Como um pião
Girou forte
Repelindo tudo
Que ameaçava
Interpor-se ao seu caminho.
Estava maravilhada
Com a força
Que lhe brotava de dentro
E interferia ativamente no meio.
Ela podia, se quisesse,
Ela podia!
Finalmente conseguiu
Aceitar o seu poder
Com um sorriso de alívio!
segunda-feira, 17 de junho de 2013
sábado, 15 de junho de 2013
FUGA
Cansada.
A porta da rua entreaberta
Convida à fuga.
Fugir?
Não, não é suficiente.
Quero desaparecer
Sem deixar direção.
Talvez um dia percebam
Minha ausência...
Ou talvez não...
A porta da rua entreaberta
Convida à fuga.
Fugir?
Não, não é suficiente.
Quero desaparecer
Sem deixar direção.
Talvez um dia percebam
Minha ausência...
Ou talvez não...
sexta-feira, 14 de junho de 2013
TRISTE
Dentro da lágrima
Escorreu pelo rosto.
Contornou todo delicado percurso
Com a firme ideia de que
Aquele era o encerramento.
Acarinhou os lábios receptivos
Entrando, sem pressa, na boca.
Com o sabor salgado,
Dissolveu-se na língua
Acreditando que, um dia,
Poderia recomeçar.
Escorreu pelo rosto.
Contornou todo delicado percurso
Com a firme ideia de que
Aquele era o encerramento.
Acarinhou os lábios receptivos
Entrando, sem pressa, na boca.
Com o sabor salgado,
Dissolveu-se na língua
Acreditando que, um dia,
Poderia recomeçar.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
AMOR
No amor acordou.
Foi um despertar doce.
Cores, por todos os lados,
Brincavam de cabra-cega.
Acordes atrevidos insinuavam-se
Pelos finos voales
Presos ao teto abobadado.
As luzes piscavam
Sem aparentar qualquer cansaço.
Tudo era bom.
Tudo era belo.
Tudo era perfeito.
Até a próxima solidão.
Foi um despertar doce.
Cores, por todos os lados,
Brincavam de cabra-cega.
Acordes atrevidos insinuavam-se
Pelos finos voales
Presos ao teto abobadado.
As luzes piscavam
Sem aparentar qualquer cansaço.
Tudo era bom.
Tudo era belo.
Tudo era perfeito.
Até a próxima solidão.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
EMBATE
Na beira do precipício
Olho meus pés.
Meus dedos
Agridem a paisagem
Com superioridade
E a desdenham
Repletos de empáfia.
A paisagem os atrai
Com promessas de envolvimento
Certa do seu poder de persuasão.
Meu corpo gélido,
Prende o ar excessivo dos ansiosos
E aguarda,
Sem muitas conclusões,
O desfecho
De tal embate.
Olho meus pés.
Meus dedos
Agridem a paisagem
Com superioridade
E a desdenham
Repletos de empáfia.
A paisagem os atrai
Com promessas de envolvimento
Certa do seu poder de persuasão.
Meu corpo gélido,
Prende o ar excessivo dos ansiosos
E aguarda,
Sem muitas conclusões,
O desfecho
De tal embate.
sábado, 8 de junho de 2013
HOMEM SÉRIO
Homem sério.
Problema.
Minha boca se cala.
Meus olhos se fecham.
Minhas mãos paralisam.
Tento esquecer.
Meu corpo não compreende.
Por que não pode
Incendiar,
Enlouquecer?
Rebela-se.
Sinto!
Respeito idéias
Mas não controlo impulsos.
quinta-feira, 6 de junho de 2013
ATÔNITA
Feita em magma
Voou aos ares.
Precipitou-se ao solo,
Chuva vermelha e pulsante,
Desfazendo em cinza
O que era verde.
Tinha consciência
Da morte que carregava,
Mas nunca havia imaginado o seu destino.
Como rocha fixou-se no caminho.
Foi com tristeza que assistiu
O mundo a seu entorno
Recuperar as cores
E fazer que nunca
Percecera a sua passagem.
Voou aos ares.
Precipitou-se ao solo,
Chuva vermelha e pulsante,
Desfazendo em cinza
O que era verde.
Tinha consciência
Da morte que carregava,
Mas nunca havia imaginado o seu destino.
Como rocha fixou-se no caminho.
Foi com tristeza que assistiu
O mundo a seu entorno
Recuperar as cores
E fazer que nunca
Percecera a sua passagem.
terça-feira, 4 de junho de 2013
CIFRADA
Escrevo,
Apago,
Escrevo,
Apago,
Escrevo,
Apago.
Não adianta
Ficarem curiosos!
Existem coisas
Que não podem
Ser entregues assim,
Facilmente.
Concentrem-se.
Leiam as entrelinhas.
Sintam as energias,
Desvendem os duplos sentidos.
Isto!
Desnundem minha escrita
E minha alma lhes pertencerá
Vamos,
Tentem.
Pode até valer a pena...
domingo, 2 de junho de 2013
AZUIS
Do abismo azul,
Fez-se turquesa.
Emitia brilhos
Ora cianos,
Ora celúrios.
Cabelos de azul-marinho
Profundo,
Acalmavam as ondas
Propiciando uma doce navegação.
Os olhos celestes
Alcançavam o horizonte
Tragando a pequena nau
Ao seu destino anil.
Safiras iluminavam
A noite lazúli.
A luz cobalto
Conquistara-lhe definitivamente.
Ia sem medo.
Ia sem volta.
Ia sem fim...
Fez-se turquesa.
Emitia brilhos
Ora cianos,
Ora celúrios.
Cabelos de azul-marinho
Profundo,
Acalmavam as ondas
Propiciando uma doce navegação.
Os olhos celestes
Alcançavam o horizonte
Tragando a pequena nau
Ao seu destino anil.
Safiras iluminavam
A noite lazúli.
A luz cobalto
Conquistara-lhe definitivamente.
Ia sem medo.
Ia sem volta.
Ia sem fim...
sexta-feira, 31 de maio de 2013
TRAJETÓRIA
A conversa que não leva a lugar nenhum
Possui o encanto dos múltiplos lugares que proporciona.
Possui o encanto dos múltiplos lugares que proporciona.
quarta-feira, 29 de maio de 2013
COITADA!
Visto minha roupa de festa
E entro na fila.
Quero ingresso
Só de ida
Para dar uma volta na roda-gigante
Da tua íris.
Envolta no completo azul
Dos teus olhos
estarei no céu.
Acabar o passeio?
Dar vez a outra?
Nem pensar!
Sou insistente.
Dali não sairei.
Manda todas embora.
Escuta aqui:
"Vou entrar
Por tuas pupilas
Na próxima piscada."
Não entendeste?
Ah! Não é possível?
Tudo bem.
Segue acreditando nisso.
Assim romperei as barreiras
Com mais facilidade.
Segue pensando,
"Louca ela!"
"Coitada!"
...
E entro na fila.
Quero ingresso
Só de ida
Para dar uma volta na roda-gigante
Da tua íris.
Envolta no completo azul
Dos teus olhos
estarei no céu.
Acabar o passeio?
Dar vez a outra?
Nem pensar!
Sou insistente.
Dali não sairei.
Manda todas embora.
Escuta aqui:
"Vou entrar
Por tuas pupilas
Na próxima piscada."
Não entendeste?
Ah! Não é possível?
Tudo bem.
Segue acreditando nisso.
Assim romperei as barreiras
Com mais facilidade.
Segue pensando,
"Louca ela!"
"Coitada!"
...
segunda-feira, 27 de maio de 2013
FELICIDADE
Fechou as janelas e portas.
Olhou para dentro.
Iniciou, com um suspiro de resignação,
A tarefa.
Seria a última, tinha certeza.
Vasculhou cada canto
Do seu, desorganizado, consciente.
Nada.
Novo suspiro e resignação.
Desmontou as telas de proteção do inconsciente
E entrou assustada.
Tudo era estranhamente imaginável.
As roupagens tentavam confundir,
Mas, no fundo, reconhecia
Cada manifestação sombria ou luminosa,
Turva ou clara que a enfrentava desafiadoramente
Todos os dias.
"Eu às avessas..." - pensou - "Divertido".
Continuou com esforço o processo.
Nada poderia lhe escapar, ou enganar.
Não. Ali também não estava.
Sorriu aliviada.
Retornou ao pricípio
Abrindo, com ímpeto, tudo que havia cerrado.
"Estou nova!" - gritou - "Vamos ao recomeço!"
Saiu cantando e dançando
Sem perceber o rombo que sangrava no peito.
Todos viram e calaram.
Em algum momento perceberia o ferimento.
Ninguém ousaria perturbar
Naquele momento
Tamanha felicidade.
Olhou para dentro.
Iniciou, com um suspiro de resignação,
A tarefa.
Seria a última, tinha certeza.
Vasculhou cada canto
Do seu, desorganizado, consciente.
Nada.
Novo suspiro e resignação.
Desmontou as telas de proteção do inconsciente
E entrou assustada.
Tudo era estranhamente imaginável.
As roupagens tentavam confundir,
Mas, no fundo, reconhecia
Cada manifestação sombria ou luminosa,
Turva ou clara que a enfrentava desafiadoramente
Todos os dias.
"Eu às avessas..." - pensou - "Divertido".
Continuou com esforço o processo.
Nada poderia lhe escapar, ou enganar.
Não. Ali também não estava.
Sorriu aliviada.
Retornou ao pricípio
Abrindo, com ímpeto, tudo que havia cerrado.
"Estou nova!" - gritou - "Vamos ao recomeço!"
Saiu cantando e dançando
Sem perceber o rombo que sangrava no peito.
Todos viram e calaram.
Em algum momento perceberia o ferimento.
Ninguém ousaria perturbar
Naquele momento
Tamanha felicidade.
quinta-feira, 23 de maio de 2013
VALSINHA
Atrás da persiana
Os olhos dispersos
Parecem que dançam
A valsa do adeus.
Recorrem e correm
Ao longo caminho
Daqueles que buscam
Os meus e os teus.
Um dia se cansam,
Esperar mais não podem,
Liberam os prantos
Há tanto, ateus.
Esvaem-se em água
Dissolvem o entorno
Desfazem o rosto
Em todos os eus.
Os olhos dispersos
Parecem que dançam
A valsa do adeus.
Recorrem e correm
Ao longo caminho
Daqueles que buscam
Os meus e os teus.
Um dia se cansam,
Esperar mais não podem,
Liberam os prantos
Há tanto, ateus.
Esvaem-se em água
Dissolvem o entorno
Desfazem o rosto
Em todos os eus.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
COMETA
Entre guizos e fitas
Serpenteava o esguio corpo
Ao som dos acordes pessoais
Que escapavam pelos olhos
Da hipnotizada plateia.
Reunia uma a uma
Das pautas dispersas pelo ambiente
E as aprisionava em feixe
Na clave de sol que ostentava
Entre os rijos seios.
Escalou os primeiros degraus
Feitos de ar.
Todos se levantaram.
Avançou mais alguns.
Percebeu que conseguia erguê-los do solo.
Olhou em frente
E assumiu o comando do sonho.
Correu no meio das estrelas
Arrastando, atrás de si
A mais inusitada cauda de cometa
Constatada por astrônomos
Até hoje...
Serpenteava o esguio corpo
Ao som dos acordes pessoais
Que escapavam pelos olhos
Da hipnotizada plateia.
Reunia uma a uma
Das pautas dispersas pelo ambiente
E as aprisionava em feixe
Na clave de sol que ostentava
Entre os rijos seios.
Escalou os primeiros degraus
Feitos de ar.
Todos se levantaram.
Avançou mais alguns.
Percebeu que conseguia erguê-los do solo.
Olhou em frente
E assumiu o comando do sonho.
Correu no meio das estrelas
Arrastando, atrás de si
A mais inusitada cauda de cometa
Constatada por astrônomos
Até hoje...
quinta-feira, 16 de maio de 2013
CONFUSÃO
De origem no futuro
Caminhava ferozmente para o antes.
Buscava o porquê das coisas atuais
Que insistiam em se repetir
Todas as eras.
Caminhava ferozmente para o antes.
Buscava o porquê das coisas atuais
Que insistiam em se repetir
Todas as eras.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
CORDA
Constrangedora situação do limiar de dois mundos.
Um clama por racionalidade.
Outro, por devaneio.
Vou, ora aqui,
Ora acolá
No mais retilínio possível.
Um dia perco a atenção
E caio.
Seja do lado que for,
Morro.
Não cnsigo respirar densidades.
Preciso do frescor da corda bamba.
Um clama por racionalidade.
Outro, por devaneio.
Vou, ora aqui,
Ora acolá
No mais retilínio possível.
Um dia perco a atenção
E caio.
Seja do lado que for,
Morro.
Não cnsigo respirar densidades.
Preciso do frescor da corda bamba.
domingo, 12 de maio de 2013
PARABÉNS!
A MELHOR COISA QUE ME ACONTECEU
FOI SER MÃE.
FELIZ DIA DAS MÃES PARA TODAS NÓS!
Beijos
GISA
sexta-feira, 10 de maio de 2013
RESPEITOS
Respeito teus silêncios
Respeito teus problemas
Respeito tuas dúvidas e tuas certezas.
Só uma coisa não respeito:
O teu direito de te furtares a mim.
Respeito teus problemas
Respeito tuas dúvidas e tuas certezas.
Só uma coisa não respeito:
O teu direito de te furtares a mim.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
EXPECTATIVA
Envergou sua roupa de festa,
Feita de pele macia e perfumada
Adornada com seios maçãs e coxas roliças.
Alguns pelos, o suficiente, no lugar certo,
Dão um encanto a mais
Destacando um ventre delgado.
A tiara, de cabelos negros e soltos
Que descem sobre os ombros,
Une-se ao movimento dos quadris
E da redonda e firme bunda.
Confere o resultado no espelho de cristal.
Gosta e tem certeza de que ele irá gostar.
Mal pode esperar o momento do baile.
Feita de pele macia e perfumada
Adornada com seios maçãs e coxas roliças.
Alguns pelos, o suficiente, no lugar certo,
Dão um encanto a mais
Destacando um ventre delgado.
A tiara, de cabelos negros e soltos
Que descem sobre os ombros,
Une-se ao movimento dos quadris
E da redonda e firme bunda.
Confere o resultado no espelho de cristal.
Gosta e tem certeza de que ele irá gostar.
Mal pode esperar o momento do baile.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
REINVENÇÃO
Reinventei tua imagem
Por necessidade própria.
A anterior já não mais me servia.
Rota, esfarrapada
Manchada de passados longínquos,
Pingados de lágrimas.
Impecavelmente novo,
Retornaste em ardor e paixão,
Como sempre deveria ter sido,
E, se depender de mim,
Como, para sempre,
Serás.
Por necessidade própria.
A anterior já não mais me servia.
Rota, esfarrapada
Manchada de passados longínquos,
Pingados de lágrimas.
Impecavelmente novo,
Retornaste em ardor e paixão,
Como sempre deveria ter sido,
E, se depender de mim,
Como, para sempre,
Serás.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
PRESENTE
Pintada de céu,
Colhia estrelas
Formando um cintilante ramalhete.
Pintada de terra
Colhia pingos de chuva
Formando fitas dançantes fluidas.
Pintada de ar
Colhia ventos
Formando vestidos esvoaçantes.
Pintada de mar
Colhia ondas
Formando lindos penteados de espuma.
Pintada de fogo
Colhia faíscas
Formando ímãs ao redor de seu corpo.
Pintada de sonho,
Vestiu-se esvoaçante,
Penteou-se com espumas,
Enfeitou-se de fitas,
Atraíu-o como ímã,
Ofereceu-lhe estrelas.
Ele, para todo sempre encantado,
Aceitou.
Colhia estrelas
Formando um cintilante ramalhete.
Pintada de terra
Colhia pingos de chuva
Formando fitas dançantes fluidas.
Pintada de ar
Colhia ventos
Formando vestidos esvoaçantes.
Pintada de mar
Colhia ondas
Formando lindos penteados de espuma.
Pintada de fogo
Colhia faíscas
Formando ímãs ao redor de seu corpo.
Pintada de sonho,
Vestiu-se esvoaçante,
Penteou-se com espumas,
Enfeitou-se de fitas,
Atraíu-o como ímã,
Ofereceu-lhe estrelas.
Ele, para todo sempre encantado,
Aceitou.
quarta-feira, 1 de maio de 2013
domingo, 28 de abril de 2013
CENAS
Diante da imaginária linha divisória
Deixou-se ficar.
Verificou que
Quadro a quadro
Do filme finito
Soube estancar
No seu momento certo.
Tudo adquiriu perspectiva
E a distância cresceu.
Lá na frente
Nada mais se avistava
Do que tinha permanecido atrás.
Lá de trás
Não se desconfiava
O que haveria na frente.
O abismo fez-se,
O esquecimento veio
E o cotidiano enterrou.
Deu de ombros
E congelou
Mais uma cena.
Deixou-se ficar.
Verificou que
Quadro a quadro
Do filme finito
Soube estancar
No seu momento certo.
Tudo adquiriu perspectiva
E a distância cresceu.
Lá na frente
Nada mais se avistava
Do que tinha permanecido atrás.
Lá de trás
Não se desconfiava
O que haveria na frente.
O abismo fez-se,
O esquecimento veio
E o cotidiano enterrou.
Deu de ombros
E congelou
Mais uma cena.
quinta-feira, 25 de abril de 2013
LENDA
Saltou através do arco de fogo
E de felino,
Fez-se mulher.
Olhos gateados,
Cabelos vermelhos,
Tez morena.
Andava sinuosa pela estepe
Confundindo o desejo
Dos seus predadores naturais.
Exalava aromas místicos
Provenientes da transmutação recente.
Com o calor do seu corpo,
Desabrochava as poucas flores
Que resistiam a sua presença
Mais bela.
Convidada pelo vento,
Foi voar perto do sol
E por lá resolveu ficar.
Dizem que se enamoraram ternamente.
Todos os amanheceres
Se despedem
Com um beijo
E após o entardecer...
Bem, após o entardecer,
Ouvem-se doces murmúrios de amor.
E de felino,
Fez-se mulher.
Olhos gateados,
Cabelos vermelhos,
Tez morena.
Andava sinuosa pela estepe
Confundindo o desejo
Dos seus predadores naturais.
Exalava aromas místicos
Provenientes da transmutação recente.
Com o calor do seu corpo,
Desabrochava as poucas flores
Que resistiam a sua presença
Mais bela.
Convidada pelo vento,
Foi voar perto do sol
E por lá resolveu ficar.
Dizem que se enamoraram ternamente.
Todos os amanheceres
Se despedem
Com um beijo
E após o entardecer...
Bem, após o entardecer,
Ouvem-se doces murmúrios de amor.
terça-feira, 23 de abril de 2013
REFLEXÃO
Tinha a capacidade de moldar.
Esculpia situações, rostos, sentimentos.
Nunca ninguém sabia ao certo
Em que poderia acreditar.
Dissimulação era sua arte e, assim,
Deslumbrava a todos.
Cansou-se da superficialidade
Do se cotidiano pirotécnico.
Fechou as janelas.
Aposentou os formões.
Recolheu-se ao fundo dos seus sonhos,
Buscando o algo a mais
Que nunca encontrara.
Adormeceu de olhos abertos,
Aguardando algum desfecho.
Petrificou em suas próprias brumas
Desfazendo-se no pó.
Da ilusão que sempre foi.
domingo, 21 de abril de 2013
VALE
Não tardo.
Já chego.
Me aguarda.
Estou vindo.
Não sentes?
Sim, eu sei.
Vejo o arrepio.
O sorriso.
O suspiro.
Quase chegando.
Controla a ansiedade.
Vou fazer valer a pena
Toda a espera.
Relaxa
E aproveita.
Já chego.
Me aguarda.
Estou vindo.
Não sentes?
Sim, eu sei.
Vejo o arrepio.
O sorriso.
O suspiro.
Quase chegando.
Controla a ansiedade.
Vou fazer valer a pena
Toda a espera.
Relaxa
E aproveita.
quinta-feira, 18 de abril de 2013
ROCA
Os dedos de cristal não se feriam na roca.
Fiava e desafiava a todos com sua habilidade manual
Fiava e desafiava a todos com sua habilidade manual
De tecer os próprios cabelos.
Cachos dourados encantavam a sala
Ao se acumularem no chão frio.
O barulho contínuo e compassado
Do pedal
Do pedal
Soava como música para ele.
Aproximou-se primeiro pelo som,
Foi envolvido pelo perfume,
Entregou-se à imagem,
Sucumbiu ao conjunto.
Emaranhado nas suas percepções,
Deixou-se levar, sem lutas,
Ao fuso.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
SEGREDO
Minha linha é finita.
A extremidade inicial surge do nada.
Rente ao chão.
E a final, no nada termina.
Rente ao céu.
Nunca soube o seu comprimento.
Experimento a cada passo
Para frente ou para trás,
Conforme os ventos
Do concreto e do imaginário
Me conduzem.
Equilibro-me como posso.
Ora agarrando-me às paisagens,
Ora, aos sonhos.
Minha linha é finita,
Eu sei,
Todos sabem.
Mas há algo do desconhecimento geral
Inclusive do meu.
Assim, não espalhe!
Venha cá,
Bem pertinho
Vou te contar uma vez só,
Preste atenção!
Sou ...
IN-FI-NI-TA!
A extremidade inicial surge do nada.
Rente ao chão.
E a final, no nada termina.
Rente ao céu.
Nunca soube o seu comprimento.
Experimento a cada passo
Para frente ou para trás,
Conforme os ventos
Do concreto e do imaginário
Me conduzem.
Equilibro-me como posso.
Ora agarrando-me às paisagens,
Ora, aos sonhos.
Minha linha é finita,
Eu sei,
Todos sabem.
Mas há algo do desconhecimento geral
Inclusive do meu.
Assim, não espalhe!
Venha cá,
Bem pertinho
Vou te contar uma vez só,
Preste atenção!
Sou ...
IN-FI-NI-TA!
sexta-feira, 12 de abril de 2013
E LA NAVE VA
Com os dentes cerrados
Absorveu o choque.
A vida seguia livre
Sem se importar com sua
Mais definitiva decisão:
Desistir de viver.
terça-feira, 9 de abril de 2013
EXPECTATIVA
A quem interessar possa:
Sou amiga,
Companheira mesmo!
Sei ouvir, mas adoro falar.
Choro e dou gargalhadas
Sem qualquer tipo de constrangimento.
Gosto muito de gostar.
Gostar forte, com alma e tudo mais envolvido.
Imaginação tenho muitas!
Posso até fornecer algumas, ainda que preferidas.
Tenho calor e sangue nas veias.
Ardo com prazer.
Não sou boa em ter paciência.
A impulsividade me consome
E a falta de pensar antes de falar se torna meu lema.
Grito.
Danço.
Sonho.
Giro.
Flutuo.
E todos os demais verbos que expressem liberdade.
Agora, com a alma exposta, me recolho para aguardar.
Será que alguém irá se interessar?
domingo, 7 de abril de 2013
ANTINOMIA
Um dia foi
Não significa que será
Ou que, simplesmente, é.
A lógica da existência
Necessita do ser ou não ser
No seu show de luzes.
Sombras e clarões
Brincam sob, sobre, na frente e atrás
Das cortinas.
Assistirei.
Assisto.
Assisti.
Sigo sempre em frente.
Com ou sem trilha sonora.
Sigo de olhos fechados.
Não quero me apegar.
Não quero esperar.
Não quero encontrar ou abandonar.
Não quero,
Quero,
Não quero,
Quero.
Não
Quero.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
GUARDIÃ
Dormes.
Guardo teu sono.
Acalanto teus sonhos.
Conforto tua alma.
Aqueço teu corpo.
Sou fluída.
Ocupo todos os lugares
A teu entorno
Sem te importunar.
Hoje não permitirei que nada te atordoe.
Nada.
Dorme em paz.
Eu cuido...
Guardo teu sono.
Acalanto teus sonhos.
Conforto tua alma.
Aqueço teu corpo.
Sou fluída.
Ocupo todos os lugares
A teu entorno
Sem te importunar.
Hoje não permitirei que nada te atordoe.
Nada.
Dorme em paz.
Eu cuido...
terça-feira, 2 de abril de 2013
RASCUNHO
Fez um rascunho
E deu-lhe a vida
Com um sopro quente.
Desengonçado,
O feio desenho,
Levantou-se do papel
Dando os primeiros passos
Até à beira da mesa.
Suspirou aflito
Sem saber como proceder.
Mirou o precipício
Que surgia na ponta dos seus
Rotos sapatos de garatuja.
Em colossal salto,
Jogou-se no nada
Buscando, aflito,
A razão
De um dia ter sido.
E deu-lhe a vida
Com um sopro quente.
Desengonçado,
O feio desenho,
Levantou-se do papel
Dando os primeiros passos
Até à beira da mesa.
Suspirou aflito
Sem saber como proceder.
Mirou o precipício
Que surgia na ponta dos seus
Rotos sapatos de garatuja.
Em colossal salto,
Jogou-se no nada
Buscando, aflito,
A razão
De um dia ter sido.
domingo, 31 de março de 2013
MASOQUISMO
Tuas ordens ainda ecoam
Na parte mais escondida do meu cérebro.
Cheias de farpas,
Ferem ao simples toque.
Gosto da dor que causam.
Não consigo apagá-las,
Assim, tento isolá-las.
Quem sabe um dia cansam de me atordoar?
Tomara que não...
Na parte mais escondida do meu cérebro.
Cheias de farpas,
Ferem ao simples toque.
Gosto da dor que causam.
Não consigo apagá-las,
Assim, tento isolá-las.
Quem sabe um dia cansam de me atordoar?
Tomara que não...
quinta-feira, 28 de março de 2013
(IM)PURA
Iluminava-se.
Recebia, de bom grado,
O sol filtrado pelas
Luzes coloridas
Do grande vitral.
As tonalidades brincavam por seu corpo
Possibilitando belezas fugazes,
Quase celestiais.
Esperava o horário certo de ressurgir
E assumir a vida noturna da cidade.
Enquanto o tempo de descer não chegava,
Aguardava inserida no lindo adorno
Que ocupava a única janela
Do pequeno templo.
Orava, compungida,
Na última missa do dia.
Recebia, de bom grado,
O sol filtrado pelas
Luzes coloridas
Do grande vitral.
As tonalidades brincavam por seu corpo
Possibilitando belezas fugazes,
Quase celestiais.
Esperava o horário certo de ressurgir
E assumir a vida noturna da cidade.
Enquanto o tempo de descer não chegava,
Aguardava inserida no lindo adorno
Que ocupava a única janela
Do pequeno templo.
Orava, compungida,
Na última missa do dia.
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