Escondo-me a céu aberto.
terça-feira, 9 de junho de 2015
terça-feira, 26 de maio de 2015
ESTRELA
A estrela amanheceu
E fez-se sol.
Plenamente absoluta
Reinava em si bemol.
Entoava melodias,
Enternecendo o horizonte
Prenhe de expectativas
Entorpecidas nos seus montes.
A estrela adormeceu
E desfez-se o encanto.
Aconchegando no regaço
Ao som do terno acalanto
Todos aqueles que sonharam,
Um dia, estarem sob seu manto.
sábado, 23 de maio de 2015
CAMINHO
Na poça d'água via-se refletida.
Linda!
Acreditando na fresca imagem
Ganhou coragem para seguir.
Enxugou os olhos.
Recompôs-se do pranto
E sorriu para o horizonte,
Próximo amante a enternecer.
quinta-feira, 14 de maio de 2015
IDEIAS
Na vontade de rever o nascer do sol,
Distanciava-se cada vez mais
Da sua marca,
Previamente estabelecida,
Por aqueles que comandavam a cena.
Tantos foram os recuos,
Que, quando deu por si,
Já fazia parte de um outro contexto.
Entusiasmada, no novo palco,
Iniciou a história pelo seu contrário.
Quem sabe começando do fim,
Poderia traçar um começo mais interessante?
sábado, 9 de maio de 2015
INVASIVA
Transbordava.
Tinha o difícil problema
De não caber em si.
A alegria lhe escorria
Em fitas coloridas
Pela boca.
A tristeza, em rios escuros
Pelos olhos.
A raiva,
Em faíscas vibrantes
Pelo corpo todo.
A paixão
Em ondas cintilantes
Que alcançava todos ambientes
Embalada pelo som de sua
Gargalhada cristalina.
sábado, 2 de maio de 2015
CADEIRA
Dedicava-se, intensamente, ao desapego.
Pensava, por todos os ângulos,
Em como fugir daquela situação,
Incômoda, cansativa.
Não via caminhos,
Não queria ver.
Um dia teria que decidir
Entre as duas opções prováveis:
Ir ou ficar.
Enquanto isso,
Chocada com sua falta de iniciativa,
Exercitava o triste jogo
De pena de si própria
Acomodada na sua cadeira
De alto espaldar.
quinta-feira, 30 de abril de 2015
NONSENSE
Do alto das ideias criativas
Desenhou um sapo alado.
Pintou, cuidadosamente, de azul.
Recortou milimetricamente.
Deu-lhe um beijo
No mesmo instante
Que o largava pela janela.
Materializado, no passe de mágica,
O príncipe, incrédulo,
Estatelou-se no chão,
Pois não percebeu que tinha asas.
Pronto, pensou.
Sem riscos de cair no antigo conto de fadas
Voou em direção ao novo destino,
Além da linha do horizonte
Onde se encontraria com
O almejado pote de ouro.
Afinal, era uma bruxa.
domingo, 26 de abril de 2015
FINALIZE
Com a alma
Despudoradamente desnuda,
Desfilava entre as hordas
Aos gritos de "viva!".
Ia sem pressa,
Aproveitando cada olhar,
Cada indagação a respeito
Do significado da cena.
...
...
...
(Finalize, eu deixo...)
; )
sexta-feira, 24 de abril de 2015
GATA
Macia, desliza nas entrelinhas.
Rola e engana
A quem se desconcentra
Com sua manha.
Seduz, sempre,
Na promessa do nada utópico.
Ri de soslaio
Diante da boquiaberta
Presa, presa...
quarta-feira, 22 de abril de 2015
TRISTE
Queria morrer,
Havia decidido há algum tempo.
Fechou os olhos
E instalou-se em estado de cegueira.
Parou de andar,
Conduzindo-se a um estado inerte.
Não quis mais comer,
Dividindo seus dias com a inanição.
Assim ficou, quieta, a espera,
Envolta na névoa de orações,
Freneticamente repetidas,
Por aqueles
Que a amavam
De verdade.
sábado, 18 de abril de 2015
ESCADAS
As escadas se confundiam.
Nunca sabia se partia ou chegava.
Subia ao descer.
Descia a subida.
Degraus materializavam-se
A medida que sumiam.
Coisa estranhas aconteciam
Naquela tarde.
Agarrou-se ao corrimão
Para entender os desenhos.
Queria retornar ao ponto inicial.
Almejava alcançar o final.
Conseguiria, com certeza.
Precisava ter calma
E concentração.
Só isso.
Calma
E
Con cen tra ção.
domingo, 5 de abril de 2015
INVISÍVEL
Não se sentia amada.
Levava a vida sempre em segundo plano.
Tudo era mais importante do que ela.
Servia, oferecia, guarnecia.
Era estepe para as mais diversas dores.
Só era lembrada na necessidade,
E tão logo que ela se fosse,
Retornava a sua condição de nada.
Morreu na rotina da tarde,
Sem uma lágrima de surpresa
Ou um suspiro de dor.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
FORÇA
Gosto da quantidade,
Do exagero.
Sou prolíxa.
Meus gestos são amplos
E minha voz, alta.
Rio com frequência
E choro aos soluços.
A intensidade me condena
A aparecer.
Sempre e mais.
Não desgosto.
sexta-feira, 27 de março de 2015
EVOLUÇÃO
Livre da dor,
Subiu na prateleira
E acomodou-se.
De agora em diante,
Observaria apenas,
Totalmente desonerado
Da incômoda obrigação
De sentir.
quarta-feira, 25 de março de 2015
LOUCURA
Sempre teve a loucura
Como seu mais caro esconderijo.
Via de soslaio
Falava de viés.
Gargalhava guturalmente,
Com a boca do estômago.
Movia-se no melhor estilo
Desconjuntado.
Era feliz no âmago
E infeliz na máscara
Que tão eficazmente
O dissimulava.
Sorria a incompreensão
De todos.
domingo, 22 de março de 2015
MEU PAI
No primeiro amanhecer do outono,
Cobriu-se de luz e partiu.
Deixou para trás
A rota veste
Desgastada pelos anos de uso
E abusos da vida.
Foi cantando e sorrindo,
No seu jeito bonachão inconfundível
De boêmio
Que está chegando
Para mais uma noite de festa.
Que tragam a cerveja!
Meu pai partiu ontem
E acho que foi exatamente assim...
E os anjos que se preparem, pois,
Segundo ele, "viveu tudo que pode
E morreu contrariado".
Fica bem, pai.
Fico aqui, com a lembrança.
Amém.
quinta-feira, 19 de março de 2015
PAI
Naquela praia,
Onde tudo era lindo,
Olhava o mar.
O sussurro das ondas
Era o que levaria
Para compor seu tudo
E seu todo.
Ao final,
O sentido retornaria
À origem.
Desfez-se em pó
E ao sabor dos ventos
Singrou sem rumo certo.
Pertenceria ao infinito
Por seu todo sempre.
terça-feira, 17 de março de 2015
VOO
Pisando na areia,
Sentia a resistência do natural.
Difícil arte de seguir em frente.
Largou os cabelos ao vento
E voou.
domingo, 15 de março de 2015
FRASE
"Sexo eu tenho, sinto falta é de carinho." Costurada, meticulosamente, à conversa casual de fim de tarde, a frase lançou-se ao olhar vago daquele que só ouve o que lhe é conveniente, escondendo-se, em seguida, sob os lençois amarrotados da cama desfeita. A vida segue impassível.
quinta-feira, 12 de março de 2015
SONHO
Cuidado, te peço.
Olha com vagar.
Sente a energia,
Meticulosamente escondida,
Nos contornos.
Vibra.
Tem por base a mesma nota,
Que percebes na repetitiva escala
Dos suspiros.
Momento infinito
De prazeres findos.
Vive. Sorri. Sonha.
Dorme...
terça-feira, 10 de março de 2015
PENSAMENTO
Sentada tricotava.
Tecia a manta, ponto por ponto,
Com intensidades diversas.
O resultado, que surgia
Das desregradas agulhas,
Não era uniforme.
Ora solto, ora preso,
Ora perfeito, ora defeituoso...
Nada, nem ninguém a dissuadia
De sua tarefa:
Provar que o imperfeito
Pode ser ideal.
Depende da necessidade
Daquele que busca.
domingo, 8 de março de 2015
SOU
Luto.
Brinco.
Choro.
Sorrio.
Busco.
Amo.
Escrevo.
Grito.
Reparto.
Determino.
Faço.
Recomeço.
Finalizo.
Amparo.
Empurro.
Dou a luz...
Componho-me e
Recomponho-me
Dos mais variados verbos
Em todas as conjugações
Para me tornar tanto única
Como apenas mais uma.
Sou mulher
Orgulho-me.
quinta-feira, 5 de março de 2015
ATOS
Danço
Os estreitos caminhos do recomeço.
Rumo
À luz da sabedoria consolidada.
Respiro
O colorido do ar esquecido.
Sorrio
Brisas de tranquilidade madura.
Saboreio
A maçã mordida de vida.
quarta-feira, 4 de março de 2015
SUPORTE
Na espera da tua morte iminente,
Desfaço os quebra-cabeças
Que serviram de suporte
Para nossas vidas.
sábado, 28 de fevereiro de 2015
RETORNO
Andava dentro de sua própria cabeça
Como se fosse uma sombra.
Dançava músicas de um passado distante.
Recitava poemas crus de dores atrozes.
Lia livros, esquecidos há muito,
No canto mais empoeirado da estante.
Assombrava a si mesmo
Com uma regularidade decrescente.
Aos poucos voltaria à vida.
O tempo escoava rápido.
Sabia que o retorno já a observava
Do lado de fora.
Esperando um momento de distração
Para arrebatá-la.
Recusava-se, no entanto,
A antever o instante.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
DERROTA
A tristeza escorre
Pelos olhos.
Desce, impedindo
Os mais simples movimentos.
Imobilizada, sucumbe ao desejo
De amalgamar-se
Ao lodo negro que a fixa pelos pés.
"Então o fim é assim?" - pensou.
Depõe as armas,
Deixa esvair as forças.
Resigna-se com a derrota.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
ANTROPOFÁGICO
O escuro e o claro.
Complementos do todo.
Ora um, ora outro.
Alternância bipolar.
Desconheço caminhos.
Fujo dos objetivos.
Escondo-me no meu
Umbigo.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
CONVICÇÃO
Envolta em véus
Deixava-se ver
Parte à parte.
Acreditava que
A completude
Sufocava
A real beleza
Escondida
Nos até então
Imperceptíveis
Detalhes...
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
LEVEZA
As sombras brincam
De esconde-esconde
Ocultando-se nos corpos
Que deslizam pelas ruas.
Desavisados, dão abrigo
Ora a uma, ora a outra,
Ora a várias.
Desconforto?
Nenhum!
Recompensa?
O alegre frenesi
Dos movimentos leves...
sábado, 31 de janeiro de 2015
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
(DES)PREPARO
A perda se avizinha.
Será que estarei
Esperançosamente despreparada?
Momento único, enfim.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
APLAUSOS
Passo por entre o mundo
Causando um movimento regrado.
Milimetricamente previsível,
Gosto que antevejam meus passos.
Atuo para a plateia,
Que, satisfeita,
Se esquece de tentar investigar
Aquilo que, de fato,
Faria sentido.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
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