quarta-feira, 19 de outubro de 2011

PASSOS

O som que se seguiu aos passos
Era a fiel execução da pauta
De um choro estridente,
Salpicado por soluços cinza.
Tremores no corpo e
Incompreensão das mãos
Davam amplitude à cena,
Elevando-a a um patamar
Além dos limites da tolerância alheia.
Torciam-se os narizes repugnados
Diante de tamanha agressão.
O desdém haveria de ocupar-se em limpar
O grotesco espetáculo logo, logo.
Os passos, apressados,
Já iam longe...

15 comentários:

Dilmar Gomes disse...

Amiga Gisa, poetisa de talento, tu arrancas a seiva das palavras e compões belos quadros poéticos.
Um abração. Tenhas um lindo dia.

A.S. disse...

Há passos apressados, que na urgência da fuga, se perdem no caminho...

Beijos,
AL

Dja disse...

Oie lindona.

Tem horas que certas coisas, nos fazem correr, sem nem mesmo olhar pra trás.

beijos querida.

Marinha disse...

O choro estridente mantem-se audível para além dos passos que vão longe.
Bjo, querida.

Dois Rios disse...

Sim, há passos que rabiscam a vida ao invés de desenhá-la.

Lindo, Gisa! Como sempre!

Beijo,
Inês

iglesiasoviedo disse...

Los pasos antecedente del llanto. El acercamiento y el contacto con el dolor y la pena. Los pasos que nos permiten huir, escapar de esta.
Los pasos deseados son los que nos acercan a la felicidad, a la persona amada y deseada, esos son los pasos queridos, esperados.
Un enorme beso.

Julie disse...

Los pasos nos llevan siempre lejos... Muy bello poema, como siempre. Mi cariño.

Rô... disse...

oi Gisa,

a passos largos,
vamos caminhando na estrada
da vida...
e aprendendo com as pedras no caminho...

beijinhos

Palavras disse...

Momentos em que o coração perde completamente para a razão...
e o insano conduz as atitudes!!!

Bjs Gisa querida!

andrebdois disse...

Gisa, vc é pura inspiração!! parabens! :)

Sérgio Pontes disse...

Muito giro, gostei

Beijinhos

Rogério Pereira disse...

Os passos
não eram meus
(me movo muito acima do chão)
O choro
não era meu
(choro com gritos da alma
e meus soluços são vermelhos)
Esse corpo que tremia
não era meu
(meu corpo não treme, vibra)
Nenhum dos narizes repugnados
era meu
(meu nariz é imune à repugnância)
O desdém
também
não era meu
(o meu mancha o grotesco
nunca lhe ocultaria o espectáculo)

Tenho pena
mas também não eram meus
os passos que se afastavam de tal cena

(mas doi-me que tal tenha acontecido
a alguém que me é querido)

Vera Lúcia disse...

Olá Gisa,
Sua poetar é divino.
Parabéns pelo dia dos poetas.
Beijos.

Fanzine Episódio Cultural disse...

Donzelas do Apocalipse

Sem pai, sem mãe,
Sem leite materno...

Seu estômago vazio
Pediu por comida:
Com uma arma carregada
Roubou uma vida.

Escondia-se na escuridão,
Disfarçava-se na luz.
Foi a uma igreja...
Rezar, pedir perdão?
Não! Para roubar um pedaço de pão.

O mundo o condenou.
Amor e carinho
Jamais encontrou.

A sociedade o execrou,
A margem da vida o adotou.
Foi condenado a percorrer
Um longo e tortuoso caminho:
O seu exílio.

Mas, não estava só!
De ambos os lados,
Lindas e afrodisíacas donzelas
O seguiam:

A angústia e a fome
A solidão e a morte.

Do livro (O ANJO E A TEMPESTADE) de Agamenon Troyan.
Contate o autor:
MSN: machadocultural@hotmail.com
Skype: tarokid18
E-MAIL: machadocultural@gmail.com

OceanoAzul.Sonhos disse...

Gosto de te ler, muito.
abraço
oa.s