domingo, 22 de março de 2015

MEU PAI

No primeiro amanhecer do outono,
Cobriu-se de luz e partiu.
Deixou para trás
A rota veste
Desgastada pelos anos de uso
E abusos da vida.
Foi cantando e sorrindo,
No seu jeito bonachão inconfundível
De boêmio
Que está chegando
Para mais uma noite de festa.
Que tragam a cerveja!


Meu pai partiu ontem
E acho que foi exatamente assim...
E os anjos que se preparem, pois,
Segundo ele, "viveu tudo que pode
E morreu contrariado".
Fica bem, pai.
Fico aqui, com a lembrança.
Amém.

6 comentários:

Carmem Grinheiro disse...

Ah, Gisa,
Me emocionei, porque me emociona sempre uma partida.
«viveu tudo que pode
E morreu contrariado» - belo epitáfio: bom terminar o percurso com esta convicção.
A ti, nem sei que diga, não há nada que se diga que transforme tal dor em dor menor. E dum pai, "quando é Pai", é falta que fica e que tempo não colmata.
O seu poema é bela homenagem a quem conheceu por dentro.

um bjo amigo no seu coração

Ivone disse...

Lindíssimos versos de despedida, não pude deixar de me emocionar, pois é mesmo assim, acredito que todos nós iremos "contrariados", pois viver aqui na Terra é bom demais!
Deixo o meu carinho e abraço apertado para poder, quem sabe, te reconfortar um pouquinho!

Rosemildo Sales Furtado disse...

Oi Gisa! Sinto muito pela partida do senhor seu pai. Que DEUS lhe receba de braços abertos, lhe ponha no colo, lhe abençoe, lhe proteja e lhe ilumine em toda a sua trajetória. Belo poema! Linda homenagem!

Abraços,

Furtado.

Rogerio G. V. Pereira disse...

Não o sabendo
repito
o que ontem deixei dito

Infinito,
Esse é o lugar da nossa pertença e destino

Um beijo, solidário

JOSE MANUEL IGLESIAS RIVEIRO disse...

Mi mas sentido pésame.
Ahora esta en ese lugar donde le esperan todos los sueños no cumplidos.
Un beso

MARILENE disse...

Gisa, fiquei sabendo de sua perda por um comentário no blog do Rogerio. Seus versos mostram um homem da alegria e poucos podem dizer ter vivido tudo que podiam. Lamento a partida dele. Sinta-se abraçada. Bjs.