sábado, 31 de dezembro de 2011

FELIZ 2012!

Muito bem, retrospectiva 2011:
Janeiro: Delírio do improvável. Extrapolei. Verão forte e calores à solta, sem regras.
Fevereiro: Algumas decepções causadas por mim mesma. Sofri, mas achei que superei.
Março: Volta à responsabilidade e começo do mundo. Preocupações normais e mente leve.
Abril: Fantasmas, reis e castelos, novos horizontes, cheios de poesia e fogo.
Maio: Inverno chegando, chás e desfiles com companhia e plateia à altura, voei.
Junho: Trabalho, estudo e rotina rígida. Presentes de voz e alma entregues diretamente em mãos. Viagem e aniversário, feliz.
Julho: Embates de pura poesia, amigos, blog, conversas e trocas.
Agosto: Danças cheias de paixão, flores e mimos. Doçura incompreendida.
Setembro: Dúvidas e afastamentos. Tristezas por partidas abruptas e sem qualquer palavra de adeus.
Outubro: Um ano de vida nova, junto a pessoas que me fazem feliz. Aniversário do blog.
Novembro: Correrias e sorrisos. Encontros felizes e merecidos.
Dezembro: Amizades verdadeiras, distâncias próximas, encontros nas estrelas e música.
Assim tenho que em 2011, sorri, sofri, ardi, enlouqueci, melhorei, piorei, amei, chorei, dancei, brinquei, conclui, amadureci, estudei, defendi, apaixonei, morri para renascer...



Desejo para 2012, tudo novamente
Para mim e todos vocês,
Por que o que realmente importa
É ler, escrever e viver, sonhando sempre!
Um grande bj queridos amigos, direto no coração!
FELIZ 2012!!!!

GISA

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

CHECK-LIST

Vejamos:
(x) amor (em dia)
(x) intensidade (força para dar e vender)
(x) paz (em todas hipóteses)
(x) sedução (com muito calor e vermelho)
(x) lágrimas (algumas)
(x) risos (toneladas)
(x) saúde (não pode faltar)
(x) luzes (as mais brilhantes)
(x) sexo (como viver sem?)
(x) amizade (24 horas em ebulição)
(x) esperanças (renovadas a cada minuto)
(x) sabedoria (correndo sempre atrás)
(x) dança (com música ou sem música, sempre!)
(x) liberdade (cabelos ao vento)
(x) respeito (gentileza e educação não tiram férias)
(x) vida (tudo isso valeria a pena sem ela?)

Tudo conferido!
Que venha 2012!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

ORDEM

Lembro.
Olhos perdidos,
Sussuros prazerosos,
Respiração ofegante,
Tarde chuvosa,
Calor tênue.
Lembro.
Mãos rápidas,
Corpos em contato,
Bocas quentes,
Sala na penumbra,
Taças de champagne.
Lembro.
Dúvidas circundantes,
Medos vencidos,
Preconceitos afastados,
Carro chegando
Ansiedade pelo começo.
Lembro.
Figuras no chuveiro.
Toalhas brancas.
Cabelo molhado.
Desejos saciados.
Olhares distantes.
Lembro.
Afastamento necessário.
Encerramento da cena.
Beijo de despedida.
Passos lentos.
Lágrima rolando sobre o sorriso vazio.
Lembro.
Esqueço.
Lembro.
Esqueço.
Lembro que é 
Melhor esquecer.
Desobedeço.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

PERDA

O trem parou instantes na estação. Apressada, como sempre, queria seguir seu curso. Não se deu conta que era chegada a hora de descer. Percebeu, somente após a última curva, em cima da alta ponte, que havia perdido a oportunidade. Acometida de pura esperança saltou do vagão em movimenton lançando-se contra o espaço acolhedor. O tempo, indiferente ao seu esforço tardio, ignorou-a. Ficou  vagando no infinito do nada até diluir-se por completo.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

QUADRO

Na nuvem cintilante repleta de vontades encontraram-se.
Inicialmente assustados,
Não compreendiam de imediato a força que os trouxera ali.
Sem que percebessem,
O inevitável já conspirava há muito por aquele momento.
Tons previamente determinados,
Luz e sonoridade do ambiente ajustadas.
Eram protagonistas de uma tela antes mesmo de saberem disso.
Seus espaços estavam reservados no centro da cena.
Colocaram-se como deveria ser
Para preencher as silhuetas vazadas.
Surgiram plenos no foco principal,
Unidos, abraçados e envoltos no longo beijo ansiado.
A realidade cedeu ao choque do sonho e retirou-se.
Entendeu, finalmente, que naquele quadro
Jamais recuperaria o seu lugar.

domingo, 25 de dezembro de 2011

MÃE CORUJA (PARTE II)




Minha filha Isabel e sua Pantera Cor de Rosa!
Mãe coruja é fogo, parte dois!
Bjs.


´

Valéria e Isabel


Matheus, Isabel e Juliana


Eduardo, Isabel e eu

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

FELIZ NATAL

Noite estrelada.
Sorrisos fáceis.
Presenças muitas.
Cânticos sonoros.
Comida farta.
Bebida agradável.
Presentes enfeitados.
Aura de paz.
Fez-se linda e saiu à rua.
Procurou o ponto mais brilhante no firmamento
E o encontrou, apenas a observando.
Duvidara firmemente da promessa que ela lhe havia feito.
E, agora, lá estava ele, esperando encontrá-la.
Fecharam os olhos e permitiram que a magia se desse.
Ele foi arrancado das estrelas pela força luminosa
E ela subiu aos céus impulsionada pela mesma força.
Fundiram-se em pleno ar
Em uma nuvem cintilante
Repleta de vontades...

Meus queridos Amigos!
FELIZ NATAL!
Muitos beijos a todos e obrigada sempre pelo apoio e companhia!
Gisa

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

DIA A DIA

O segundo passou.
O minuto fugiu.
A hora incendiou.
O dia sumiu.
A noite chegou.
A pressa ruiu.
O sono ganhou.
E o sonho?
O sonho sonhou
Que o segundo passou.
O minuto fugiu.
A hora incendiou.
O dia sumiu.
A noite chegou.
A pressa ruiu.
E sono ganhou.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

RETORNO

Em um rompante de consciência,
Comeu as nuvens como se algodão-doce fossem.
O sol se fez, pleno e absoluto,
Mas contido.
Ela sorriu ao ver sua preocupação,
Pois o astro nunca poderia ter previsto
Tamanha ousadia de sua parte.
Sabia que seu desejo mais íntimo
Era tocá-la novamente,
Mas o medo era visível.
Na expectativa de ser aceito mais uma vez,
Permitiu, com muito vagar,
Que seus raios dourados iniciassem a viagem
Pousando um a um sobre aquela pele que tanta falta lhe fazia.
O calor ponto a ponto restabeleceu as conexões
Refazendo os laços rompidos há tanto.
Pronta, deixou-se içar aos ares
Pela mesma teia de energia
Que julgara extinta.
Desfez-se em gozo sincero
Quando chegando à superfície incandescente
Foi acolhida pela flamejante labareda
Em forma de abraço.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

PARABÉNS MINHA FILHA!

Juliana feliz no dia da sua formatura no Ensino Médio!
Aprovada no curso de Direito!
Mãe Coruja é isso!
Muitos beijos minha filha!

sábado, 17 de dezembro de 2011

CONSERTO

Tum-tum
Clanc!
Tum-tu
Crás!
Tum-t
Crash!
Tum
Pof!
Tu
Pam!
T
Ffffffff!
.
.
.
BUM!
Desfibrilador!
Rááááápidooooooo!
Tzi, tzi, tzi, tzi
Tziiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
Aiiiiiiiiiiiii!
Tum-tum
Tum-tum
Tum-tum
Muito bem!
Voltou!
Pronto!
Agora atenção!
Prescrição para evitar novos problemas:
Amor, respeito, sexo, carinho, amizade, compreensão, alegria, risadas, companheirismo, conversas, prazer, solidariedade, viver intensamente,
Em doses diárias dissolvidos em uma solução feita de muito sonho, magia e encanto.
Alguém aí pode ir na farmácia para ela?


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

CIÚME

O chão nasceu espontaneamente sob seu corpo enquanto caia em queda livre.
Com alegria beijou-o com os pés na mais perfeita ponta que pode.
Dançou a graciosidade da sua alma, enquanto era elevada aos ares.
A superfície, sempre em ascensão, dava-lhe a plenitude da amplidão dos horizontes.
Não conseguiu compreender, no entanto, porque o teto azul celeste interrompeu o seu caminho, esmagando-a contra sua abóbada translúcida,
Jamais imaginara tamanha posse.
Não podia ele permitir a compartilhar com as estrelas?

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

PURIFICAÇÃO

É na luz dos raios
Que me ilumino.
No som dos trovões
Ensaio minha dança.
No vento forte
Solto meus cabelos.
Na fria chuva
Limpo o corpo e o espírito.
Tudo com muito cuidado.
Vou enfeitiçar o sol
Quando ele quiser retornar.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

REVANCHE

Ao abrir a janela,
Como fazia todas manhãs,
Foi invadida por uma rajada cinza.
Sabia que isso iria ocorrer um dia.
No entanto,
Não imaginava que fosse tão cedo...
O colorido, finalmente, havia desistido
De lhe encantar.

sábado, 10 de dezembro de 2011

ROTINAS

Saiu e bateu a porta.
A porta fechou a vida.
A vida encerrou o sonho.
O sonho chorou a dor.
A dor desfez a lágrima e renovou o sonho.
O sonho inaugurou a vida.
A vida abriu a porta.
A porta deixou entrar
Batendo atrás dela
Para encerrar 
Tudo
Mais uma vez.
Antes de recomeçar

ESPERANÇA

Estou quieta.
Hoje.
E espero 
Que somente hoje.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

QUÍMICA

Olhei para o tubo de ensaio.
Estavas lá dentro imóvel
Com as mãos espalmadas
Apertadas contra o vidro
Apenas observando.
Percebi que,
Apesar da tentativa em contrário,
Não conseguias conter o ar apreensivo.
Diverti-me por instantes pensando
Se queria realmente isso.
Fui à prateleira e peguei os compostos.
Dispus todos os frascos coloridos em fila.
Fechei os olhos e passei a recitar o mantra,
Enquanto pingava as gotas e medidas
Dentro do recipiente.
Após a explosão,
A fumaça dispersou-se pelo ambiente.
Em tons de transparência etérea das magias boas.
Já não estávamos mais lá.
Volatizados, corremos de mãos dadas
Buscando equilíbrio nos tênues raios de sol
Da última tarde de inverno
Das nossas vidas.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

REFLEXÃO

Deitou-se na praia
E permitiu que o mar
Brincasse com seu corpo
Lambendo-a com sua ávida língua feita de ondas.
A areia ciumenta,
Incomodada com sua intromissão,
Agredia-a com seus grãos e lascas de conchas
Tentando causar-lhe o máximo desconforto possível.
Não se importava
Havia se permitido ser feliz
Custasse o que custasse
Doesse a quem doesse.
De agora em diante,
Só faria o que lhe desse prazer.
E muito.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

ESCONDE-ESCONDE

Brinco com a luz e com a sombra.
Mostro-me até onde decido.
Na frente dos teus olhos
Engano sorrindo
E fujo.
Escondida aguardo
Que entendas o meu pedido:
"Vem te esconder comigo!"

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

ESFORÇO

Entrou resolvida no mar.
Enfrentou vitoriosa as agressões das ondas
Deixando-as para trás.
Nadou muitos dias e noites.
Brigou com correntezas e estranhos seres.
Não sucumbiu às ilusões causadas pela ciumenta lua.
Seguiria seu percurso até encontrá-lo.
Na outra margem,
O dono do sol nascente a esperava
Espreguiçando seus raios de ouro e diamantes
Por todo o horizonte.
Sentado na pedra mais alta mirava o vazio
Ainda em dúvida se ela viria ou não.
Afinal, poderia ele receber tanto empenho e dedicação?
Decidiu negativamente e retirou-se.
Ela haveria de encontrar alguém,
Que a merecesse,
Haveria...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

RETORNO

Assustado e arfando.
Lembrava muito menos do que desejava.
Ela vestia negro...
Sim, vestia negro.
O tecido era de bom toque, talvez ...
Veludo! Decididamente era veludo!
Cabelos castanhos, coque?
Não! Parcialmente soltos.
Parece que ainda os via descendo em cascata pelos ombros.
Mas alguma parte estava presa, sua face era clara.
Sua face...
Não distinguia mais com nitidez sua fisionomia..
Como pode? Tinha sido há poucos instantes.
Como não recordava?
Vasculhou os bolsos e encontrou a foto impressa
No papel de baixa qualidade.
Confirmou o vestido,de veludo  negro;
Os cabelos castanhos e parcialmente presos;
Mas o alvo rosto permanecia nublado.
Por quê?
Desesperou-se em procurar mentalmente a memória perdida.
Viu o sorriso largo, o nariz reto, o queixo redondo.
E os olhos, como seriam os olhos?
Foi invadido aos poucos pela onda mágica do calor.
Labaredas escarlates vinham de longe, cada vez mais vivas
Dentro do seu cérebro.
Sorriu ao entender que ela estava o chamando novamente.
Fechou os olhos e tentou navegar para o momento anterior
Na esperança de reencontrá-la.
Tinha certeza que conseguiria.
Já podia sentir seus olhos de fogo a queimarem-lhe a pele.
Retrocedeu o tempo e a alcançou
No meio da dança que haviam interrompido
Antes daquela inoportuna mudança de sonhos
Ocorrer.

domingo, 4 de dezembro de 2011

COMPREENSÃO

Estavam mais agitadas do que o costume.
Faziam cócegas.
Debatiam-se com que quisessem lhe enlouquecer.
Não havia mais como resistir a tamanho desconforto.
Deitou-se no meio do estreito corredor do ônibus,
Não poderia aguardar mais.
Abriu a boca e as liberou em revoada.
Aliviada, levantou-se e ocupou novamente seu lugar.
Junto à janela.
Acompanhou suas coloridas coreografias no céu sem nuvens
Até se perderem no horizonte esfumaçado da cidade grande.
Chegou apressada em casa,
Elas não tardariam a regressar.
Depois da relaxante ducha vestiu-se com todo zelo.
Fez-se radiante e perfumadamente feminina.
Ouviu o bater de asas que se aproximava.
Entraram em turbilhão pela abertura da vidraça
Indo se aconchegar novamente no seu estômago.
A campainha soou o toque esperado.
Abriu a porta e o recebeu
Com seu mais belo sorriso de olhos.
Ainda confuso com a viagem atribulada pelo ares
Conduzido pelas frenéticas borboletas,
Rendeu-se a ela em todo seu vigor.
Somente agora tinha condições de entender
O real sentido da inexistência de limites
Do simples querer de uma mulher apaixonada.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

GOURMET

É na penumbra que sinto todos teus contornos.
Deslizo minha língua explorando ao máximo tua geografia.
Planícies, montanhas, florestas, rochedos, penínsulas.
Detenho-me em cada ponto pelo tempo que cada um solicita.
Aproveito ao máximo os sabores variados que me ofereces.
Doces, amargos, ácidos, salgados.
Misturo todos em minha boca e engulo de uma só vez.
Pronto. 
Totalmente saciada deito-me para repousar.
Podes ir agora, 
Sempre que eu quiser estarás de volta.
Por que tenho tanta certeza?
Ora,
Nunca errei um feitiço.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

PRESENTE

Danço para os teus olhos,
Sabes que é para ti.
As ondas sinuosas
Que se desprendem do meu calor
Acariciam o teu corpo
Arrancam-te sorrisos
Inflamam-te de arrepios.
Gosto do sabor da tua loucura.
Lambuzo-me por inteiro dos teus desejos
E assim, impregnada da tua luxúria,
Entrego-me aos teus mais silentes devaneios
Sem luta, nem esforço.
Tenho convicção que não irei me arrepender.
Mas presta atenção:
Não me decepciona
Que eu volto.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

CONFIANÇA

Correu o mais intenso que pode
Lançou-se na direção do nada sem medo.
Tinha certezas absolutas
Que amorteceriam a queda.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

CASULO

Confuso, 
Tentou dissipar as preocupações 
Na fumaça do cigarro.
Não contava, no entanto, 
O quão rápido
Poderiam as fitas cinzentas e, 
Aparentemente, translúcidas,
Nascidas em espiral da brasa rubra
Tramar o inexpugnável casulo
Sufocando-o lentamente,
No mais apurado requinte de crueldade.
Demonstração de força 
Do tédio, da dúvida e do medo
Sobre aqueles 
Que não conseguem decidir.

domingo, 27 de novembro de 2011

TEIMOSA

Subiu no pêndulo e pôs-se a balançar
Cada vez ia mais alto,
A cada vinda ia mais longe.
Conseguiu a maior velocidade que podia.
Nem mesmo com esse frenético movimento de negação
Ele compreendeu que deveria ir embora.
Sentou-se para esperá-la.
Um dia, ela ainda teria que descer do brinquedo
E, talvez o perdoasse de tantos erros cometidos
Aceitando novamente todo o amor que lhe trazia
Em forma de lágrimas de arrependimento.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

SUPERAÇÃO

Um véu negro! Eu preciso de um véu negro! Rápido!
Estás vindo a passos largos! Tenho pressa!
Apesar de tudo ainda te quero bem
E não gostaria de te magoar.
Detestaria permitir que me visses, assim,
Nesses tons tão claros e iluminados
Estourando de prazer e alegria
Caminhando ereta por sobre as nuvens
Geradas a partir do escombros que despencaram
No precipício da nossa separação.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

CÍRCULOS

Hoje gostaria de falar
Falar alto, gritar
Gritar forte, sorrir
Sorrir calmo, descansar
Descansar em teu colo, sonhar
Sonhar que tu me
Ouviste,
Gritaste,
Sorriste,
Descansaste
E, sobretudo,
Que tu
Sonhaste comigo,
Descansando,
Sorrindo,
Gritando,
Falando
Falando
Falando
falando
faland
falan
fala
fal
fa
f

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

TRÊS MULHERES

Três mulheres
Três sorrisos
Três magias.

A primeira encarregada de falar.
Conhecia de tudo um pouco
Transitava com elegância entre os diversos temas.
Aconselhava, discutia, divergia e concordava.
Analisava a tudo e a todos com palavras certeiras
Plenas de conhecimento,
Mas, apesar de tanta fluência,
Sabia calar, ouvir e confortar.
Levava como marca o símbolo da terra
Representante que era da sensatez das decisões.

A segunda encarregada de amar.
De sorriso fácil e carícias amplas.
Queria encantar e ser encantada,
Seduzir e ser seduzida.
Gostava do jogo de palavras.
Sabia enlouquecer quando queria
E sabia enternecer quando o necessário se impunha.
Entristecida soube renascer na alegria
Surgida de terras muito distantes
Sobre as quais brilha na sua mais pura essência
De mulher absoluta.
Levava como marca o frescor do ar
Uma vez que preenchia o espaço entre o céu e a terra
Beijando sempre o horizonte.

A terceira encarregada de arder.
Gostava dos corpos colados,
Na avidez dos embates.
Deliciava-se com os aromas cálidos dos suores
Que banhavam os alvos lençóis
Ou confundiam-se com o orvalho
Depositado na relva fresca
Sob os primeiros raios de sol .
Sabia o valor de uma música bem escolhida
Para tocar a luz de velas, regada a um vinho de fina safra.
Dominava a arte sinuosa dos movimentos compassados
Premeditados como em uma dança
Milimetricamente coreografada.
Levava a marca do fogo
Transmitindo calor aos que se aproximavam.

Três mulheres.
Três sorrisos.
Três magias.
Encontraram-se no cenário
Que ostentava a marca das águas
Olharam-se e,
Imediatamente, compreenderam a completude da qual faziam parte.

Três mulheres.
Três sorrisos.
Três magias.
Foram vistas pela última vez,
Sob o primeiro clarão da lua cheia,
Segundos antes de desaparecerem
Uma a uma
Sob o véu líquido e claro que vertia das pedras
E se precipitava na direção do pequeno riacho
Ao som de todos os seres
Que comemoravam, com entusiasmo,
A tão esperada união daquelas
Que nunca poderiam ter sido,
Um dia,
Apartadas.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

PRAZER

Contemplava a rosa com atenção.
Cada pétala,
Suas curvas e reentrâncias.
Encantava-se com as diferenças de tonalidade
Que exibiam as várias gotas de orvalho
Depositadas sobre o rubro fundo.
Respirava avidamente
Toda a fragrância que dali exalava.
Absolutamente hipnotizado
Pela beleza da flor,
Despertou-a com um beijo
Convidando-a para dançar.
Valsando, manchava o salão de sangue
Que vertia do seu corpo em pingos largos.
Não ligava.
Jamais deixaria que espinhos ciumentos lhe roubassem
O extasiante  prazer daquele momento.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

INTERSECÇÃO

Possuíam ângulos de visão diferentes.

Ela, já no meio do caminho,
Divertia-se com as luzes da amplidão
Cada qual incidindo,
De uma maneira peculiar,
Sobre a paisagem.
Dos seus ideais,
Tinha alguns como atingidos e findos,
Outros, inatingíveis e dispensáveis,
E mais outros, ainda dignos de busca,
Tudo na mais perfeita desordem.

Ele em franca ascensão,
Preocupava-se em adivinhar
Quais luzes deveria confiar como reais.
Exauria-se na subida
E não conseguia aproveitar a paisagem
Tentava alinhar seus ideais
Em compartimentos estanques,
Um após o outro,
Para serem buscados cada qual
Na sua vez,
Dentro de uma lógica rígida.

Apesar de trajetórias tão díspares
Encontraram o encaixe perfeito e
Aproveitaram intensamente a delícia
Do único ponto de intersecção que se propiciou.
Viveram, na força do sol e da chuva,
Instantes de puro prazer sem compromissos ou regras,
Pontos ou visões, ideais ou compartimentos.

Com o entardecer,
Cederam a urgência dos magnetismos  opostos
E colocaram-se em marcha por seus caminhos antagônicos
Certos da existência de novos pontos de intersecção
Em breve, muito breve.




&X&X&X&X&X&X&X&X&X&X&X&X&X&




DESAFIO DA DJA TOCANDO EM FRENTE

5 coisas que eu quero fazer antes de morrer:
- saltar de pára-quedas e de asa delta;
- ir a Paris, Londres, Madrid, Roma e Lisboa;
- aprender a falar italiano e espanhol com fluência;
- ler mais de 1.000 livros;
- escrever 1 livro.

5 coisas que eu faço bem:
- doces;
- salgados, quando eu me dedico;
- pular corda;
- rir;
-ser feliz.

5 defeitos:
- teimosia
- teimosia
- teimosia
- teimosia
- teimosia
(o defeito é tão grande que nem dá chance para os outros)

5 coisas que eu adoro:
- minha família;
- meus livros e filmes;
- minha casa;
- silêncio;
- dançar, escrever, rir e cozinhar.

5 coisas que eu detesto:
- mosquito e barata;
- ir para o campo;
- gente falsa e esnobe;
- mentira;
- puxa-saco.

Bem acho que é isso. Agora teria que indicar outros blogs,mas sou péssima nisso, nunca sei se vão querer o não, assim, deixo livre, uma vez que é um desafio, para quem quiser sinta-se desafiado.
Um beijo
Gisa

domingo, 20 de novembro de 2011

BOLSO

Do fundo do teu bolso,
Posso ouvir os batimentos do teu coração,
Posso debruçar-me na aba e sentir a brisa do mar,
Posso me aconchegar no teu peito e me aquecer nos teus pelos.
Do fundo do teu bolso,
Posso ir aos mais diversos locais,
Posso ouvir todos os teus segredos,
Posso viver a tua vida sem que me notem.
Do fundo do teu bolso,
Posso delimitar meu lugar na tua alma,
Cavar um côncavo
E enfeitá-lo com minhas bem tecidas teias
Os meus mais inebriantes perfumes
E as poderosas magias que escolhi com cautela para esse momento.
Assim, mesmo que eu me vá um dia,
Por vontade própria ou por ser banida,
Minha marca teimosa
Ficará em ti
Forçando-te a cada respiração
A lembrança de que
Um dia
Eu tentei te fazer feliz.

sábado, 19 de novembro de 2011

VISITA

O cheiro da chuva está repleto de ti.
Os pingos fortes trazem as tuas carícias.
O turbilhão de vento reproduz o teu corpo no meu.
Nos relâmpagos, vejo a clareza dos teus olhos
E nos trovões, a força das tuas palavras
Sempre sussurradas aos meus ouvidos.
Com pressa, deito-me na relva.
As nuvens negras já se aproximam
E a tua visita não tarda.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

MIRAGENS

Queria um vestido de nuvens
Passaria por ti,
Em uma tarde de tempestade,
Sem ser notada.
Queria um perfume da grama úmida
Não me perceberias,
Pois teu olfato não me distinguiria
Do aroma que exala do jardim 
Antes da chuva.
Queria uma máscara de gesso
Com um lindo sorriso pintado
Misturada entre os diversos rostos da multidão
Não me notarias tampouco,
Jamais poderias crer que eu havia conseguido sorrir novamente.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

VIRADA

No fundo do poço
Afundei no lodo pink
Com reflexos de purpurina.
Enchi os pulmões 
Com o ar fétido-mentolado do ambiente.
Iniciei a escalada rumo à abertura
Apoiando-me nas viscosas paredes
Recobertas de musgos dourados e apodrecidos.
Atingi o topo
Em noite de tempestade
Movimentada por rajadas de incompreensão.
Gargalhei perante os olhos dos derrotados
Que não compreendiam
Como alguém poderia sair de uma depressão
Em tão alto estilo.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

ACALANTO

Deitei ao lado e afaguei-lhe os cabelos
Cantei as mais belas canções de ninar
Dormi embalada por seu sorriso tranquilo
Próprio daqueles
Que saem para encantar
Os sonhos do mundo.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

PISTAS

Olha-me.
Atravessa todas minhas carapaças.
Por que o espanto?
Presta atenção, é possível.
Segue o caminho das fitas iluminadas.
Escondi-as, de propósito
Somente para te indicar o trajeto
Quando sentisses que era o teu momento
De me redescobrir.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

AUTORRETRATO

Peguei papel e lápis para fazer meu autorretrato.
Rabisquei, apaguei.
Tornei a tentar e novamente desisti.
Fui até o espelho conferir os traços.
Encontrei tantos que me atrapalhei.
Não sabia por onde começar.
Todos gritavam que deveriam vir primeiro.
Os olhos piscavam freneticamente na ânsia de seduzir.
A boca falava, murmurava, jogava beijos esperando ganhar no grito.
O nariz alongava-se, afinava-se e ameaçava trancar a respiração se não tivesse preferência.
Os cabelos voavam em rebeldia achando-se ser mais fundamental a moldura do que o conteúdo.
"- Chega!" - vociferei.
Afinal, como artista e modelo, deveria dar as ordens.
Calaram-se espantados com minha audácia.
Amassei o papel e guardei o lápis e a borracha.
Não quero mais.
Afinal, de que me serviria eu mesma
Congelada em um papel
No fundo de uma gaveta?

domingo, 13 de novembro de 2011

GRITO

Que falta me fazes!
Levei muito tempo para entender isso.
Mas agora verbalizo, grito:
Que falta me fazes!
Feita a confissão,
Posso voar novamente.
Quem sabe não encontro
Um outro eu capaz de
Reescrever essa frase?

sábado, 12 de novembro de 2011

PARASITA

Apagou a luz do ambiente.
Girou a chave 
Até a volta completa se fazer.
Ligou a ducha.
Sob a cálida água,
Tremeu ao ver a ansiedade
Escorrer por seu corpo, 
Aos gritos de protesto,
Próprio dos parasitas que são arrancados do hospedeiro.
Sendo rapidamente engolida pelo escuro  ralo.
Empurrou com o pé, ainda atônita,
Os últimos vestígios 
Daquilo que, um dia,
Pensou que nunca mais iria se libertar.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

PACIÊNCIA

Vem me encantar
Sou suscetível aos galanteios
Derreto-me com os olhares
Sucumbo diante dos toques
Enlouqueço com sussurros
Agora chega!
Não te darei mais pistas!
Vem me encantar,
Logo.
Nunca fui paciente
Nem tenho a intenção
De  assim me tornar
Um dia.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

FITAS

Frente a frente
Imagens reflexas
Olhos fixos que bebiam os últimos instantes
Um no outro.
Uniram as mãos espalmadas.
E, no susto, iniciaram a dança
Dos corpos colados.
Buscavam a fita e a encontraram
Muito bem escondida
No limiar dos seus infinitos.
Apoderaram-se, cada qual da sua extremidade
E, sem sorrisos,
Iniciaram o percurso rumo ao oposto.
O laço desfez-se sem qualquer encanto.
Livres, voaram acompanhando as piruetas
Da fumaça perfumada do incenso.
De saudade ficou apenas
A imagem do laço desfeito em pontas
Que insistia em acenar o mais patético
Adeus.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

PRENÚNCIO

Ohou para a porta e viu o elegante homem que adentrava no salão. Impecável, com tulipas em forma de bouquet. Trocaram olhares, inicialmente de soslaio, após de forma mais aguda. Caçaram-se mutuamente pelo ambiente. O perfume das flores a entontecia fazendo com que levitasse da cadeira onde respeitosamente se encontrava. Uma mesa de jogo. Cartas rolando. Bebidas e cigarros. Ao fundo música de cítaras que apenas os dois ouviam e sorriam. O magnetismo dos olhos fez com que os corpos se procurassem mais de perto. Deslizaram pelo espaço lotado, sempre fixos um no outro. Passaram lado a lado, como se a dança do minueto se tratasse. Ela sentiu todo o calor que dele emanava quando ele, sem que ninguém percebesse, lançou uma tulipa no seu decote. Com a mão rápida, ela caçou o mimo e o guardou junto ao peito, sob o seio. Afastaram-se reproduzindo o leve bailado daqueles que se enamoram. No ar, no entanto, restava o ardor e desejo já materializado em véus que os uniram pela cintura, sem que os outros vissem. Eles sabiam que estavam presos, eles sabiam que aquela seria uma bela história, eles sabiam que tudo estava apenas começando.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

MOMENTO

Depois de tanta insistência, um dia acordou e percebeu tudo, com muita clareza: a magia é para ser feita uma única vez. O encantamento pleno que este momento oferece não tem par, por isso mesmo é que a cortina deve cair ao final do ato e todos irem embora saboreando cada lembrança fugaz como se fossem telas raras pintadas por algum gênio já falecido há muito.

domingo, 6 de novembro de 2011

AUTOCONFIANÇA

Parou e refletiu:
Existe alguém melhor do que eu?
Foi soterrada pelo turbilhão de lembranças,
Mas nenhuma grande o suficiente
Para responder satisfatoriamente a sua dúvida.
Sorriu, aprumou-se
E, confiante,
Em cima do seu salto mais alto
Entrou com todos os requebros,
A que tinha direito,
No lotado salão.

sábado, 5 de novembro de 2011

SOL

Estava quieta no meu canto.
Chorava minhas angústias e enganos.
Disse que me ia para sempre.
Saí em busca do sol,
Aquele que eu havia abandonado há algum tempo.
Andei por várias trilhas,
Apontaram-me várias direções.
Tropecei, cai e fui em frente,
Não podia estar tão distante assim.
Foi com muita dificuldade que acertei o caminho
Já podia sentir-lhe o calor, mas e o brilho?
Onde havia se ocultado o brilho?
Cheguei mais perto, mais perto e mais perto.
O ar extremamente quente denunciava o final da busca,
Mas a luz, onde estava a luz?
Parei confusa e cansada.
Extenuada, senti o fogo envolver-me com fúria.
Meu corpo, meus olhos, meus cabelos ardiam
Sem que eu pudesse entender de que forma.
Em êxtase, virei-me e pude ver-te
Claro, iluminado, brilhante na minha frente,
Com os braços abertos repletos de sol.
Entreguei-me a ti sem lutas.
Afinal, alguém que havia guardado
Tão poderoso astro
Só para, quando eu o procurasse novamente, me entregar
Merecia tudo o que eu possuía,
Tudo.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

VONTADE

Hoje, gostaria de te servir.
Avental, bandeja
E todas as honrarias.
Uma almofada para colocares os pés.
Uma massagem para relaxares.
E uma linda música para encantar
Teus aguçados ouvidos.
No ar, incensos e aromas florais.
Hoje, quero-te entregue e imóvel,
Apenas aproveitando minhas 
Mais rebuscadas carícias.
Hoje, e somente hoje,
Quero ser tua gueixa.
Aproveita.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

DESISTÊNCIA

"Acho estranho"
Após ouvir essas palavras
Sepultei para sempre
A esperança de voltar 
Ao ponto onde nos tocamos e sentimos
Pela primeira, única e última vez.
Tornamo-nos estranhos
Demais para tanto.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

VISÕES

É definitivo agora, sei.
Partiste e não voltarás mais.

Sofro por que não me dissestes isso. Sofro por que esperaste que eu compreendesse a tua indiferença. Sofro por que acabou sem iniciar. Sofro por que nunca me desses a chance de te mostrar o quanto tudo poderia ser belo. Sofro por que tem que ser assim.

Sorrio por conseguir sair da bolha opaca em que fiquei te esperando por esse tempo todo. Sorrio em vê-la explodir e derreter-se em lodo negro escoando pelos vãos do assoalho. Sorrio ao constatar que o sol ainda está lá da maneira que eu deixei há tanto tempo.

É definitivo agora, sei.
Parti e não voltarei mais.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

CÁLICE

Destilo todo o veneno no cálice.
Verto o melhor vinho da adega sobre ele.
Lentamente misturo muito bem.
O aroma que se ergue é doce.
A cor rubra do líquido é hipnótica.
O sabor é irrecusável.
Bebo gole a gole
Desejando que o final seja rápido.
Detestaria que chegaste
Antes de eu ir definitivamente.
Como poderia carregar a visão
Dos teus olhos esbugalhados e culpados
Por toda a eternidade?

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

CIRCO

Vai começar a função!
Venham! Aproximem-se!
Querem pipoca, algodão doce?
Entrem por gentileza!
Respeitável público! Vai se iniciar o maior espetáculo da Terra!
Todos no picadeiro e fechem os olhos!
Sintam-se invadidos pela magia do circo.
Pisando na serragem e sob o abrigo da lona.
As luzes começam a colorir embaladas pela alegre música.
Comecemos pela corda bamba, peguem a sombrinha!
Cuidado! Isso, equilibrem-se e venham, saltem na cama elástica
Voando na direção dos trapézios.
Não tenham medo, estou aqui.
Peguem as barras e voem, voem alto, assim.
Piruetas são imprescidíveis. Joguem-se sem temor.
Isso, assim, bom.
Com um mortal caiam devagar sob o comando do mágico
Que treina o número da levitação.
Planando achem o chão dentro do carro dos palhaços.
Riam de si próprios, sorriam para todos, façam rir
Sejam felizes, só isso.
No jogo dos malabares façam as acrobacias propostas
E nos monociclos,
Pedalem engolindo e cuspindo o fogo das tochas
Em forma de mil labaredas.
Le grand finale se aproxima.
Venham, todos juntos, gritem alto, gritem forte, gritem juntos
Liberem todas energias negativas, ruins, desprazeres, frustrações.
Exorcizem os fantasmas, assim, forte, pronto.
Agora, terminou.
Podem abrir os olhos e ao trabalho,
Pois hoje é segunda-feira!
Bom regresso ao mundo lá fora.
O cotidiano, com certeza, ficará mais leve e feliz.
Voltem sempre que quiserem.
Foi um prazer inenarrável ter estado com vocês!

domingo, 30 de outubro de 2011

PAPEL

Quero
A beleza dos momentos de papel
Com seus rabiscos feitos a lápis colorido.
Suas múltiplas possibilidades de dobraduras e recortes.
Seus voos em céus azuis ou cinzentos ao sabor da brisa.
Quero.

sábado, 29 de outubro de 2011

NEON

Fez-se a magia.
As emoções dançaram ao nosso redor, na nossa frente, sobre e sob nossos corpos..
Os versos ora debocharam ora comoveram-se com o nosso olhar atônito.
Falamos, ouvimos, mas sobretudo, queremos.
O mundo dos sonhos invadiu o real e fez com que acordássemos no susto.
O desejo cresceu e tornou-se uma ideia subliminar feita de neon.
A fluorescência ofuscou-nos
O calor dos nossos corpos concretizou-se e estabeleceu-se como um monolito em cima da mesa.
A força atrativa é inegável.
Queremos um ao outro, isso é certo,
Mas o que será a partir de agora?

(Reedição)

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

TROFÉU

Em meio a muita festa e vinho
Ofereceram sua cabeça, sorrindo,
Na decorada bandeja.
O estranho troféu passou de mão em mão
Ao som das gargalhadas de vitória.
Mal perceberam
Que o corpo acéfalo,
Atirado no canto,
Levitava envolto pela mágica bruma,
Translúcida e perfumada,
Daqueles que se sentem aliviados.
Finalmente, poderia seguir seu caminho
Totalmente liberta e esquecida
Do incompreensível peso e desconforto
Que um dia aquela grotesca máscara de ferro,
Mal encaixada,
Havia lhe causado.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

MALÍCIAS

Gosto da malícia das palavras,
Das 569 intenções,
Estrategicamente camufladas,
Nos arabescos da requintada caligrafia.
Gosto da malícia dos olhares vagos.
Aqueles que, em uma primeira análise,
São absolutamente casuais
E até um pouco resistentes,
Mas que vão queimando lentamente
Todas as superficies por onde passeiam
Imprimindo, a fogo, profundos sulcos
Molhados de prazer.
Gosto da malícia dos sorrisos
Aqueles meio entreabertos
Que deixam a boca úmida
E dão frio no estômago
Tirando totalmente o tino e o fôlego
Abrindo em explosão
As portas
Para os mais deliciosos devaneios.
Pronto! Confissão feita!
Será que tenho salvação?

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

PENA

Reconhecia-se no lume do candeeiro.
A labareda da fogueira exibia, sem pudor,
Os contornos que lhe havia furtado.
Causava sensações incandescentes
Naqueles que ousavam se aproximar.
Marcava a ferro os que a tocavam 
Ou, simplesmente, a desejavam.
Causava a certeza
De ter encontrado a ansiada felicidade e
Ser detentora do pleno poder 
Tão buscado por muitos.
Como poderiam ser todos cegos ao mesmo tempo?
Será que ninguém nunca iria perceber 
A imensa jaula dourada em que habitava?
Alguém, um dia, se daria conta de abrir o escondido cadeado?
Será que a solidão, com seu negro capuz,
 não seria descoberta em toda sua maldade em algum momento?
Seguia sorrindo mecanicamente no salão lotado
Retribuindo, com desprezo, os lânguidos olhares.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

BUSCA

Após alguns ingredientes, a mágica se fez em um estrondo.
Fumaça lilás com aroma de frutas tomou conta do ar.
Vestida de faíscas intermitentes, fez-se bela.
Cabelos em desalinho, receberam como adorno borboletas coloridas.
Sapatos de celofane brincavam com os raios de sol.
Desfez-se das dúvidas e preocupações
E saiu sorrindo na busca do seu ideal.
Mal o reconheceu, quando virou a esquina dos cata-ventos.
Teve que ser chamada por duas vezes
Até localizá-lo no canto amarrotado.
Tentou recuperá-lo, mas entendeu, por fim, que não seria possível.
Deu-lhe um beijo de despedida 
Oferecendo-lhe como leito confortável, 
Para seus derradeiros instantes,
O lenço de seda azul que trazia no pescoço.
Foi-se tranquila a procura de novas estradas.
Divertiu-se quando, a cada passo,
Era alvo da sedução de novos ideais
Que brigavam entre eles
Na expectativa de descobrirem qual deles
Se adequaria melhor
Às suas expectativas.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

LENTE

Estendeste-me as mãos e
Acedi ao teu convite sem dúvidas.
Esvaziei-me por completo
Dos conceitos, impressões e imagens
Que até então carregava,
Não poderia conviver com o risco
De comprometer a novel experiência.
Entrei em teu ambiente
Sem medo.
Acomodei-me confortavelmente
Atrás de tuas janelas escuras
E, observando a poderosa lente que havia na frente delas,
Esperei o que me tinhas preparado.
De imagens te fizeste
Mutantes em cores e elementos
Ao som do violoncelo e dos violinos.
Foste felino e bonde, rua e transeunte, mar e sol.
Vi metrôs passarem por igrejas e trilhos que levavam a grafites multicoloridos.
A vida se fez em toda tua diversidade de sabores e enfoques
Penetrasses nas almas que aguardavam ou caminhavam sem rumo
Mães, filhos e ladeiras, incontáveis ladeiras.
As luzes da cidade, que derretiam para dentro das águas, tinham o condão de içá-la aos ares.
Palavras de protesto e sorrisos de compreensão formam paradigmas de conduta.
Flores e helicópteros em contraste com o céu azul
Preenchem o ambiente natural tão inusitado ao cotidiano urbano.
Chegado ao final da agitada viagem desembarquei dos teus olhos
Pulando através das tuas pupilas.
Foi com susto que me percebi,
Imóvel,
Diante da tua implacável lente.
Sorri com o coração quando
Em um fugaz clic
Capturaste-me para sempre
Em mais uma de tuas fotografias.



Uma pequena homenagem a um grande artista Sérgio Pontes do blog "A Teoria do Kaos".



Beijinhos a todos!



domingo, 23 de outubro de 2011

BAILARINA

Linda redoma bailarina! Como ficas bela com esta luz... Teus cabelos ficam mais sedosos, tua pele parece uma porcelana, tuas roupas brilham com a purpurina que tinge o ambiente. Mas o que há de errado bailarina? A música da caixinha não te agrada? Ela foi feita para dançares, encomendada para o teu deleite. Não sabes, bailarina, o quanto me custa todo este teu conforto. Vivo pagando contas que não acabam sempre para te ver cada vez mais feliz. Por que choras, bailarina? O que te faz falta, meu bem? Por que me olhas assim, bailarina? Não te compreendo... Tens tudo que queres para ser feliz e por que não és? Não bailarina, não sejas ingrata minha querida, não faças isso bailarina! Coloca o braço no lugar, como vais mostrar  gestos, tão graciosos, sem braços? Alto lá, bailarina, não tires tuas pernas, como irás saltar de novo? Pára, bailarina como vais rasgar teu peito e liberar teu coração que levou tanto tempo e me deu tanto trabalho para  aprisionar aí?!

(Reedição)

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

JOÃO E MARIA

João e Maria envoltos na bruma, vestidos de nuvens, ao som de “Hard Day's Night” viram-se pela primeira vez. O burburinho do local pairava acima das cabeças e os olhos trocavam palavras mudas, repletas de significados. Ficaram assim por algum tempo, até materializarem-se lado a lado. Como íntimos desconhecidos de longa data, teceram comentários insossos e vazios, meras escadas para o futuro imediato. Olharam a porta e, ao mesmo tempo, encaminharam-se a ela . Saíram e voaram sobre a cidade no tapete mágico que já os aguardava. Calados, envolveram-se e rolaram no prazer do desconhecimento. Despediram-se, com um “até nunca mais”, um sorriso e um beijo. Partiram para todo sempre em direções opostas. Desapareceram na linha infinita dos olhares vagos.

(Reedição)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

EXCESSO

Não suporto esperar o tempo necessário,
Sou urgente e dramática.
Arranco os ponteiros do relógio
Para não ser denunciada na minha pressa.
Rasgo papéis recém escritos
Pelo desaforo de terem sido ultrapassados
Pelo grão de areia que cai da ampulheta.
Quero agora, hoje e sempre.
Mais, cada vez mais rápido.
Até, um dia sufocar,
Abismada,
No meu próprio excesso.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

PASSOS

O som que se seguiu aos passos
Era a fiel execução da pauta
De um choro estridente,
Salpicado por soluços cinza.
Tremores no corpo e
Incompreensão das mãos
Davam amplitude à cena,
Elevando-a a um patamar
Além dos limites da tolerância alheia.
Torciam-se os narizes repugnados
Diante de tamanha agressão.
O desdém haveria de ocupar-se em limpar
O grotesco espetáculo logo, logo.
Os passos, apressados,
Já iam longe...

terça-feira, 18 de outubro de 2011

REFLETE

Tira-me as palavras
Apaga-me a razão
Aquieta-me junto a ti.
Em agradecimento,
Roubar-te-ei todo tino,
Tornando-te leve o suficiente
Para voares comigo
À face oculta da lua...
Entrega-te e confia,
Não irás te arrepender.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

CÔNCAVO

                  Entrou
                 Sem
                Pressa
               Nem
              Pudor           
            Despiu-se    
           Das         
         Roupas        
        E da       
      Alma     
     Mirou-se no    
   Espelho   
  Côncavo  
A sua
 Frente 
  Percebeu  
   Com um   
   Arrepio    
    Todo o     
     Prazer      
      Que se lhe       
       Oferecia        
        Naquela          
         Estranha           
          Imagem            
           Invertida             
            De si mesma
             Entregou-se
              Com vagar
               Ao mais
                Inusitado
                 69...

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domingo, 16 de outubro de 2011

OBSTINAÇÃO

Acordou e saiu à praia junto aos primeiros relâmpagos 
Da mórbida manhã de inverno.
Despiu-se e lançou-se no gélido mar revolto
Nadou como pode por entre as agressivas espumas brancas
E ao som monocórdio dos trovões.
Sentia o frio tomar conta dos seus movimentos, mas
Tinha um objetivo 
E isso lhe bastava.
Não via a hora de encantar-se com a flor que ele lhe havia plantado,
No imenso jardim, do outro lado da costa.
Continuou nadando, na esperança, de que,
De uma hora para outra,
Iria chegar.



sábado, 15 de outubro de 2011

ORDENS

Quero tuas mãos em mim.
Teus olhos em mim.
Tua boca na minha.
Teu corpo no meu.
Não vou aceitar acordos que não contemplem essas cláusulas pétreas.
Assim foge,
Mas foge bem rápido para que eu não consiga te alcançar,
Vou vestir tua alma...

(Reedição)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

PROMESSA

Um dia ainda repito tudo
Com apenas uma cautela:
Ao final,
Vou te engolir por completo
Para ter a certeza que nunca mais
Terás essa ideia infundada de 
Fugir de mim. 

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

CORPO

Fecho os olhos e sou capaz de descrever todo esse mapa que chamas de corpo.
Conheço-te em meus desejos, em meus sonhos e na plenitude dos meus devaneios.
Conheço-te, apesar das barreiras físicas, pois não consegues barrar minha entrada pelas tuas pupilas.
Delirante incursão ao teu íntimo. Invasora, furtiva e, aparentemente, não aceita.
Sigo ponto a ponto, passo a passo pelos vãos da tua consciência.
Brinco pelas tuas complexidades.
Delicio-me com a tua convivência muda.
Quero explorar-te, um dia, não apenas para conferir o esboço que criei, mas para, principalmente, poder compartilhar contigo a pulsante energia dos dias de espera..

(Reedição)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

INFÂNCIA

Fui criança, criança.
Bricava de bonecas, de sapata, de corda e de bambolê.
Ria muito e falava demais (característica que conservo até hoje!).
Comia doces e pão com manteiga na frente da televisão
Vendo o Sítio, claro! (continuo adorando doces, uma perdição!)
Soltava pandorga, andava a cavalo, me sujava de terra.
Cantava, representava e imaginava ser princesas ou balconistas
(achava incrível emitir notas fiscais! Virei advogada tributarista!).
Gostava de cores e músicas.
Tinha um trio que era valorosamente composto por mim, minha irmã e minha melhor amiga
(O Trio das Caturritas, segundo meu avô, pois mais gritávamos do que cantávamos! Sempre fui incompreendida na minha musicalidade nata!).
Tinha eletrola com vários disquinhos de historinha
Que ouvia até a exaustão ou até o sono chegar.
Livros em profusão, cheios de letras e figuras.
Sapatilhas de balé e maiôs rosa com redinha para os longos cabelos da pequena bailarina.
Bicicletas, inúmeras (pois ficavam sempre no sitio de meu avô que foi assaltado 8 vezes .Os ladrões roubavam e o coitado me comprava uma nova. Minha avó dizia que ele estava colaborando com o transporte dos ladrões, que não se cansavam de voltar sempre).
Andava voando no meu incrível veículo de todo jeito, de pé, de costas, sem as mãos.
Tudo isso me dava o direito a multiplas escoriações nos joelhos e cotovelos, regadas a algumas lágrimas.
Adorava brincar de pegar na calçada nas noites de verão,
Apertando uma ou outra campainha das casas da vizinhança.
Saía correndo em seguida para não ser flagrada.
Queria ser astronauta, só para ver além da Terra e voar em um foguete prateado.
Entrava na piscina ou no arroio e só saía  de lá murcha
Depois de muita briga.
Não me preocupava muito que um dia seria adulta,
Isso estava fora de cogitação naquela época.
Fui criança, criança
E acho que até hoje não perdi esse gosto,
Ainda bem!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

PREVISÃO

Ao atravessar a rua
Com os pensamentos vazios,
Fui surpreendida por tua figura.
De um salto fugiste das velhas cartas
Retilineamente colocadas sobre a mesa
Pela decrépita vidente.
Ao te materializares,
De imediato, raptaste-me por teu olhar.
Teus olhos insistentes iam atrás de mim
Arrancando-me sorrisos em cada esquina.
Como peças no tabuleiro,
Seguíamos, ultrapassávamos e esperávamos a próxima rodada.
Tu paraste, eu esperei.
Eu mudei de lado, tu me imitaste.
Rendidos, caminhamos lado a lado
Em um diálogo mudo de mútua atração.
O inusitado se fez
E a surpresa permitiu a troca de palavras por alguns espaços.
Tão logo nos vimos na reta de chegada,
Decidimos que não haveria vencedores.
Nos retiramos do jogo da mesma maneira como o iniciamos
Entendendo, no entanto, que essa atitude
Não era um fim, mas sim
Uma franca oportunidade de uma nova partida
Que não deveria tardar.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

TEMPO

Um dia vai ter passado muito tempo
E tudo assumirá o conforto do sonho bom,
Que nasceu despretensioso,
Sem nunca ter tido a intenção
De ser realidade.