa nos arbustos rasteiros.
Cansada e com pés fustigados pelas agruras da trilha parou para descansar.
Dormiu rápido, mas foi acordada abruptamente pelo som dos cães que não desistiam de lhe caçar.
Cansou de agir dentro da normalidade.
Assumiu sua sina.
Deixou que o longo abrigo caísse ao chão.
Permitiu que todo seu interior aflorasse.
Em breves instantes, os cães passaram e não a viram mais...
Jamais poderiam imaginar que a dissolução operara-se,
Transformando-a instantaneamente
Naquele intenso faixo de luz
À beira do abismo...

quinta-feira, 30 de junho de 2011

AMPULHETA

Virou a ampulheta e soltou o tempo
Até a queda do último grão pretendia trazê-lo de volta
Se valia ou não o esforço,
Isso seria discutido depois de ver seus olhos mais uma vez.
Se ao primeiro olhar,
Ela não mais se encontrasse refletida naquelas pupilas
Deixaria que se fosse, sem lutas...
Mas, se ainda continuasse lá
Nunca mais permitiria que fugisse
Como ele poderia pensar que ela concordaria que se fosse
Carregando-a como prisioneira naquele olhar?

quarta-feira, 29 de junho de 2011

NOITE

Trovões e relâmpagos enchiam a noite de sustos
Essa, acuada, fugiu com a lua e as estrelas
Para detrás das nuvens.
Esperava o sol chegar logo para escondê-las com seu brilho
Só assim poderiam descansar, invisíveis, na imensidão do oculto.

terça-feira, 28 de junho de 2011

OLHOS

Exigiu-me silêncio
Obedeci.
Pediu-me paciência.
Anui.
Disse que já voltaria
Ri.
As pessoas pecam por treinar mal seus olhos...

segunda-feira, 27 de junho de 2011

OBRIGADA

Queridos Amigos

Agradeço imensamente os cumprimentos enviados!
Viajei, descansei, aproveitei a família e os amigos.
Assim, tenho que tive bons momentos na vida virtual e na vida real.
Obrigada pela constante companhia!
Amanhã volto a rotina das postagens.
Muitos beijos!



Gisa

quarta-feira, 22 de junho de 2011

ANIVERSÁRIO


Levo a vida que eu quero.
Da maneira que eu quero.
Com a intensidade que eu quero.

Faço as coisas que eu quero.
Falo tudo que eu quero.
Convivo com quem eu quero.

Liberdade irrestrita?
Não.
Prepotência?
Não.
Falta de noção?
Não.

Apenas pequenas conquistas 
De 46 anos 
De sonhos, delírios, devaneios,
sorrisos, partidas, encontros, escolhas, lágrimas,
danças, leituras, escritas, músicas, mágicas,
encantamentos, beijos, abraços, carinhos,
sensações, tristezas e alegrias...

Parabéns para mim, 
Pelo meu aniversário!
E obrigada a todos vocês,
Amigos que eu quero,
Pela constante companhia!


Tim-tim!

Volto na segunda-feira!

BEIJOS GISA


terça-feira, 21 de junho de 2011

PASSEIO

O telefone tocou como sempre
Ela atendeu como sempre
Uma voz do outro lado da linha,
De supetão,
Lançou-lhe um emaranhado de palavras
Que realmente não esperava.
Com frio na barriga, pernas bambas e respiração ofegante
Deixou-se envolver rapidamente sorrindo.
Quando deu por si, já não tinha mais saída
Acomodou-se o mais confortável que pode nas ondas sonoras
E partiu pelo fio pensando
Que mal teria se permitir um breve um passeio?

segunda-feira, 20 de junho de 2011

ÍRIS

 As sete fitas coloridas, destacadas com cuidado, foram dispostas em cima da mesa
Com a violeta recortou e moldou os olhos
Com a anil teceu os cabelos
Com a azul, o vestido cheio de borboletas
Com a verde, as pulseiras e colares
Com a amarela fez o corpo, braços e pernas
Com a laranja, os sapatos
Com a vermelha bordou a boca e as maçãs do rosto.
Deitou-se ao lado de sua obra a esperar mais chuva seguida de sol
Não via a hora de Íris ganhar vida
E juntas irem brincar de mergulhar, escorregar e nadar
Nas sinuosidades do arco...

domingo, 19 de junho de 2011

FLOR

No colorido jardim o espera.
Lembra-se de ter-lhe atirado a flor mais perfumada
Naquilo que ele imaginava ser uma despedida.
Não sabia ele, no entanto,
Que o mimo ofertado tinha ordens expressas
De construir uma trilha entre os dois distantes mundos.
Despiu-se da pressa e cobriu-se do mais belo bouquet.
Ele não tardaria a chegar.
Carregado pelo aroma que, com certeza
Não teria dificuldades de encontrar o caminho de volta...

sábado, 18 de junho de 2011

SUSTO

As palavras sopradas ao ouvido
Compostas de melodiosas notas graves 
E de um tom debochadamente sorridente
 aqueceram uma ideia de gelar alma...
A imagem holográfica, 
Era real...

sexta-feira, 17 de junho de 2011

CHARADA

Seis horas da manhã.
Ela acordou com o estrondo do trovão.
Abriu a janela.
A chuva torrencial criava uma cortina intransponível.
Ficou por instantes a pensar o que aquilo tudo significava.
De um ímpeto, lançou-se para fora rompendo a barreira,
Que surpresa, não a conseguiu conter.
Entendeu que os sentidos mais uma vez a testavam.
Sorriu ao perceber que havia decifrado a charada.
Seguiu o percurso refeita,
Apreciando minuciosamente todas paisagens 
Que se abriam a sua passagem
Naquela nova estrada, repleta de sol.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

INTIMAÇÃO


Sou teimosa e birrenta.
O mundo gira em torno do meu umbigo.
Quero porque quero.
Brigo e grito até conseguir.
E posso garantir,
Que até hoje,
Não me arrependi,
Tampouco 
Causei qualquer arrependimento a alguém.
Pronto.
Falei.
E agora?
Vais continuar fazendo que não é contigo?

Google Images

quarta-feira, 15 de junho de 2011

HIPERMODERNIDADE

Corpos etéreos viajam nas palavras,
Dando-se prazeres intraduzíveis ...
Enquanto isso,
Os rostos impassíveis das fotografias,
No canto das páginas,
Seguem congelados na mesma posição.
A hipermodernidade invade o amor...

terça-feira, 14 de junho de 2011

PERGUNTA

Sinto saudades do teu gosto
Será que tem para vender na farmácia embalado em saquinhos, como chá?
Sinto saudades do teu cheiro
Será que eu conseguiria encontrar um frasco na perfumaria?
Sinto saudades da tua carne
Será que existem bolachinhas recheadas de ti no supermercado?
Sinto saudades do teu calor
Será que um cobertor com um calor parecido tem na loja?
Sinto saudades da tua presença, do teu toque, das tuas palavras, ditas e não ditas, do teu sorriso e da tua seriedade, do teu suor e do teu corpo fresco no chuveiro, dos teus olhos em mim, da tua língua e da tua boca a me percorrer...
Será que não queres voltar só mais um pouquinho apenas para que eu consiga te aproveitar por mais uma hora que seja?

segunda-feira, 13 de junho de 2011

MATEMÁTICA

Um sorriso.
Dois braços. Dois braços.
Três olhares. Três olhares. Três olhares.
Quatro abraços. Quatro abraços. Quatro abraços. Quatro abraços.
Cinco minutos. Cinco minutos. Cinco minutos. Cinco minutos. Cinco minutos.
Seis amassos. Seis amassos. Seis amassos. Seis amassos. Seis amassos. Seis amassos.
Sete beijos. Sete beijos. Sete beijos. Sete beijos. Sete beijos.Sete beijos.Sete beijos.
Oito laços. Oito laços. Oito laços. Oito laços. Oito laços. Oito laços. Oito laços. Oito laços.
Nove ais. Nove ais. Nove ais. Nove ais. Nove ais. Nove ais. Nove ais. Nove ais. Nove ais.
Dez traços:  um + dois + três + quatro + cinco + seis + sete + oito + nove + dez
Do amor completo 
E não em pedaços.

domingo, 12 de junho de 2011

ERRO

Todo dia pegava o mesmo novelo e tecia o mesmo tricot.
À medida que ele crescia o novelo também se refazia para que, no dia seguinte, voltasse a ser tecido.
Já tinha perdido a noção de quantos anos aquela cena se repetia
Certa vez, enfadada da interminável tarefa, parou.
Jogou o tricot em uma cesta, junto com o novelo e os guardou no sótão.
Desceu e fechou a escada jogando a chave no poço ao lado da casa.
Feliz, seguiu a vida, longe da sina tão cansativa.
Toda noite ouvia barulhos vindos do sótão lacrado.
Pareciam coisas sendo arrastadas e quebradas.
Os ratos, pensava. Virava para o lado e seguia dormindo.
E foi durante seu sono que a casa ruiu em um grande estrondo.
Morreu soterrada pensando que sonhava, quando viu o novelo, imenso, quebrar o teto e invadir seu quarto, levando a casa ao chão.
Antes de tudo, concluiu em um lampejo de lucidez que tinha incorrido em apenas um erro:
Fugiu da sua sina, mas esqueceu-se de convencê-la a não segui-la mais...

sexta-feira, 10 de junho de 2011

CORRESPONDÊNCIA

Derramei a última lágrima e a guardei em uma redoma de vidro.
Joguei alguns véus por cima para que ficasse bem oculta no canto mais sombrio da sala.
Sai fechando a porta e as janelas com cuidado.
Tranquei tudo e escondi a chave embaixo da pedra à direita da árvore torta no início do caminho.
Fiz um mapa detalhado de tudo, coloquei no envelope, enderecei a mim mesma, selei e depositei-o na  caixa de correios que pendia ao lado da casa.
Afastei-me sorrindo, leve.
Esperava nunca mais ter que abrir a correspondência...

quinta-feira, 9 de junho de 2011

TRATO

Quero teus olhos fixos em mim.
Confia.
Vou aprisioná-los no meu corpo.
Se te arrependeres depois,
Prometo que os devolvo.
Não posso garantir, no entanto,
Que eles quererão ir,
Sem luta...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

MÁGICA

No ar giravam purpurinas em suspensão.
No centro do palco,
O único holofote dava seu espetáculo de luz.
As cortinas, rotas, de veludo vermelho
Já pálido pelos anos de serviços prestados,
Abriram-se com a mesma imponência de sempre.
Ela surge com uma capa negra de gola levantada,
Calças justas e camisa branca.
Na cabeça, a velha cartola meio castigada pelo uso.
Todos aplaudem e aguardam o início da apresentação.
Entre mil voltas com a varinha e inúmeras expressões enigmáticas,
Começa tirando lenços, pombas e coelhos da cartola,
Intercalados apenas pelas palmas e gritos da plateia.
Leva o espetáculo até o final, agradece e sai de cena.
Fecham-se as cortinas.
Apagam-se as luzes.
A plateia se retira.
Ela senta-se e tira a máscara, que já estava iniciando a lhe incomodar,
Livra-se da fantasia que lhe apertava as asas.
Respira fundo e lança-se aos ares,
Em um voo sereno de puras sensações
Mira o horizonte e acelera o mais que pode.
Precisa recarregar suas energias
Antes do próximo show.

terça-feira, 7 de junho de 2011

CHAVE

Pintava os caminhos com a determinação de seus pés. Ia simplesmente e o chão encarregava-se de nunca lhe faltar. Possuía rotas variadas. Conforme o seu sentir subia, descia, andava em infinitas espirais que levavam a escadas direitas ou invertidas. Andava pelo teto, pelas paredes e pelo ar conforme melhor lhe convinha;No entanto possuía um limite que não podia ultrapassar, fato esse que não lhe deixava confortável. Liberdade ampla, porém restrita a um espaço determinado não era liberdade. Ansiava em descobrir onde estava escondida a chave da porta escura do canto da sala sem janelas. Já havia vasculhado todo o cômodo mas não a havia localizado.Certo dia, em suas andanças infinitas, percebeu algo que brilhava no alto teto escondida em uma fresta do forro. De um pulo lá chegou e verificou ser o objeto tão sonhado. Ansiosa, correu à porta para finalmente poder descobrir o que havia após ela. Abriu-a cuidadosamente e saiu correndo, sorrindo aliviada, para o amplo exterior. Livre da prisão. Sua felicidade durou até o momento em que percebeu que só havia ampliado o espaço e os limites da velha sala. Recomeçou a busca incessante da nova chave. Um dia isso teria que ter fim...