terça-feira, 5 de novembro de 2013

AMÉM

Extraio as raízes
De forma desordenada.
A pressa faz com que
Grandes pedaços
Sejam brutalmente arrancados
Do entorno.
Choro a dor do perdido,
Mas sigo a meta.
Não é hora de pensar,
Mas de agir.
Que assim seja,
Portanto,
Que assim seja.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

FESTA

Entro na sala pouco iluminada.
Percorro todos os cantos
Olhando cada um dos espelhos
Com muito cuidado.
Busco freneticamente
Minha imagem real.
Encontro fragmentos
Do que fui, do que sou
E, talvez, do que serei.
Nenhum no mesmo reflexo.
Grito o mais alto que posso.
O barulho de estilhaços,
Que se segue,
É ensurdecedor.
Respiro fundo e lanço-me
A procura dos cacos corretos.
Tenho até o final da tarde
Para compor o quebra-cabeças
Que me tornei.
A festa não tarda
E a música, não espera.
Haja o que houver,
O encantamento deve continuar
Nunca me esquecerei disso.


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

ESTRATÉGIA

A palavra gritada ao ar
Açoitou o silêncio
Que se impunha.
Por que falar agora?
Nada mais havia
A ser dito.
O momento de ruminar
Assustou-se
E engoliu em seco...
Será que merecia
Tamanho desrespeito?
Ofendido, retirou-se
Dando lugar
A mais alta gargalhada de
Desprezo.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

OSTOS

GOSTO
SUPOSTO
AGOSTO
RECOMPOSTO
DESGOSTO
EXPOSTO
CONTRAGOSTO
OPOSTO
ROSTO
JUSTAPOSTO

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

MORTE

Sob o véu se percebia
Alguma beleza.
Voava de um canto ao outro
Como que quisesse dar um aviso.
Geralmente conseguia compreender
Os seus recados, mas hoje...
Havia algo de errado.
Aflita,
Começou a procurar
O porquê de tanta angústia.
Deparou-se com o fio dourado
Partido.
Entendeu de imediato.
Era o momento do adeus.
Fechou os olhos e abriu a janela
Caiu no chão no mesmo instante
Em que ela ganhou os céus.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Ardo no estreito espaço
Da tua pupila.
Danço por entre as raias
Da tua íris,
Imprimindo minha imagem invertida
No fundo da tua retina.
Assim,
Olha-me fixo!
A experiência que vou te causar,
Será inesquecível!
A sensação que me causas
É desestabilizante!
Aproveitemos o êxtase juntos.
Vem...
Já estamos quase lá.
Que não nos esperem tão cedo...

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

ELA?

Não gostasva de justificativas! Algo que tem que ser explicado causava-lhe sono! Gostava da transparência. Estava acostumada ir sempre além do finito. Detestava dúvidas, mas necessitava delas para romper barreiras. Descalça, percorria os arabescos do destino, escorregando ora em atos falhos, ora em dogmas embolorados. Prezava o livre arbítrio, o livre pensamento e o amor livre. Havia nascido para fazer diferenças e não apenas a diferença. Era multifacetada, multicolorida, multiarticulada, multiliberal, multiplural sem deixar de ser singular.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

PASSOS

Rastros indeléveis
Projetam fantasmas
Nas minhas paredes
De vidro fosco.
Aguardo, pacientemente,
A materialização.
Sei que virá.
Já ouço os passos...

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

REFÚGIO

Do salto
Lançou-se ao voo
Livre, sem amarras.
Pousou na ponta
Mais alta
Do obtuso telhado
Em perfeito
Arabesque.
Ficou lá
Aproveitando o sol
E o vento da tarde
De primavera.
Intuiria a hora
Em que ele estaria
Pronto para ela.
Enquanto isso
Alimentava às famintas
Expectativas.

domingo, 20 de outubro de 2013

PAI?

Aos olhos da criança era contraditório. Havia amor, havia dúvida. Figura de ficção real ou de real ficção? Não se interessava em saber. Vivia o momento, o passo, a palavra. Cresceu. Questionou. Cansou. Acostumou-se. No andar da carroça as abóboras se acomodam. Acomodaram-se. Algumas podres, outras não. Certeza só uma: amou.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

REDE

Com várias linhas
Fez uma teia.
Esticou-a sobre
Os dois penhascos
Amarrando-a
Nos grandes blocos de gelo.
Deitou-se
Na improvisada rede
Para esperar o verão.
Até lá, ia aproveitando
A brisa da primavera
Que já se iniciava,
Insinuante,
Nas últimas tardes de inverno.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

DESEJOS

Quero
Um sol de fios de ovos,
Uma lua de mashmellow,
Uma onda de merengue,
Árvores de chocolate,
Confeitadas com folhas
Açucaradas.
Quero
Um jardim de brigadeiros
E cocadinhas,
Uma estrada de balas coloridas
E estrelas de pingos doces.
Quero perder 4 quilos logo
Para sair deste maldito regime!
Desculpa aos homens, mas
Só as mulheres podem entender isso...

:)

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

ZELO

Conhecia os passos.
Admirava o silêncio da chegada
E a maneira,
De como quem não quer nada,
Que ia se alojar,
Sempre,
Ao fundo da cena,
Depois da última luz.
Dali cuidava-a com zelo.
Ela, protegida,
Encantava a todos
Na arriscada
Acrobacia.

domingo, 13 de outubro de 2013

Fica intranquila!
Nunca vais saber
O quão profundo foi.
Assim, sigo apreciando,
Sorrindo com desdém
E alguma provocação,
Em meio a um saboroso
Prazer mórbido,
De ver
Sufocares, pouco a pouco,
Nas brumas da dúvida.

sábado, 12 de outubro de 2013

VITRINE

Vejo teu rastro,
Não me enganas.
Passas em silêncio, olhando.
Nunca faltas, eu sei.
Posso te sentir próximo,
Muito próximo.
Como se nada soubesse,
Sigo mostrando-me na vitrine.
Um dia voltas a entrar na loja.


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

AVISO

Éramos dois.
Distantes tão próximos...
Falávamos a mesma língua,
Entre percalços e fluidez.
Passeávamos entre letras e imagens
De mãos dadas.
Cúmplices,
Conhecíamos os detalhes invisíveis
Um do outro.
Desprezávamos os corriqueiros,
Vistos e comentados
Por todos aqueles que julgavam
Tudo saber...
Coitados!
Amávamo-nos nas entrelinhas
Debaixo dos narizes cegos de empáfia.
E, em mensagens subliminares,
Brincávamos de senso comum...
Éramos dois, somos dois, seremos dois,
Não se enganem!
Depois não digam que não avisei.



quarta-feira, 9 de outubro de 2013

DIA

O dia em que eu te ver
O mar irá petrificar
O sol não vai se esconder
E a lua quererá participar.

Estrelas, aos nossos cabelos,
Pontilharão de brilhos fugazes
E borboletas coloridas 
Nos vestirão com requintes, amáveis...

Bailaremos a valsa 
Do encantamento eterno
Dedilhada nas cítaras
Dos amigos grilos, tão ternos...

O dia em que eu te ver
Seremos finalmente completos
Encerraremos as buscas vãs e
Seguiremos unidos, repletos...

terça-feira, 8 de outubro de 2013

GERÚNDIOS

Colares coloridos
Para brilhar.
Roupas claras
Para refletir.
Sapatos baixos
Para dançar.
Rosto lavado
Para sorrir.
Assim vou ando,
Assim vou endo,
Assim vou indo...
Feliz!

domingo, 6 de outubro de 2013

TRÊS ANOS



Este mês o blog comemora
TRÊS ANOS!

Três anos lendo,
Três anos escrevendo e
Três anos vivendo!

São 10.137 comentários
De 721 amigos
Em 833 postagens!

MUITO OBRIGADA
MEUS QUERIDOS!

Obrigada pela atenção, carinho
E incentivo
Ao longo desta caminhada!
Adoro todos e cada um de vocês!

Um grande beijo

GISA

sábado, 5 de outubro de 2013

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

DÚVIDAS?

O que vivemos?
Que nome poderemos dar a nós?
Por que seguimos?
Buscamos algo?
Objetivos, temos?
Sei lá!
Só sei que somos felizes!
Para que complicar com
Perguntas comezinhas?

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

CONVERSA

Este não quero mais!
Devolve o meu rosto de antes!
Procura dentre os teus reflexos
Mais antigos.
Deves ter guardado em algum lugar.
Busca! É uma ordem!
Não me deixes com esta imagem
Rota, envelhecida,
Não condizente com meu interior.
Não existe equivalência, entende?
Traz de volta os olhos curiosos,
A boca do amplo sorriso,
Os cabelos iluminados...
Permite que a mágica aconteça,
Permite...
Sei que podes,
Pode ser devagar, tudo bem.
Ficarei na tua frente de olhos fechados.
Quando estiveres pronto, espelho,
Avisa-me,
Sou paciente.
Afinal, não me resta outra alternativa...

terça-feira, 1 de outubro de 2013

INDIFERENÇA

Do último eco
Se fez o silêncio
Frio e quebradiço.
Caminhávamos
Com pés de lã,
Para opostas direções
Querendo,
Freneticamente,
Desatar o apertado nó
Que nos impedia
Impassível e
Indiferente a todo
Esforço
Por nós
Realizado.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

QUEDA

O dia?
Se foi.
A lua?
Fugiu.
O vento?
Parou.
O frio?
Invadiu.
O eu?
Congelou.

domingo, 29 de setembro de 2013

ROUPA DE DOMINGO: JOSE MANUEL IGLESIAS RIVEIRO

Meu grande e especial amigo
JOSÉ MANUEL IGLESIAS RIVEIRO
e sua arte em forma de fotografia.
Gracias Jose!
Un beso.
Gisa
                                            http://iglesiasoviedo.blogspot.com/
                              http://picasaweb.google.com/josemanuel.iglesiasriveiro/

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

ESPELHOS

Na sala dos múltiplos espelhos
Perdeu-se.
Imagens em confusão a escondiam.
"Refúgio melhor não existe!" - pensou.
Nunca mais iria se preocupar
Com as aparências...

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

ARMADILHA

Ao primeiro olhar
Capturou-o.
Sorriu ao constatar
Que dali não mais sairia.
Considerava divertido
Assistir o seu desespero
Em tentar escapar.
Era paciente.
Não iria se manifestar.
Decidiu ser melhor a espera.
Queria que percebesse
Por si só,
A engenhosa armadilha
Que havia preparado
Com tanto zelo
Para ele,
Somente para ele.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

PODER

Porque não vens,
Te espero.
Porque não queres,
Te desejo.
Porque não desconfias,
Te descubro.
Porque não imaginas,
Te crio.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

SINA

Sentia o tufão
Abrir-lhe rasgos no peito
Enquanto respirava.
Não tinha muito tempo agora.
Correu para a pedra mais alta
E lançou-se aos ventos
Que vinham chegando.
Rapidamente incorporam-se
A sua volta seguindo seu comando.
Saiu, mais uma vez
Para cumprir
Sua cármica sina.
Varreu o solo 
Sem maiores traumas,
Até a mais completa
Destruição.

domingo, 22 de setembro de 2013

ATO

Entre as quatro paredes,
Transforma-te.
Fisionomia seca
Objetiva o que queres.
Braços envolvem,
Mãos buscam.
Entrego-me ao teu comando.
Conduzes o ato
Magistralmente.
Palavras nulas
Respiração crescente,
Tornam o comum
Em raro.
Delicio-me no silêncio da cena
Com a admiração e respeito
Dos que sabem
Apreciar a beleza bruta
Dos momentos únicos

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

INSENSATAS

Definitivamente bêbada,
Gostava de escolher imagens
Que poderia passar.
Respirava fundo,
E era intelectual.
Desabotoava a blusa,
Transfoemava-se em mundana.
Lambia os lábios
Sentia-se sensual.
Tantas em uma.
Todas escondidas
No breu das pessoas sensatas
Aguardando o momento
De serem insensatamente
Verdadeiras.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

PERDIDA

Consciente de estar
Dentro do corpo,
Ainda assim o desconsiderava.
O espelho recusava-se 
A exibir sua imagem,
Tanto melhor!
Detestava ter que figurar
No vazio infinito dos reflexos.
Flutuava e rastejava,
Imperceptível aos olhos.
Gostava do anonimato.
Precisava lembrar
De nunca esquecer disso.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

LEMA

Tratava seu corpo
Como um altar profano.
Oferendas, muitas,
De todas as crenças,
Povoavam seu dia.
Não se importava com deuses,
Qualquer um era útil,
Desde que a levasse
Para o objetivo desejado,
O nirvana mais próximo.
Prazer garantido,
Ou seu dinheiro de volta!
Sempre foi o seu lema.

domingo, 15 de setembro de 2013

ROUPA DE DOMINGO: FRANCISCO MIGUEL DE MOURA

  AS MIL ESSÊNCIAS DO AMOR
 (Especial para o blogue de Gisa)   

                 Francisco Miguel de Moura*

Quantas essências há pra se aspirar
Depois da noite. Sinta sutilmente,
Pela glória e a graça de ser gente,
As belezas que o vento traz do mar.

Ponha o nariz adiante da janela,
Sinta a menina a rua atravessando,
Sinta mais, sinta a vida começando
Cheia de flores pelos passos dela.

São as aves cantando em cada vão,
São as flores cheirosas, são as palmas,
Fortalecendo as fibras onde estão

A saltarem pra vida como estrelas.
Veja as essências todas, tagarelas,
Como a enfeitarem nossas próprias almas.
_______
*Francisco Miguel de Moura, brasileiro de nascimento, porém poeta de um mundo, sem carimbo, sem escolas, somente com a palavra que sai borbotando do seu peito.


 Esse é o Chico, o meu Chico!
Um amigo como poucos!
Poeta de muitas prosas e deliciosos versos.
Uma pessoa pela qual tenho um imenso carinho e admiração.
Dono de três blogs maravilhosos:

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

PROSSEGUIR

A ausência de eco a incomodava.
Necessitava da resposta,
Do sorriso.
A aquiescência servia
Como a bomba propulsora
Do seu prosseguir.
Parada diante do penhasco
Esperava com toda atenção
O retorno do ar.
Já havia gritado há algum tempo.
Por que demorava tanto?