sexta-feira, 28 de outubro de 2011

TROFÉU

Em meio a muita festa e vinho
Ofereceram sua cabeça, sorrindo,
Na decorada bandeja.
O estranho troféu passou de mão em mão
Ao som das gargalhadas de vitória.
Mal perceberam
Que o corpo acéfalo,
Atirado no canto,
Levitava envolto pela mágica bruma,
Translúcida e perfumada,
Daqueles que se sentem aliviados.
Finalmente, poderia seguir seu caminho
Totalmente liberta e esquecida
Do incompreensível peso e desconforto
Que um dia aquela grotesca máscara de ferro,
Mal encaixada,
Havia lhe causado.

5 comentários:

Mery disse...

Oi, ótimo*
"a grotesca máscara de ferro", incompreensível peso e desconforto....

Boa demais essa libertação!
Abraços da Mery*

Paulo Tamburro disse...

GISA, comentar o quê?

Você realmente é de uma competência extraordinária e como é bom tê-la por lá no meu blog.

Muito obrigado!

Um abração carioca.

Quino disse...

Hola Gisa,

Todo un recorrido de magia y embrujo que destilas estos versos.

Neijos dende Galiza.

Blog do Óbvio - Manoel disse...

Gisa, adorei! A liberdade do desconforto com terrível dramaticidade.
Beijos no coração.
Manoel.

Nilson Barcelli disse...

Desconcertante e brilhante.
Gostei do teu poema.
Beijos, Gisa.