Andava dentro de sua própria cabeça
Como se fosse uma sombra.
Dançava músicas de um passado distante.
Recitava poemas crus de dores atrozes.
Lia livros, esquecidos há muito,
No canto mais empoeirado da estante.
Assombrava a si mesmo
Com uma regularidade decrescente.
Aos poucos voltaria à vida.
O tempo escoava rápido.
Sabia que o retorno já a observava
Do lado de fora.
Esperando um momento de distração
Para arrebatá-la.
Recusava-se, no entanto,
A antever o instante.