No fundo negro ele surgiu.
Seus cabelos escuros e seus olhos pretos se confundiam com o cenário.
Discreto e silente, chamava pouca atenção.
Havia algo nele que a perturbava.
Uma energia tênue, mas constante, fazia com que ela sempre o notasse.
Em um grupo grande, seus olhos o procuravam.
Encontrando-o, se alojavam ali e ficavam, confortáveis.
Um dia, os olhos passaram a ser pouco.
Precisava de mais.
Aproximou-se dele e sentiu a onda de calor crescer.
Aproveitava a força que se desprendia do seu corpo e a invadia sem pressa.
Um dia, a força passou a ser pouca.
Precisava de mais.
Tocou-o com a ponta dos dedos, com a mão, com os braços
E foi feliz, porque o tinha muito perto.
Um dia, o toque passou a ser pouco.
Precisava de mais.
Beijou-o abraçando seu corpo e rolando na troca.
Entregaram-se sem barreiras e viveram sem limites
Aquilo que foi o mais surreal encontro das suas vidas.
Com a intensidade do único momento
Ainda pulsante nos corpos nus e suados,
Assustaram-se com o prazer obtido.
Fugiram, desorientados, em direções opostas.
Até que, ofegantes em um lugar qualquer tido por seguro,
Concluíram que não há como resistir brandamente
Ao choque de realidade
Causado por um sonho que se concretiza.
Entendido isso,
Um dia, um único sonho concretizado passou a ser pouco.
Precisavam de mais.
Iniciaram a fazer planos
Para um novo encontro.