terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

PRESA

Olhou para o horizonte.
Calculou distâncias e velocidades
Na fração de segundos.
Subiu a ladeira mais íngreme
E deslizou sua vitalidade e juventude,
No asfalto gris,
Com sua prancha de quatro rodas
Desenhando trilhas no calor do atrito.
Rasgou a paisagem e lançou-se no vácuo
Pelas bordas irregulares da liberdade
Emitindo provocante faixo de luz.
Ficou suspenso na teia da negra aranha
Que vinha a passos lentos e dançantes
Apoderar-se de mais aquela presa.
Fitaram-se nos olhos com determinação e ousadia.
De imediato,
Surgiu a dúvida:
Quem seria devorado afinal?
Estouram os champagnes e rompem os violinos.
Cai o pano.

9 comentários:

Dilmar Gomes disse...

Ufa!
Continuas criativa como sempre.
Um abração. Tenhas uma linda semana.

Natália Campos disse...

Imaginei um cenário todo com este teu poema. Adorei, Gisa. Beijos!

ANTONIO CAMPILLO disse...

Aspectos reales y sensaciones se entremezclan con retazos de juventud. Más sabrosos cuanto más jóvenes.

Un fuerte abrazo, Gisa.

iglesiasoviedo disse...

Imaginación, deseos, sueños, sensaciones, recuerdos y un escenario fantástico.
Besos.

Rogério Pereira disse...

PIZZICATO

Sobe o pano
Lento
e a cena se apresenta
com os dois se aproximando
O sons dos violinos
retomam, soando
e eles param a aproximação
e vão, languidamente, rodando
prolongando a dança
Por uns momentos ninguém
soube dizer, com rigor
qual a presa, qual o predador
E assim ficaram, minutos infindos
perante o olhar de um público tenso, entusiasmado
De repente, sem se esperar, ele é devorado
Cai o pano ao som de um frenético pizzicato que dura até que todas as luzes da sala se acendiam
Nos rostos os espectadores
está estampada a surpresa daquela cena que não compreendiam

@ Escritora disse...

Esta presa deixou minha imaginaçao livre...

Bjos

Richard Moisan disse...

C'est une réflexion sur la vie. Pourquoi pas le début d'un sénario?
Tu devrais écrire plus longuement, Gisa.
Tu es douée pour l'écriture avec, en plus, une imagination débordante.
Bravo et bonne journée!

OceanoAzul.Sonhos disse...

Magnifico cenário Gisa.
bjs
cvb

Carla Ceres disse...

Esse nem é teatral, Gisa. É cinematográfico. Brilhante! Beijos!