Ei!
Olha aquele jardim.
Sente o aroma,
As cores.
Sim, eu sei.
Lindo,
Muito lindo.
Agora pensa,
Tu moras aqui,
Bem no meio.
Bom, não é?
Acordas pela manhã
E já vives essa atmosfera.
Agora uma coisa.
Veio um vento forte.
Arrancou as roseiras,
As azaleias acabaram,
Os amores-perfeitos foram-se.
Tudo destruído, feio, triste.
O sol volta.
O que fazes?
O que te resta fazer?
Reconstrução!
Afofas a terra,
Replantas as flores,
Reergues os caramanchões.
Voltam os pássaros e as borboletas.
Retorna a paz.
Até quando?
Ora,
Até o próximo vento,
Que deve estar vindo atrás daquela nuvem,
Logo, logo...
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
TRISTE
Não consigo compreender.
Penso e não entendo.
Reflito sem conclusões.
Fico aflita.
Tento, em vão,
Não procurar respostas.
Preciso delas.
Tenho medo que o silêncio me devore.
Sinto ele próximo,
Muito próximo.
Choro.
Penso e não entendo.
Reflito sem conclusões.
Fico aflita.
Tento, em vão,
Não procurar respostas.
Preciso delas.
Tenho medo que o silêncio me devore.
Sinto ele próximo,
Muito próximo.
Choro.
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
OLHOS
Olhos de medo
Espreitam o escuro
Cuidando a vida
Bem sabem de quem.
Olhos de medo
Afastam o sorriso
Devoram a paz
Que não lhes faz bem.
Olhos de medo
Procuram saída
Daquela medida
Último susto.
Olhos de medo
Covardes, coitados
Não sabem escapar
Pois a luz não convém.
Olhos de medo
Cerrados prá sempre
Vão-se de mim
De volta a Salém.
Espreitam o escuro
Cuidando a vida
Bem sabem de quem.
Olhos de medo
Afastam o sorriso
Devoram a paz
Que não lhes faz bem.
Olhos de medo
Procuram saída
Daquela medida
Último susto.
Olhos de medo
Covardes, coitados
Não sabem escapar
Pois a luz não convém.
Olhos de medo
Cerrados prá sempre
Vão-se de mim
De volta a Salém.
terça-feira, 6 de agosto de 2013
AVISO
Sabes ter-me nos braços,
Mesmo que a distância
Se imponha através do mar.
Dominas, totalmente, a arte
De me encantar
Seja com o vento brando dos sorrisos,
Seja com a tempestade das contestações,
Interregnos para coisas belas e mágicas.
Lanças as palavras certas
E teces, como ninguém,
Uma trama envolvente e acolhedora,
À qual rendo-me,
Sem o menor sinal de luta.
Gosto do prazer que me transmites,
Da doçura que me ofertas
E de todas as possibilidades
Que as combinações de tudo isso
Geram em mim.
Esse é o segredo que
Nossas Almas sabem,
Nossos Contrários resignam-se
E nós...?
Bem, nós viveremos na intensidade
Que nos aprouver
E nos for impossível,
Ainda que aqueles, preocupados
Com a razão de tudo,
Não compreendam.
Mesmo que a distância
Se imponha através do mar.
Dominas, totalmente, a arte
De me encantar
Seja com o vento brando dos sorrisos,
Seja com a tempestade das contestações,
Interregnos para coisas belas e mágicas.
Lanças as palavras certas
E teces, como ninguém,
Uma trama envolvente e acolhedora,
À qual rendo-me,
Sem o menor sinal de luta.
Gosto do prazer que me transmites,
Da doçura que me ofertas
E de todas as possibilidades
Que as combinações de tudo isso
Geram em mim.
Esse é o segredo que
Nossas Almas sabem,
Nossos Contrários resignam-se
E nós...?
Bem, nós viveremos na intensidade
Que nos aprouver
E nos for impossível,
Ainda que aqueles, preocupados
Com a razão de tudo,
Não compreendam.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
BEIJO
Soltou no vento um beijo.
A viagem é rápida,
Atravessa distâncias,
Mares, tempestades, caminhos...
Chega exausto na praia do outro lado.
Onde ele estará?
Ela havia lhe dito que estaria à espera...
Sentou-se a descansar.
Não deveria se preocupar.
Deveria estar chegando...
Ela não teria se enganado
Tanto...
A viagem é rápida,
Atravessa distâncias,
Mares, tempestades, caminhos...
Chega exausto na praia do outro lado.
Onde ele estará?
Ela havia lhe dito que estaria à espera...
Sentou-se a descansar.
Não deveria se preocupar.
Deveria estar chegando...
Ela não teria se enganado
Tanto...
domingo, 4 de agosto de 2013
ROUPA DE DOMINGO : ANTUNES FERREIRA
Está sentada à esquina da vida esperando, quem sabe?, a morte. Juliana tem quase 94 anos, claudica pendurada de um bordão a fingir de bengala, na boca ressequida sobram-lhe nove dentes enquistados em gengivas desmaiadas, de cor indefinida a desfazer-se em branco.
Um banco de cozinha, em madeira, serve-lhe de âncora no meio do calcetado do passeio e um gato de telhado esconso faz-lhe companhia. É um felino tão negro como vestido dela, de amores nocturnos diversos em telhados avulsos e chama-se Bolinhas. Vadio de profissão, acompanhante da velha de militante, adora peixe, mesmo com espinhas e pardais, por isso lhe chamam o céu dos pássaros, que é a barriga dele.
Juliana tem dois filhos, uma filha e quatro netos todos machos. Que não lhe ligam nenhuma. Em tempos – ela lembra-se das partidas dos três, mas não se recorda em que ano isso aconteceu – foram-se para a cidade, amanharam-se e nem novas nem mandadas. Disse-lhe a vizinha Sara (será que foi a Sara? Ou terá sido a Deolinda), que estão bem, encontrara a Julinha, com dois filhos, ela e eles aperaltados, a entrar para um carrão, num bairro fino da tal urbe.
Ontem, foram-na encontrar feita numa rodilha, de olhos esbugalhados, o xaile negro descambado, um susto, meninas, vizinhas de umbral de porta, um grande susto, disse a Deolinda no velório. Família nem vê-la. Padre só para a encomendar (para onde?).
No caixão, morta, ela está à espera da vida. Qual? Só há uma
imagem do Google
sábado, 3 de agosto de 2013
ROUPA DE DOMINGO
AMANHÃ, INAUGURO UMA NOVA FASE NO "LER, ESCREVER E VIVER"
QUE DECIDI CHAMAR DE ROUPA DE DOMINGO.
TODO DOMINGO PUBLICAREI UM TRABALHO,
UM TEXTO, UMA IMAGEM,
DE UM AMIGO COLABORADOR QUE QUEIRA
ENRIQUECER O NOSSO ESPAÇO COM A SUA PRESENÇA.
PARA INICIAR, CONTO COM UM GRANDE PARCEIRO E AMIGO,
MEU QUERIDO HENRIQUE, DO BLOG
"A MINHA TRAVESSA DO FERREIRA" A QUEM, DESDE JÁ,
AGRADEÇO TER ACOLHIDO TÃO PRONTAMENTE
A MINHA SOLICITAÇÃO.
AGUARDEM!
UM BEIJO DA
GISA
TROCA
Excita-me.
Murmura.
Sabes o que gosto.
Toca meu corpo
Com luxúria.
Vais me levar à loucura.
E, em troca,
Vou te oferecer o prazer
De veres meu
Êxtase.
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
CONFISSÃO
Hoje te sonhei.
Cada momento
Que tivemos.
Os melhores instantes
Que teremos.
Aquilo que estamos
Em plena execução.
Acordei sem dormir
Adormeci sem despertar
Prisioneira da vigília
A te esperar,
Esperar,
Esperar
...
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
TRANSFORMAÇÃO
Queria leveza.
Construiu um zepelin.
Singrou os ares.
Escondeu-se nas nuvens.
Banhou-se ao sol e à lua.
Subiu mais e mais.
Virou estrela...
terça-feira, 30 de julho de 2013
MÃE BOBA
HOJE ESTOU TODA BOBA!
O HENRIQUE FERREIRA DO BLOG
MEU QUERIDO AMIGO,
PUBLICOU NA SUA NOVA SEÇÃO
"BUÉ DA FIXE"
UM TEXTO DE MINHA FILHA VALÉRIA
"O QUE PERCEBI HOJE"
"O QUE PERCEBI HOJE"
(VEJAM AQUI).
A VAL E A BEL, MINHAS FILHAS GÊMEAS,
TAMBÉM SÃO APAIXONADAS POR ESTE MUNDO
DA BLOGOSFERA E POSSUEM UM BLOG DE MODA
MUITO BEM CUIDADO E ATUALIZADO:
MUITO BEM CUIDADO E ATUALIZADO:
SE QUISEREM CONFERIR DEEM UMA PASSADINHA
TANTO NA NOSSA QUERIDA TRAVESSA,
QUANTO NO 4 AMIGAS E A CIDADE
NOS LINKS COLOCADOS ACIMA.
SERÁ UMA HONRA PARA NÓS!
BEIJOS DA GISA
MASSAGEM
Delicadamente,
Moldava carícias
Com mãos de tecido.
Toques sutis
Pressionavam,
Ora aqui,
Ora ali,
Produzindo um resultado
Belo, quase irretócavel.
Deixava, ao longo da pele
Que lhe era entregue,
Marcas das finas garras
Que retaliavam,
Sem serem percebidas,
Depositando o fino veneno
Nos pontos mais vitais
Da iludida vítima.
Néscia coitada!
Continuava sorrindo agradecida.
Algumas pessoas são incapazes de entender
O poder dos simulacros.
Moldava carícias
Com mãos de tecido.
Toques sutis
Pressionavam,
Ora aqui,
Ora ali,
Produzindo um resultado
Belo, quase irretócavel.
Deixava, ao longo da pele
Que lhe era entregue,
Marcas das finas garras
Que retaliavam,
Sem serem percebidas,
Depositando o fino veneno
Nos pontos mais vitais
Da iludida vítima.
Néscia coitada!
Continuava sorrindo agradecida.
Algumas pessoas são incapazes de entender
O poder dos simulacros.
segunda-feira, 29 de julho de 2013
VADIA
Desprezível e ignorada por todos, era egoísta. Levava a vida apenas para sua doentia satisfação pessoal. Criava conceitos, bem fundamentados, para justificar-se ao menor sinal de espanto. Tinha habilidade com ideias e as palavras, saindo de sua boca, transformavam o estúpido devaneio na mais crível realidade. Todas as manhãs vestia a pesada carapaça e saia em busca da próxima presa para alimentar o seu ego. Um dia essas iriam acabar, pensava enquanto deliciava-se com mais uma nova refeição, mas até lá...
domingo, 28 de julho de 2013
SIGNIFICADOS
Olhar.
Pupilas abertas que desvendam o mundo externo
Através da dança entre luzes e sombras.
Calor.
Sensações térmicas que em ondas invadem todos tecidos
Causando uma agradável elevação do pressentimento.
Excitação.
Pequenos furacões, turbilhões e terremotos,
Chegados sem espera pelos lados mais inusitados.
Contato.
Extensão de áreas, junção e mistura de peles
Em movimentos contínuos, compassados ou não.
Sensações.
Pequenos choques ocasionais nas mais diversas partes do corpo
Trazendo gozos fátuos.
Prazer.
Explosão de tudo ao mesmo tempo na intensidade da luz
Com direito a manifestações orais variadas.
Saciedade.
Letargia, sorriso mudo, formigamento,
Eletricidade que se dissipa no nada.
Sonhos.
Figuras que se confundem com a realidade
Ocasionando dúvidas eventuais, plenas de significados.
Pupilas abertas que desvendam o mundo externo
Através da dança entre luzes e sombras.
Calor.
Sensações térmicas que em ondas invadem todos tecidos
Causando uma agradável elevação do pressentimento.
Excitação.
Pequenos furacões, turbilhões e terremotos,
Chegados sem espera pelos lados mais inusitados.
Contato.
Extensão de áreas, junção e mistura de peles
Em movimentos contínuos, compassados ou não.
Sensações.
Pequenos choques ocasionais nas mais diversas partes do corpo
Trazendo gozos fátuos.
Prazer.
Explosão de tudo ao mesmo tempo na intensidade da luz
Com direito a manifestações orais variadas.
Saciedade.
Letargia, sorriso mudo, formigamento,
Eletricidade que se dissipa no nada.
Sonhos.
Figuras que se confundem com a realidade
Ocasionando dúvidas eventuais, plenas de significados.
sábado, 27 de julho de 2013
HISTORIETA
Tiveram o início dissimulado pelos desejos mútuos.
Atravessaram o caminho das carícias repletos de ais.
Chegaram ao ponto médio vazios de sensações.
Como é que só foram perceber que era o fim
Quando o cenário tombou?
Atravessaram o caminho das carícias repletos de ais.
Chegaram ao ponto médio vazios de sensações.
Como é que só foram perceber que era o fim
Quando o cenário tombou?
sexta-feira, 26 de julho de 2013
BORBOLETAS
Quando se lembrava, sorria.
As cores tênues ainda acariciavam seu corpo
E os perfumes seguiam dispersos no seu entorno.
Fechava os olhos sentindo os arrepios dos beijos, dos toques...
Deitou-se em silêncio para acalmar as borboletas
Pobres!
Voavam agitadas em seu estômago.
Será que um dia compreenderiam
Que aquela teria sido a derradeira vez?
quinta-feira, 25 de julho de 2013
AMOR...
Hoje recebi um pedido para escrever sobre o amor. Sempre fugi de escrever sobre esse tema diretamente, ele me assusta e constrange por dois motivos: primeiro, tenho medo de cair no lugar comum e me tornar uma tola; segundo, acho que não faço a mínima ideia como deveria executar esta tarefa. No entanto, não escrever seria me curvar ao impossível e isso eu não tolero.
Gosto de desafios. Gosto do incerto. Gosto do frisson da dúvida. Assim, amo. Amo? Bem já é um início, comum, mas início, o amor desperta sensações de conforto e desconforto, pronto!
Sigamos.
Detenho-me na palavra: AMOR. Olho seus contornos arredondados e obtusos entendendo que essa junção também faz o amor, graficamente, mas faz. Amor, portanto, lembra mistura. Mistura lembra amálgama. Amálgama, calor. Calor, aconchego. Sim, aconchego se encaixa nas diversas facetas do amor, portanto serve para descrevê-lo.
O que mais?
Energias, de preferência convergentes! Amar sozinho não é amor. Precisa de troca, assim, no mínimo dois. E o amor próprio? Viu a dificuldade? Amor próprio depende de um só, oras! Voltemos as energias. Para haver amor necessita-se de uma energia positiva, sendo em relação a si próprio, seja em relação ao outro e essas energias positivas se atraem criando um campo magneticamente muito bem acabado. Quando há sintonia, há amor. E salve a Física!
Do amor conjugado, prefiro no presente do indicativo. Já pensou no pretério mais que perfeito?! Distanteeeee! Muito triste. E no pretérito perfeito, que de perfeito não tem nada quando se trata de amor...
Bem, o amor lembra rimas, flor, dor, ardor, rancor... Não vou enveredar por aí, muito batido!
E se eu disser a primeira palavra que me vem à cabeça com a ideia? Tentemos. AMOR! COR! É, até pode ser. Amor rosa, doce. Vermelho, paixão. Azul, frio. Verde, verde, verde...? Sei lá!
É não funcionou. E agora, como vou acabar essa loucura? Serei sincera: não sei escrever sobre amor. PONTO FINAL!
Gosto de desafios. Gosto do incerto. Gosto do frisson da dúvida. Assim, amo. Amo? Bem já é um início, comum, mas início, o amor desperta sensações de conforto e desconforto, pronto!
Sigamos.
Detenho-me na palavra: AMOR. Olho seus contornos arredondados e obtusos entendendo que essa junção também faz o amor, graficamente, mas faz. Amor, portanto, lembra mistura. Mistura lembra amálgama. Amálgama, calor. Calor, aconchego. Sim, aconchego se encaixa nas diversas facetas do amor, portanto serve para descrevê-lo.
O que mais?
Energias, de preferência convergentes! Amar sozinho não é amor. Precisa de troca, assim, no mínimo dois. E o amor próprio? Viu a dificuldade? Amor próprio depende de um só, oras! Voltemos as energias. Para haver amor necessita-se de uma energia positiva, sendo em relação a si próprio, seja em relação ao outro e essas energias positivas se atraem criando um campo magneticamente muito bem acabado. Quando há sintonia, há amor. E salve a Física!
Do amor conjugado, prefiro no presente do indicativo. Já pensou no pretério mais que perfeito?! Distanteeeee! Muito triste. E no pretérito perfeito, que de perfeito não tem nada quando se trata de amor...
Bem, o amor lembra rimas, flor, dor, ardor, rancor... Não vou enveredar por aí, muito batido!
E se eu disser a primeira palavra que me vem à cabeça com a ideia? Tentemos. AMOR! COR! É, até pode ser. Amor rosa, doce. Vermelho, paixão. Azul, frio. Verde, verde, verde...? Sei lá!
É não funcionou. E agora, como vou acabar essa loucura? Serei sincera: não sei escrever sobre amor. PONTO FINAL!
Decidida eu hein? Garanto que ninguém vai revidar, pois afinal, vocês são uns...amores!
Ai, ai! Amei!
Um beijo com muito amor é claro!
Gisa
quarta-feira, 24 de julho de 2013
VOCÊ
O que você sabe sobre você mesmo?
Sim, isso mesmo.
No fundo, bem fundo.
Os segredos que não confessa.
Os planos que põe em prática ( ou não...)
O rosto sem máscaras,
O corpo nu...
Quem é você?
O espelho lhe conhece?
Garanto que não.
terça-feira, 23 de julho de 2013
FICHA
Nome: Frio
Cor: branca
Estado: gelo
Sensação: zero
Qualidade: beleza
Defeito: dor
Objeto: lareira
Bebida: vinho
Prazer: chocolate
Local: tapete
Adereço: cobertor
Oferta: eu
Necessidade: você
( ) aceito
( ) não aceito
ENVIAR
segunda-feira, 22 de julho de 2013
TOTEM
Na noite sem lua,
Desbravou os véus
Que pendiam das árvores
Chegando à clareira.
Com o brilho das estrelas
Vislumbrou o totem
Que se erguia rijo,
No meio do espaço vazio.
Tomada por intensa sacralidade,
Ajoelhou-se diante do monumento
Em sinal de adoração.
Impelida pelo som dos ventos
Entregou-se à frêmita necessidade
De reverenciar ao divino.
Acariciou-o com cuidado decrescente.
Rolou em seu entorno,
Rodopiou ao seu comando,
Riu e gemeu,
Experimentando cada ângulo possível
E impossível...
Vibrou ao ver a explosão do inevitável.
Bebeu do leite lançado ao céu
Em incandescente jorro.
Fugiu o mais rápido que pode.
Não suportaria o que viria a seguir.
Sabia disso...
Desbravou os véus
Que pendiam das árvores
Chegando à clareira.
Com o brilho das estrelas
Vislumbrou o totem
Que se erguia rijo,
No meio do espaço vazio.
Tomada por intensa sacralidade,
Ajoelhou-se diante do monumento
Em sinal de adoração.
Impelida pelo som dos ventos
Entregou-se à frêmita necessidade
De reverenciar ao divino.
Acariciou-o com cuidado decrescente.
Rolou em seu entorno,
Rodopiou ao seu comando,
Riu e gemeu,
Experimentando cada ângulo possível
E impossível...
Vibrou ao ver a explosão do inevitável.
Bebeu do leite lançado ao céu
Em incandescente jorro.
Fugiu o mais rápido que pode.
Não suportaria o que viria a seguir.
Sabia disso...
domingo, 21 de julho de 2013
PRIMEIRAS IMPRESSÕES
Primeiro amor:
"Meu estômago vai explodir!"
Primeiro beijo:
"Da onde surgiu esta língua?"
Primeira decepção amorosa:
"Vou morrer...!"
Primeira transa:
"Pronto! Foi! Agora é entender como se aproveita."
Primeiro orgasmo:
"Aiiiiiii...é assssssiiimmmmm..."
Primeiro carro:
"Se apagar no sinal. Saio do carro e finjo que não é comigo. Depois mando o guincho."
Primeira viagem com o namorado:
"Droga! Agora todo mundo vai saber que eu dou!"
Primeiro emprego:
"Consegui!"
Primeiro salário:
"Shopping!"
Primeiro casamento:
"Até que a morte os separe!"
Primeiro filho:
"Doutor, eu quero parto normal."
Primeiro parto:
"Doutor, faça alguma coisa! Aiiii... Eu não lembro do nome! Aiiiii...algo com César! Aiiii... Faz logo! (mais gritos)."
Primeiro choro:
"Fraldas. OK. Mamada. OK. Está quentinho? OK. Por que chora então? (choro conjunto)."
Primeiro Dia das Mães na escola:
"Este é o porta-lápis mais lindo da minha vida! Obrigada! (lágrimas)."
Primeiro divórcio:
"Enfim, só! (sorrisos nervosos)."
sábado, 20 de julho de 2013
sexta-feira, 19 de julho de 2013
CÚMPLICES
Tudo parecia normal.
Sorrisos,
Conversas casuais.
Nada era percebido,
A não ser pelos olhos.
Faíscas escapavam
Entre uma piscada e outra.
O fogo queimava
Deliberadamente
Sem que ninguém visse.
Tinham um segredo,
Eram cúmplices...
quinta-feira, 18 de julho de 2013
PERSONALIDADE
É para não fazer?
Faço.
É para não querer?
Quero.
É para não poder?
Posso.
Do contra?
Sempre!
E até as últimas consequências.
Incorrigível.
quarta-feira, 17 de julho de 2013
TRÁGICO
Olhou o sinal:
"Vermelho."
Distraiu-se com os passantes,
Cruzando a rua rapidamente.
"Atitude típica das grandes cidades...
Pressa, sempre..."
Sinal?
Vermelho.
Relaxava ouvindo a música.
O tempo não passava.
Estava atrasada já.
Com certeza!
Vermelho, vermelho!
"Inferno! Isso não muda? Emperrou!"
Tentou cantar a melodia.
Não conhecia a letra,
Mas improvisava.
Era boa nisto, improvisos.
Lembrou dele.
Dos beijos,
Do calor,
Da despedida,
Da porta se fechando...
A lágrima refletiu a luz verde do farol.
Seguiu em frente.
Era o melhor que tinha a fazer.
Não sentiu a colisão.
Morreu antes da ambulância chegar.
"Vermelho."
Distraiu-se com os passantes,
Cruzando a rua rapidamente.
"Atitude típica das grandes cidades...
Pressa, sempre..."
Sinal?
Vermelho.
Relaxava ouvindo a música.
O tempo não passava.
Estava atrasada já.
Com certeza!
Vermelho, vermelho!
"Inferno! Isso não muda? Emperrou!"
Tentou cantar a melodia.
Não conhecia a letra,
Mas improvisava.
Era boa nisto, improvisos.
Lembrou dele.
Dos beijos,
Do calor,
Da despedida,
Da porta se fechando...
A lágrima refletiu a luz verde do farol.
Seguiu em frente.
Era o melhor que tinha a fazer.
Não sentiu a colisão.
Morreu antes da ambulância chegar.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
DIREITOS
Deixei ir.
Não me importo mais.
Afinal se ficasse
Nunca seria igual.
Guardarei para sempre
Os perfumes, as sensações, os sabores,
Os sorrisos, as trocas, os murmúrios...
Recheados de nós.
Isso sim me pertence
E não abro mão!
Sou muito ciente dos meus direitos!
Nem pense em me contestar!
Não me importo mais.
Afinal se ficasse
Nunca seria igual.
Guardarei para sempre
Os perfumes, as sensações, os sabores,
Os sorrisos, as trocas, os murmúrios...
Recheados de nós.
Isso sim me pertence
E não abro mão!
Sou muito ciente dos meus direitos!
Nem pense em me contestar!
domingo, 14 de julho de 2013
CONFUSÃO
Hoy yo quiero volar
Like a dreamer
Je veux fermer mes yeux
Je t'écoute
Beside me.
Me voy a bejarte todo!
Esperame...
Wait...
Attends-moi...
Aguarda...
sexta-feira, 12 de julho de 2013
MEUS AMORES!
HOJE É UM DIA ESPECIAL
MINHAS MENINAS FAZEM 17 ANOS!
VALÉRIA
ISABEL
PARABÉNS GURIAS!
CONTINUEM SENDO ESSAS MENINAS MARAVILHOSAS, INTELIGENTES, AMOROSAS, DEDICADAS, ESTUDIOSAS, DELICADAS, BLOGUEIRAS, ATENCIOSAS, AMIGAS, DOCES QUE VOCÊS SEMPRE FORAM!
VOCÊS SABEM QUE MORAM NO MEU CORAÇÃO
BEIJOS!
MÃE
quarta-feira, 10 de julho de 2013
ASSOMBRAÇÃO
Sou inteira.
Gosto do todo.
Metades, frações, partes...
Desprezo-as!
Como boa egocêntica,
Estou no centro.
Meu campo gravitacional
É intenso.
Atraio o que eu quero
E o que não me interessa,
Explodo.
Levo meus atos ao extremo,
Sou de bordas...
Fios de navalhas,
Despenhadeiros,
Muito me interessam.
Viro cabeças para meus alvos.
Cuidadosamente iluminados
Por holofotes.
Condenso e evaporo
Na velocidade da minha luz interior.
Ninguém conhece minha verdadeira face.
Posso estar agora, aí, ao teu lado.
Cuidado...
Gosto do todo.
Metades, frações, partes...
Desprezo-as!
Como boa egocêntica,
Estou no centro.
Meu campo gravitacional
É intenso.
Atraio o que eu quero
E o que não me interessa,
Explodo.
Levo meus atos ao extremo,
Sou de bordas...
Fios de navalhas,
Despenhadeiros,
Muito me interessam.
Viro cabeças para meus alvos.
Cuidadosamente iluminados
Por holofotes.
Condenso e evaporo
Na velocidade da minha luz interior.
Ninguém conhece minha verdadeira face.
Posso estar agora, aí, ao teu lado.
Cuidado...
terça-feira, 9 de julho de 2013
DESCARTÁVEL
Em um túnel de espadas,
Colorida de dourado
Dançou ao rei sol.
Em meio a reverências,
Apresentou-se de ímpeto
Aos olhos esbugalhados de inveja.
Era a preferida,
Sabia disso e se regozijava.
Ninguém a poderia atingir, ria.
Desenvolvia-se com desembaraço.
Graciosa, girava o corpo hipnotizando
Quem se atrevia a olhar.
Achava-se plena,
Superior aos demais.
Decepcionou-se quando percebeu
As primeiras chamas.
Queimou, diante de todos,
Ao pimeiro toque de posse do amado
Consumiu-se sem cessar
Até que cinzas virasse.
Foi soprada ao vento e descartada
No mesmo instante que outra bailarina
Adentrava, sob sonoros aplausos,
No luminoso túnel de espadas.
Colorida de dourado
Dançou ao rei sol.
Em meio a reverências,
Apresentou-se de ímpeto
Aos olhos esbugalhados de inveja.
Era a preferida,
Sabia disso e se regozijava.
Ninguém a poderia atingir, ria.
Desenvolvia-se com desembaraço.
Graciosa, girava o corpo hipnotizando
Quem se atrevia a olhar.
Achava-se plena,
Superior aos demais.
Decepcionou-se quando percebeu
As primeiras chamas.
Queimou, diante de todos,
Ao pimeiro toque de posse do amado
Consumiu-se sem cessar
Até que cinzas virasse.
Foi soprada ao vento e descartada
No mesmo instante que outra bailarina
Adentrava, sob sonoros aplausos,
No luminoso túnel de espadas.
domingo, 7 de julho de 2013
ALICE?
Saía cedo de casa, sempre no mesmo horário, mas mesmo assim acabava
por se atrasar. Um dia era o trânsito, o outro, um acidente, o
outro, uma lembrança doce que merecia ser de-gus-ta-da... Naquela
segunda, apesar de tudo, as coisas não pareciam diferentes. Com o
mesmo ar de normalidade cotidiana acordou às seis, bebeu o fraco
café com dois biscoitos (manter o regime era fundamental), vestiu-se
de forma inapropriada para o clima (não conseguia acertar nunca!) e
saiu para o trabalho.
No carro, ligou o rádio. “Hummm, AQUELA música...”. Cantava
melancolicamente a trilha sonora do seu pior momento. “Que final de
semana...” pensou. Conseguiu trancar a lágrima que já se
insinuava pensando no lugar mais comum dos pensamentos: o tempo! Em
uma rápida análise do entorno ficou apreensiva, “O tempo já está
se armando. É chuva na certa...Droga! Meus sapatos de camurça novos
vão estragar! E eu nem paguei a primeira parcela...” Enfim, o que
não tem remédio, remediado está, já dizia sua vó. Concentrou-se
no trânsito.
Foi passando pela praia que avistou a primeira luz. Vinha forte, lá
das bandas do mar. “Um espelho refletindo talvez”. Seguiu pela
avenida que contornava a orla. Nova luminosidade fez-se notar, agora
vinda de três direções, do mar, da areia e do céu. Pareciam
canhões de luz, desses que se usam nas festas de final de ano. Três
feixes brancos e intensos que venciam a luminosidade do dia nublado
brincavam no ar e diante de seus olhos. Estacionou.
Saiu não acreditando que havia parado por aquela bobagem! Iria se
atrasar feio e seu chefe iria ficar louco! “Dane-se o chefe!”,
riu com a insolência. Descalçou os sapatos e os guardou no carro.
“Pelo menos não iriam estragar...” Pisou firme na areia grossa.
As luzes pareciam que se cruzavam em um ponto determinado bem na
beira. Foi com cautela que se dirigiu para lá surpresa de que
ninguém mais havia percebido este movimento monocromático. Bingo!
Todos os clarões uniam-se em um mesmo ponto. “Vinham de onde?”
Parecia que esta pergunta era boba, sabia que deveria se concentrar
no ponto de intersecção reluzente no solo. Sentou-se bem no meio e
olhou o horizonte. Não sentia medo, sentia paz. A areia era mole e,
em poucos instantes, foi tragada totalmente pela terra.
Caía rápido, escorregando por paredes que nunca imaginara que
pudessem existir. Sempre gostara da história de Lewis Carroll, mas
isso já estava ridículo. Olhos a acompanhavam por todo percurso
podia os perceber como pontos de luz no breu. “Seriam eles os
responsáveis pelas luzes dançantes lá de cima?” Aterrissou de
forma leve em um suntuoso ambiente. “Agora só faltava o coelho
gritando : - É tarde, é muito tarde!”.
Olhou em volta. Espelhos por todos os lados fechavam o espaço
arrendondado. Tochas serviam de iluminação. O ar, irrespirável, a
ofertava com uma sensação claustrofóbica. Ficou em silêncio
tentando não se agitar para continuar respirando. Eles estavam lá.
Os olhos que a acompanharam na descida estavam espalhados por toda
volta. Todos não a perdiam de vista. “O que queriam? Quem eram?”
Não sabia o porquê mas sabia que não deveria perguntar. Sem
respostas permaneceu muda.
Uma música soou suave, doce. “Aquela música de novo?!
Impossível!”. Diante de tal quadro esboçou um sorriso débil “O
que seria mais impossível do que aquela situação?”. Ouviu a
melodia e deixou-se levar. Dançou. Dançou intensamente.
Seus
braços começaram a ganhar vida levados pelas mãos. Ondas sinuosas
estremeciam o tronco que não pensava em interromper a energia que
circulava entre as duas extremidades. Com movimentos compassados,
exigiu que as pernas a acompanhassem e começou a se desprender do
solo acabando, finalmente, por ganhar o ar. Com a convicção que
nada a impediria, lançou-se em todas as direções apenas usando os
sons como escadas. Subiu pelos acordes, rolou pelas notas, deslizou
nas pautas. Alcançou as tochas com seus cabelos soltos, livres.
Escalou as paredes úmidas, levitando ora aqui, ora ali. O ritmo
frenético que se impunha pelos sons fez com que a roupa colasse ao
seu corpo acentuando-lhe os contornos suaves e cada vez mais
translúcidos. Desapareceu no meio instante em que os olhos piscavam.
Acordou
atordoada na areia, pálida e com a certeza que não deveria ter
aumentado a dose do antidepressivo sem ordem médica. Afinal tudo um
dia acaba. Acabou. Deveria seguir sua vida em carreira solo. Ele
tinha sido bem claro, “Nunca mais me procure...”. Agora não
adianta surtar. A vida segue e “la nave va”...
Respirou
fundo, levantou-se, sacudiu a areia da roupa e preparou-se para o
sermão que ainda teria que ouvir no trabalho. Foi até o carro e no
instante em que calçava os sapatos, a chuva começou intensa. “É
Alice, tudo ainda pode piorar...”. Seguiu pensando em uma boa
desculpa.
Os
olhos continuavam a observando, mas decidiu não mais ligar para
isso.
(Uma crônica para variar. Espero que tenham gostado. Beijos Gisa!)
sábado, 6 de julho de 2013
DESENHO
Na minha rua de papel
Deixo pegadas coloridas
De lápis de cera.
Desenho percursos
Ora lineares,
Ora sinuosos
Que levam a todos os lugares,
Sem chegar a nenhum.
Flores de hidrocor
Brotam nas bordas do passeio.
Sóis e estrelas compartilham,
Com a lua em festa,
os pasteis do céu irreal.
Pássaros de origami,
Meticulosamente colados
Aqui e ali,
Entoam seus cantos
Para que as luzes do imaginário
Façam seu bailado descuidado.
É,
Tudo é belo
Enquanto o aguaceiro não cai
Manchando os contornos.
Aproveitemos enquanto é tempo.
Deixo pegadas coloridas
De lápis de cera.
Desenho percursos
Ora lineares,
Ora sinuosos
Que levam a todos os lugares,
Sem chegar a nenhum.
Flores de hidrocor
Brotam nas bordas do passeio.
Sóis e estrelas compartilham,
Com a lua em festa,
os pasteis do céu irreal.
Pássaros de origami,
Meticulosamente colados
Aqui e ali,
Entoam seus cantos
Para que as luzes do imaginário
Façam seu bailado descuidado.
É,
Tudo é belo
Enquanto o aguaceiro não cai
Manchando os contornos.
Aproveitemos enquanto é tempo.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
ALÍVIO
O que não posso falar, penso.
Em ondas frenéticas, meu cérebro
Tenta desvendar os caminhos.
As idas e vindas estão em absurda confusão.
Não sei por onde começo,
Tampouco se devo encerrar.
O sol irá se erguer em minutos
E ainda não sei qual é a máscara mais apropriada
Para enfrentar o dia.
Quero chorar, mas as lágrimas não se importam mais comigo.
Quero morrer, mas a morte desistiu de mim há muito.
Quero fugir, mas não tenho mais forças.
Deito em silêncio e aguardo o nada me consumir devagar
Irei embora sem nunca ter chegado.
Tudo seguirá o infernal cotidiano
Que finalmente se cansou da minha figura.
Alívio.
Alívio.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
SIMPLES ASSIM
Fui feita para voar. Não me encaixo bem em possessivos, tampouco quero alguém de minha propriedade. A vida é uma, até que me provem o contrário. Vivo todos os dias o mais intenso que posso. Sei que cada minuto passado é passado. Sou feliz, sou infeliz, sou indiferente, mas sou. Egoísmo às vezes faz bem. Mando no meu mundo. Não devo satisfações a ninguém. Não exijo explicações de ninguém. Gostem de mim, ou não, sigo meu caminho de voltas e danças, de saltos e quedas. Sigo, simplesmente sigo.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
IGUAL
Mais uma vez:
Engano.
As mesmas dúvidas de sempre:
Onde foi que eu errei agora?!
Desenlace conhecido:
Afastamento.
Sentimento usual:
Frustação.
Gosto:
Amargo
Moral da história:
Mais uma lição.
Pergunta que não cala:
Um dia irei aprender?
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