João e Maria envoltos na bruma, vestidos de nuvens, ao som de “Hard Day's Night” viram-se pela primeira vez. O burburinho do local pairava acima das cabeças e os olhos trocavam palavras mudas, repletas de significados. Ficaram assim por algum tempo, até materializarem-se lado a lado. Como íntimos desconhecidos de longa data, teceram comentários insossos e vazios, meras escadas para o futuro imediato. Olharam a porta e, ao mesmo tempo, encaminharam-se a ela . Saíram e voaram sobre a cidade no tapete mágico que já os aguardava. Calados, envolveram-se e rolaram no prazer do desconhecimento. Despediram-se, com um “até nunca mais”, um sorriso e um beijo. Partiram para todo sempre em direções opostas. Desapareceram na linha infinita dos olhares vagos.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
INDIFERENÇA
Não consigo antever o final da história.
Minha bola de cristal embaçou.
Minhas cartas rasgaram-se.
Meus búzios pularam para fora da guia.
Acende o fósforo!!!
Estou confusa, o que virá?
O que eu posso esperar?
Devo esperar algo?
Eu ainda posso tentar?
Já deveria ter desistido?
Gostas da situação? A detestas?
Posso perguntar tudo isso?
Devo ficar calada?
A tua onipotência, na situação, é estarrecedora!
Estou definitivamente muda diante do espelho que insiste em me ignorar.
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