sábado, 6 de setembro de 2014

FANTASMA

Entendeu-se em solidão.
Buscou a forma mais harmoniosa,
Meticulosamente planejada,
E ocupou o centro da sala
Em sua cadeira de alto espaldar.
Mãos no colo,
Cabelos alinhados,
Vestido impecável,
Olhar vago.
O processo foi lento.
Ao final, já como retrato
Em preto e branco,
Foi descoberta pelos olhos curiosos,
Jazendo no chão do ambiente.
Recolhida com cuidado,
Foi encerrada nas quatro arestas
Do pequeno quadro 
Pendurado na parede.
Seguiu, soberana de si,
A assombrar aqueles que
Teimavam em se julgar
Felizes.

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