quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

RESTOS

Da explosão de palavras
Restaram cacos de sentimentos
Meticulosamente varridos para os vãos do assoalho
Por sobre os quais foi deitado o lindo tapete vermelho.
Passou-se o tempo
E a prática prosseguia.
Naquela manhã,
Após a habitual fúria,
Percebeu que não haviam mais cacos para varrer.
Entendeu rapidamente que eles não mais existiam
Por não haver mais o que quebrar.
Concluiu que estava livre.
Levantou o tapete e reuniu todos os mínimos pedaços
Que pode encontrar.
Colocou-os na pequena bolsa de viagem.
Partiu feliz.
Aquela missão já fora cumprida.
Ainda bem!

17 comentários:

Mª LUISA ARNAIZ disse...

Antonio Machado quería partir de este mundo "ligero de equipaje". Creo que es el mejor talante para cualquier despedida. Saludos.

Rô... disse...

oi Gisa,

as vezes amanheço juntando
os pedacinhos também,
penso ser uma prática feminina...
a sensibilidade nos comanda as atitudes...
muita verdade nas suas palavras!

beijinhos

Malu disse...

Depois da tempestada volta-se a calmaria!!! E sempre será assim... vivemos por fragmentos de momentos e vamos então construindo a colcha da nossa VIDA!!!
Abraços, minha amiga!

Marinha disse...

Gisa querida, voltaste com a corda toda mesmo! Cheia de vida e inspiração, hein.
Bom te ter de volta!!!
Bjo

Rogério Pereira disse...

ATRÁS DE RESTOS

Sabia ele
do poder das palavras
do que elas geram
do poder que possuem
como rebentam,
como explodem ou implodem
sem que seus fragmentos percam significado, no seu mais ínfimo bocado,
Ele tinha a certeza que se encontrados os restos as palavras bem podiam ser reconstituídas
nas suas formas primitivas
se trabalhado o restauro
por mãos carinhosa e artesãs como as suas...
Sabia disso e por isso
entrou naquele espaço
procurando os cacos.
Foi a todos os cantos, e nada
De baixo do tapete vermelho, e nada
Apercebeu-se então que aquele suave perfume
significava apenas que ela ali estivera e partira, antecipando-se.
Encolheu os ombros, procuraria, não os restos, mas as palavras inteiras que restassem no fundo da sua memória. E ela que não pensasse que a missão estava terminada... porque não estava. A ele competia mostrar-lhe isso.

Richard Moisan disse...

Cela me rappelle des souvenirs... L'imagination ne te manque pas, Gisa! :-)

Richard Moisan disse...

Cela me rappelle des souvenirs... L'imagination ne te manque pas, Gisa! :-)

@ Escritora disse...

Pela vida vamos juntando nossos pedaços, parece até que não tem fim.

Gostei demais!

Bjos

Flor de Jasmim disse...

Intenso minha amiga!
Nossas vidas são compostas de pedaços de muitas coisas.

Beijinho e uma flor

Flor de Jasmim disse...

Intenso minha amiga!
Nossas vidas são compostas de pedaços de muitas coisas.

Beijinho e uma flor

Fê-blue bird disse...

Minha amiga:
Muitas vezes é preciso fazer esta "limpeza" e recomeçar limpa e feliz.
Adorei como sempre!

beijinhos

Blog do Óbvio - Manoel disse...

Gisa, terá outras missões?
Beijo carinhoso.
Manoel.

ANTONIO CAMPILLO disse...

Cuando casi todas las palabras encajan, unas pocas, rebeldes, pretenden quedar quietas e inanes.
Pueden ser tan importantes como las que se han dejado unidas. Pero son pocas, muy pocas. Han ido cayendo desde el escritorio debido a su levedad.
Serán el liviano equipaje del que quiere partir sin él.

Un fuerte abrazo, Gisa.

Hugo Nofx disse...

Quem me dera reunir todos os meus cacos...
bjs.

OceanoAzul.Sonhos disse...

Cacos de sentimentos... triste quando nem os cacos sobram.

Magnifico, como sempre Gisa
bjs

Andradarte disse...

Por vezes é preciso para seguir em frente....apanhar os cacos....,virar
a página...mesmo que doa.
Beijo

Carla Ceres disse...

Oi, Gisa! Por mim, os estilhaços poderiam ficar onde estavam. Eu iria embora sem eles, voando no tapete. :) Beijos!