terça-feira, 30 de dezembro de 2014

FELIZ 2015!

Queridos Amigos!
Esta é a minha família e todos desejamos
Um Feliz 2015 para todos nós!


Muitos beijos!
GISA

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

DUALIDADE

Preciso ir.
Sei o caminho de cor.
Já o percorri tantas vezes
No meu imaginário,
Que sou capaz de reconhecer
Seus contornos e nuances.
Quero ficar.
Apesar de tudo, apesar de todos.
Gosto do aconchego
E dos sons cotidianos...
Ademais, 
Lembranças pesam,
Como as poderia carregar?
Vou.
Fico.
Vou.
Fico.
Ou...

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

NATAL

ENTÃO É NATAL!

Queridos Amigos,
Desejo a todos um lindo Natal junto aqueles que lhes são caros!
Obrigada sempre pelo carinho e atenção a mim e ao blog!
Um grande beijo


GISA

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

EU

Eu sou um mistério para mim mesma.
De quando em vez, 
Pego-me em uma brecha de pensamento,
Ou em um arremedo de ação.
Surpreendo-me com minha habilidade
De falsear enigmas...

domingo, 14 de dezembro de 2014

FOGO?

Olha-me.
Isso! De um lado.
Agora do outro.
Olha com cuidado,
Não perde os detalhes.
Sim, os detalhes.
Concentra-te.
Estás vendo?
Vamos, sei que consegues.
Fixa e vem.
Percorre tudo.
Cada dobra do meu corpo,
Cada promessa de movimento.
Vês?
Sim, queimo.
Ardo do prazer
Dos teus olhos em mim.

sábado, 6 de dezembro de 2014

sábado, 29 de novembro de 2014

DESISTA!

Detesto caixinhas!
Compartimentos acondicionadores
De ideias me sufocam!
Etiquetas em cima então?
Nem pensar!
Horários, compassos, extensões...
Tudo que mede,
Odeio também!
Sou dos espaços livres.
Fujo pelas passagens secretas.
Materializo-me no vento.
Não sigo ordens, regras, rotinas...
Sou volátil.
Entenda de uma vez por todas!
Nunca pense em me delimitar!

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

FUGA

Em um cavalo alado,
Rompeu o sol.
Feito em chamas,
Singrou o céus
Pousando, incandescente,
Por entre os véus 
Do imaginário pessoal
Daquela que se julgava plena.
De imediato, rolaram as peças,
Que se pensavam sólidas.
Espaços se abriram
E a força atrativa dos eus,
Exigiu pressa.
Na rapidez do piscar
Deslizaram, diante de todos,
Para as alcoviteiras entrelinhas.
Consumiram-se em texto
Sem parágrafos,
Distantes da percepção
Do traiçoeiro
Ponto final.

domingo, 23 de novembro de 2014

DIA

Hoje, o dia
Espantou minhas nuvens.
Não há como contrariar
O brilho do sol
E o azul cintilante do céu.
Rendo-me ao sorriso.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

DOR

Farpas, arestas, cantos.
Desordem cortante
Grita o que o eco
Já era sabedor.
Dor.
Dor.
Dor.
...or.
...or.
...r.

sábado, 15 de novembro de 2014

TEMPO

Houve tempos que tuas culpas incomodavam
Não existem mais.
Os choros, foram-se.
A indiferença foi ganhando território,
Pouco a pouco.
Hoje, convivo contigo
Como se entre quatro cantoneiras estivéssemos,
Sorridentes e iniciantes,
No velho álbum de fotografia.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

ANÚNCIO

Procuro a falta.
Ausência dissimulada de dia a dia.
Vácuo atrativo encontrado em cada sombra.
Buraco negro enigmático
Para futuro relacionamento,
Duradouro e estável.
Paga-se bem.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

COLORIDINHO

No colorido do dia,
Perdeu-se nos finos fios das nuances.
Ora azul, ora amarela.
Ora vermelha, ora verde.
Ora marrom, ora laranja.
Ora rosa, ora lilás.
E todas as horas,
Furta-cor...

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

ORDEM

Respeitem o ponto final!
Continuações, reprises, remakes
Não!
A história tem que acabar.
Tudo tem um fim.
Basta! 
Fechem o livro, virem a página,
Guardem na caixinha das lembranças,
Joguem fora, enterrem a sete palmos do chão,
Mas encerrem.
A reiteração do findo cria fantasmas
E distorce ideias.
Acabem!
Não me incomodem!
Respeitem o ponto final!

sábado, 18 de outubro de 2014

SOU

Gosto das incoerências.
Nas diversas angularizações
Dos caminhos tortos,
Me perco 
Degustando o sabor
Dos erros voluntários.
Sou cubista das imagens perfeitas.
Sou realista nos imaginários surreais.
Sou?
Sou.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

ENGODO

Quando viu, floresceu!
Folhas por todos os lados
Faziam as vezes de saia.
Cabelos, em pétalas,
Caiam sobre os ombros
Em cachopas bem cuidadas.
O fino corpo de haste
Pendia, ora para um lado,
Ora para o outro
Em um tênue balanço
Nos braços do vento.
O perfume, inebriante,
Entorpecia o ambiente.
Atraído pelo encanto crescente,
Aproximou-se sem cautela.
Como que enfeitiçado,
Deixou-se levar pela imagem
Que via.
Acordou sufocado pelas raízes,
Que sem respeito algum,
Bailavam sobre seu rosto
Já em adiantado estado de
Putrefação.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

URBANA

Merecia o sol,
Acendeu a luz.
Merecia o rio,
Ligou o chuveiro.
Merecia o vento,
Pôs-se em frente do ventilador.
Merecia paz,
Tomou um Rivotril.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

ARCO-IRIS

Há dias em que eu falo.
Outros, eu engulo.
Existem momentos em que eu grito.
O som açoita a dor
E a faz explodir no roto arco-íris.
Roto?
Sim, mas sempre arco-íris!

terça-feira, 7 de outubro de 2014

TARDE?

Tudo é concreto.
Os espaços,
Habitáveis outrora
Pelo volátil, 
Compactaram-se
Em um grande monobloco.
Ela flutua no nada
Do enigmático
Buraco negro.
Busca outra dimensão,
De-ses-pe-ra-da-men-te.
Ainda há um pouco de ar nos pulmões.
Confia.
Não deve ser tarde demais.

domingo, 5 de outubro de 2014

IVAS

À deriva
Na vã tentativa
De se pensar locomotiva
(Grande estiva)
A diva
Pensativa
Saliva
Entre a negativa
Ou positiva
Alternativa
De renovar sua
Perspectiva.
Iniciativa
Contemplativa...

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

(IR)RESIGNAÇÃO

Estou triste.
O vazio me chama.
Faço-me de desentendida.
Seduz-me a ideia da solidão.
Encantamento maldito!
Depois do feitiço
A bomba explode
Na cinza cor da frustração.
Império árido do só.
Movo entranhas.
Morro, pouco.
Pouco, morro.
Desesperos à parte.
Vivo.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

ADVÉRBIOS

Com os olhos voltados para trás
Partiu em frente.
Suspirou além
Quando constatou 
Que não havia mais nada aquém.
Acima só o sol,
Abaixo, a areia.
Deitou-se ali
Ficou na espera
Do algo a mais
Que certamente
Chegaria em breve,
Muito breve.

sábado, 27 de setembro de 2014

PRONTA

Tento adivinhar o teu toque.
Busco ouvir tua respiração
Perto, muito perto da minha nuca.
Teu calor, em ondas, 
Quero sentir no arrepio da minha pele.
O sabor do teu corpo
Imagino saber com detalhes
De gourmet.
Estou pronta viste?
Só falta chegares.
Te espero.
Vem.

domingo, 21 de setembro de 2014

PONTO

Com um sopro
Desvendou os olhos.
Os cílios encarregaram-se
De desfazer o resto.
Viveu para a cor,
Para o som,
Para sensações.
Plena, flutuou na graça
Das antigas novidades
Irradiando curiosos arrepios.
Ela havia chegado para ocupar
O lugar que jamais imaginara lhe pertencer,
Mas que ao vê-la,
Imediatamente encaixou-se nos seus contornos.
Ele, um misto de surpresa e encanto,
Espantou as antigas dúvidas
E aquiesceu à certeza
Que, de fato, sempre soube:
No dia da chegada
Não existiriam mais partidas.
Entregou-se sem medos
Ao ponto final.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

LUTA

Mergulhou na atmosfera noir
Dos corpos nus.
Percorreu o ambiente pegajoso do suor
Gerado pelo pouco espaço
Enquanto mãos e pernas se cruzavam.
Sentia cabelos e pêlos
Com ojeriza.
Irrespirável.
Queria acordar, mas resistia.
A sensação frenética opoē-se
À razão estética e vence.
Sorri no desespero,
Ainda bem.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

RACHADURAS

O vidro rachado da porta
Permitia que as lembranças
Voltassem fortes.
A última vez foi perdida,
Sabia disso,
Deu as costas e seguiu
Na direção oposta.
De lá, nenhuma rachadura teria 
Mais importância.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

ERROS

Erro.
Hoje, ontem ou amanhã,
Erro, errei, errarei.
O erro é uma das coisas certas da vida.
A cada tropeço,
Caio, choro, sofro escoriações.
Continuo errando,
Não aprendo o que não se pode aprender.
Não aprendo o que não quero aprender.
Não aprendo o que não vale aprender.
Vivo.


domingo, 14 de setembro de 2014

PROPAGANDA

Garganta trancada,
Vontade de chorar,
Depressão chegando?
Sol, mar e céu azul,
Eficaz para todos os males.
Experimenta!

sábado, 13 de setembro de 2014

METAMORFOSES

Reflito.
Penso.
Relembro.
Examino.
Pondero.
Concluo.
O início
Insiste em começar.
Reflito
Pen
Relemb
Exa
Po
C...

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

PARTIDA

Com o sol nos pêlos,
Floresceu no final da primavera.
A graça tomou conta dos seus gestos,
O vento, de seus longos cabelos
E a lua, da sua mente.
Nascera, finalmente.
Deveria se apressar,
O oceano é largo
E não sabia precisar com exatidão
Quantos passos a distanciavam dele...

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

GUERRA

A palidez deu lugar à cor.
Era enfática,
Gostava do destaque.
E, assim, vibrando nos tons fortes,
Iniciou o percurso.
Aquele seria um dia difícil,
Mas de imprescindível enfrentamento.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

FELICIDADE

Ao ver teu cheiro, sorri.
Ao sentir teus olhos, cedi.
Ao ouvir teu toque...
Bem, ao ouvir teu toque,
Morri!

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

PAPEIS

Do jorro nasceu a vida
Que correu insandecidamente
Pelos estreitos corredores
Úmidos e escorregadios.
Alojou-se no aconchego
Da sua metade
E lá ficou.
Esperou, esperou 
E se fez completo.
Como obra acabada 
Adentrou no mundo.
Encantou, cresceu, viveu,
Morreu.
Morreu no exato momento
Em que, cansado do velho papel,
Idealizava uma nova estreia
Para breve,
Muito breve.

sábado, 6 de setembro de 2014

FANTASMA

Entendeu-se em solidão.
Buscou a forma mais harmoniosa,
Meticulosamente planejada,
E ocupou o centro da sala
Em sua cadeira de alto espaldar.
Mãos no colo,
Cabelos alinhados,
Vestido impecável,
Olhar vago.
O processo foi lento.
Ao final, já como retrato
Em preto e branco,
Foi descoberta pelos olhos curiosos,
Jazendo no chão do ambiente.
Recolhida com cuidado,
Foi encerrada nas quatro arestas
Do pequeno quadro 
Pendurado na parede.
Seguiu, soberana de si,
A assombrar aqueles que
Teimavam em se julgar
Felizes.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

CORAGEM

Perto da escada, pensava.
Tinha dúvidas sobre qual seria
O degrau mais acertado,
Se deveria, ou não, apoiar-se
No corrimão,
Se a subida deveria ser rápida 
Ou vagarosa.
Observava todos
Que por ela passavam rumo ao topo.
Nenhum lhe parecia de todo correto.
Um, muito lento, acabava sentando-se,
Desanimado com a distância que
Ainda restava percorrer.
Outro, muito impaciente, 
Atropelava os degraus, caindo sempre,
Mas seguia no intento.
Mais outro que, com passadas tão firmes,
Acabava por romper os degraus,
O que o levava a refletir se seria para ele
Essa dura tarefa.
Perto da escada, pensava,
Sem se importar com a vida escoando
No entorno.
Perto da escada, pensava,
Atordoando o resto de coragem
Que insistia em habitar seu coração.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

TRAJETÓRIA

Fio a fio
Teceu seu ideal.
Cobriu-se com ele
E saiu espanando as teias
Iludidas do seu poder
De embaraço.
Foi vista, pela última vez,
Cruzando a barreira da luz
Linda!
Em pleno uso do raro poder
Conferido apenas aos escolhidos,
Obstinados e teimosos,
Senhores de si.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

FOI

Decidiu ver o mundo de ponta cabeça.
Deitou na grama erguendo os pés ao alto.
Calçou as pantufas de nuvem e começou a andar.
Deslizou pelo céu recolhendo os perfumes da terra.
Cobriu os cabelos de mar adornando-os
Com as mais coloridas flores.
Refrescou o corpo com a brisa vital da primavera.
Pisou no sol e tropeçou na lua.
Seguiu o caminho das estrelas
Rumo ao infinito.
Foi feliz.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

RECOMEÇADOS

As luzes corriam na beira da estrada.
Emoções ganhavam distância.
Sonhos, esquecimentos.
Nós...

sábado, 30 de agosto de 2014

DEVANEIO

Em voo rasante surgiu sobre o mar.
Mergulhos profundos lançou-se a dar.
Molhada, cansada, na praia feliz,
Fundiu-se c'a areia afinal, meretriz.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

DEPRESSÃO

Do bum criou-se o caos.
Notícias rodavam
Naquilo que havia sido,
Um dia,
Sua cabeça.
Queria submergir 
A todo custo.
A superfície não era mais
Para ele.
Enterrou-se, como pode,
No lodo do cotidiano.
Quieto, ficou a espera do pior.
O melhor jamais retornaria,
Jamais...

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

CORES

Na dança das cores o vermelho gargalha.
O azul, zen e discreto, espalha seu ar blasé pelo entorno.
Cheio de vida, o amarelo ilumina todos os pontos
Em que o preto, carrancudo, insistia em encobrir.
O branco, coberto de paz, tenta organizar a festa.
Desliza, com seu manto luminoso, e vai recolhendo,
Uma a uma das agitadas amigas coloridas
Recolhe-se à lua,
Até o próximo amanhecer.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

HÁVERÁ?

As palavras tentam
Acalantar o vazio.
Esforçam-se, ao máximo,
Para colorir as almas distantes.
Os corpos,embalados na dança
Ditada por elas,
Ficam ora embevecidos,
Ora elétricos 
Obedecendo
Aos diversos pulsares contrários
Que pairam nos ares e sobre os mares...
Enquanto isso ela vive,
Enquanto isso ele vive,
Sem expectativas mais.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

CORTES

Quero te acarinhar,
Sei que não posso.
Sonho passear contigo.
Sei que não posso.
Gostaria de apenas sentar,
Quietinha, e te ouvir.
Sei que não posso.
Realidades distantes,
Vidas mutantes,
Destinos errantes.
Uma pena, mas...
Sei que não posso.

sábado, 23 de agosto de 2014

CICLO

Gestou a paz
Pariu a guerra
Criou a dúvida
Compartilhou o sonho
Envelheceu a dor
Morreu a vida.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

TERNO

Buscava o infinito.
Percorreu rios, ruas e ares
Avistou, ao longe, 
Algo que parecia ser sua sombra.
Entusiasmou-se.
Intensificou a caminhada,
Não poderia perdê-lo de vista!
A perseguição 
Brincou os minutos,
Viveu os dias, 
Atravessou os meses,
Arrastou os anos...
Exausta parou de súbito.
Sentou-se entre o desespero
E o cansaço.
Adormeceu sem perceber
Que o infinito, enternecido,
A tomara nos braços
E, neste exato momento,
Embalava-a ao som
Da mais bela
Canção de ninar.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

IMPORTANTE

Feliz, na ponta dos pés dança!
Flutua por entre a cortina de pétalas
E termina em um lindo arabesque
No meio do lago.
Ama-se mais do que tudo!
E é somente isso que realmente importa.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

COMEÇO

No cume do telhado
Colhia estrelas.
Escolhia ora a maior,
Ora a mais brilhante,
Ora aquela que tinha dificuldades
Em enxergar.
Guardava-as cuidadosamente
Na cesta de vime
Coberta pelo lenço de cambraia bordada.
Encerrada a tarefa correu
Para o estreito caminho
Salpicando-as, aqui e ali.
Deveria se apressar,
Sabia que ele logo chegaria.
Despiu-se de todos ornamentos 
E colocou-se no centro da tela,
No exato momento em que a porta bateu.
Tremeu quando sentiu o foco dos olhos curiosos
Observando aquele quadro,
Cheio de luz própria, que não estava
Na parede quando tinha saído pela manhã.
Ambos sorriram o que talvez se tornasse
Um novo começo.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

ESPERANÇA

A neblina densa
Bloqueia minha visão.
Fico aflita para tentar vencê-la.
Ando, corro, fujo
Naquele interminável branco,
Que parece se divertir
Com meu desespero.
"Quero sair!" - grito sem resposta.
Nem o eco ousa tamanha imersão.
Cansada de lutar, deponho as armas.
Quem sabe com a minha desistência
Ela se desinteresse e vá?
Encolho-me, como posso no canto,
No afã de não ser percebida.
Ela irá.
Acredito sem dúvidas.
Em algum momento,
Ela irá.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

GOLPE

Quando deu por si
Havia apagado.
No breu do ambiente,
Tentou, em vão,
Retomar a luz levada.
Não sabia que direção tomar,
Não sentia mais o impulso
Necessário à recomposição
Do perdido.
Pensou em um plano.
Deixou-se ficar imóvel e muda.
Poderia valer-se do elemento surpresa
E recuperar o que lhe foi surrupiado.
Para tanto, precisava que acreditassem
Que havia desistido para sempre.
Sorriu internamente quando 
Percebeu que ele se aproximava 
Curioso...

domingo, 17 de agosto de 2014

SEDUZÍVEL

Fico na espera da imagem mais bela.
Observo com cuidado todos os ângulos.
Cada vez que me decido por um,
Outro exibe mais os seus encantos
E acaba arrebatando-me o olhar.
Nova verificação se impõe,
E mais uma,
E mais outras.
Suspiro diante da constatação
Que sempre assim será.
Fazer o quê?
Sou seduzível...

sábado, 16 de agosto de 2014

BONECO

Pensas que me vês.
Imaginas que me conheces.
Divirto-me com tuas certezas
E conclusões absolutas
A meu respeito.
Sorrio docemente e digo:
"Isso meu querido! 
Como aprecio a tua perspicácia!"
Controlo-me para não gargalhar.
Nesse caso, 
Sempre será melhor 
A ignorância! 
Sempre...

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

TARDE

Da cor dos telhados,
Surgiram os cabelos.
O azul das águas 
Transmutou-se em olhos.
A boca pintou-se com o carmim do fogo
E do moreno das cascas das árvores
Fez-se o corpo.
Concretizou-se plena e fresca
Salpicada de orvalho.
Seguiu bela rumo ao ocaso.
Tarde mansa,
Tarde pura,
Tarde...

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

PLANO PERFEITO

Dissimula teus olhos,
Que eu dissimulo meu sorriso.
Esconde teus planos,
Que eu escondo meus desejos.
Falseia tuas palavras
Que eu falseio minha compreensão.
Finge o teu descaso
Que eu finjo a minha indiferença.
Segue teu caminho
Que eu sigo a minha rota.
Ninguém se aperceberá quando
Desaparecermos, 
Praticamente indiferentes,
Na barulhenta multidão...

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

DESDÉM

Na ponta do caco
Ainda conseguia ver
O que havia restado
Da antiga imagem.
Arrumou-se como pode
Escolheu, no fundo mofado
Da caixa cinza,
Guardada com desleixo
Embaixo da cama,
O menos roto sorriso,
Envergou-o com decisão.
Aprumou-se.
Saiu da maneira que estava.
Leve, flutuou por entre os véus.
Não olhou para trás.
Agora, só existiria o futuro.
Ainda bem!
Passado e presente,
Humiliados,
Choraram com seu desdém.

sábado, 3 de maio de 2014

RUMO

Uma língua de fogo
Incandesceu o horizonte
Desafiando:
"Vem".
Lançou-se para a corrida
Usando o crepitar e o calor 
Como bússola.
Foi sem pensamentos.
Afinal,
Viver ou morrer
Não requer maiores análises.
O risco do desconhecimento
É sempre
O que traz o maior sabor.

domingo, 27 de abril de 2014

ESTÁTUA

Tenho trilhas a seguir.
Caminhos fazem de tudo
Para que eu sucumba 
Aos seus sussurros.
Mantenho-me ereta e ausente.
A anticonduta do sossego...
Até quando?

domingo, 6 de abril de 2014

BOM

Tua brisa me toca.
Perde-se nos meus cabelos.
Percorre minha pele
Levantando arrepios.
Aproveito cada segundo,
Cada vez mais certa
De que a eternidade
Mora ali.

sábado, 29 de março de 2014

SONHOS

Olhava para os lados,
Sentia a presença.
Podia perceber o toque,
Dedos trêmulos sobre a pele fresca.
Sorvia as fragâncias do ar cúmplice
De desejos e quereres.
A distância já não mais havia.
Estavam juntos 
Finalmente,
Juntos.
Pelo menos,
Até o próximo despertar.

sábado, 22 de março de 2014

VIDA

Da explosão do cinza nasceu o rosa,
Que se intensificou e deu lugar
Ao vermelho,
Que se misturou fazendo nascer o roxo,
Que se suavizou e permitiu a chegada do lilás,
Que se acalmou transmutando-se, pouco a pouco,
No azul,
Que pacificou até atingir o branco,
Que, em confronto com o negro, cedeu espaço 
Ao cinza...

sábado, 15 de março de 2014

IDA

Pela janela voaste.
No alto,
Olhando para trás,
Lançaste o beijo
Que secou minha lágrima.
Segui.
Sábia do inevitável.
Feliz com o imponderável.

domingo, 9 de março de 2014

CONTORNOS

Na nuvem escura
Vislumbro teu rosto.
Acompanho o vento,
Transformando contornos,
Fazer-te feliz.

quarta-feira, 5 de março de 2014

COISAS DE MULHER

Na invisível linha
Decidiu andar.
Atravessou, com destreza,
Altos precipícios e
Bravios mares.
Tinha a determinação
Por companheira de viagem.
Resistiu aos ventos ferozes,
Ao calor causticante do sol,
Às gotas frias da chuva.
Ansiava por chegar.
Avistou-o sentado na pedra
À beira-mar.
Sim, ele a estava esperando!
Vibrou à ideia que finalmente
Se teriam.
Diminuiu a macha.
Sentou-se no infinito vazio do ar
E adormeceu.
Queria estar bela e descansada
Para o encontro.
Afinal, a espera fora tão longa...
O que importariam mais alguns momentos?
Coisas de mulher...

segunda-feira, 3 de março de 2014

sábado, 1 de março de 2014

IMPORTANTE

Debochamos do entorno
E daqueles com vãs expressões ausentes.
Ainda somos os mesmos
Em desejo e intensidade.
Plenamente capazes de perceber e gozar
Nos pequenos choques disparados
Embaixo da elaborada carapaça cotidiana.
Seguimos nus, um para o outro,
Sorrindo dentro da ignorância banal de todos.
E isso,
É o que realmente
Importa.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

RETORNO

Ficava pensando o que teria acontecido.
O que fizera de tão certo para que ele se fosse
Tão rápido!
Deu-se conta que isso agora
Não tinha a menor importância.
Gargalhou e entrou rebolando
Novamente naquela que havia abandonado
Há tanto tempo.
Sua própria vida!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

PLANO

Serei breve
Como o raio
Intensa,
Como o sol.
Alegre,
Como a cachoeira.
Serei minha
Novamente.
Sem dúvidas.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

PRISÃO

A pedra não permitia
Divisar o mundo.
Tolhia-lhe os movimentos.
O peso fazia com que acreditasse
Não haver o voo.
O limo da superfície,
Afastava os demais
Devido a repulsa que causava.
Vivia sua soberba.
Era única, pensava.
A mais certa dentre as certas.
E o universo limitado
Comemorava a  inusitada prisão
Com nuances de eterna.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

PLATÔNICO

Com fios de prata
Desenhei tua imagem.
Preenchi o contorno
Usando as cores do amanhecer.
Idealizei a figura que imaginava seres.
Adorei cada detalhe
Em esmero cuidado.
Não te encaixastes no plano.
Desconfortável, foste,
Triste compreendi que nunca
Havias sido.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

CICLO

No cinzento do dia
A noite se fez despretensiosa.
Enfeitou-se de raios
Incendiando os ventos.
Tempestade compacta
Precipitadamente lançada 
Sem dó sobre a terra.
Sedenta de força,
Sugada com pressa
Nas entranhas mergulha.
Quieta aguarda
As raízes curiosas
Descobrirem seus segredos.
Entrega-se pacífica
À nova batalha
Em breve sentida.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

FELIZES

Entrei na expectativa.
Sabia que o ambiente era mágico.
Percorri todos os cantos.
Nada.
Na saída, desencantada,
Olhei a escadaria.
Do mármore róseo surgiste.
Sob as luzes dos vitrais,
Foste colorido,
Pouco a pouco,
Na mais cuidadosa
Riqueza de tonalidades.
Passos atrás para mim.
Passos a frente para ti.
Começamos um jogo 
De fugas e assentimentos.
Preenchemos todos os vazios
Com nossa imagem
E todos os ecos
Com nossos risos.
Nada mais havia ao redor.
Nossas complexidades explodiram
Na êxtase dos fogos fátuos.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

CENA

Chego.
A sala em desordem,
A mesa posta.
O gato no canto azul
Mia sem parar.
O passado embala-se
Com força
Na velha cadeira
Ao ponto de fazer
Ranger o opaco assoalho.
A cena congela.
Sinto que é a minha deixa.
Saio.

sábado, 15 de fevereiro de 2014