domingo, 22 de maio de 2011

PORTA-RETRATO

Capturei-te em um flash rápido e fugi.
Entrei na sala escura e revelei a fotografia
Tomastes forma, sorrindo, pouco a pouco, diante dos meus olhos
Pendurei-te para secar, impassível, senhor da situação.
Peguei uma tesoura e te desfiz em mil encaixes
Misturei atentamente as peças
E guardei-as em uma caixinha de metal prateado
Toda noite, antes de dormir, pego um pedacinho
E colo no antigo porta-retrato.
O dia em que terminar a montagem
Será que vou me lembrar
O porquê de tanto trabalho?

12 comentários:

megi disse...

beautiful poem !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Thank you,Gisa

iglesiasoviedo disse...

Como siempre un hermoso, especial y inteligente poema.
Capturada en la oscuridad del cuarto oscuro de la foto, capto tu sonrisa, afortunado el que la posea, lo que daría por ella.
Tenerla cerca, poder mirarla y disfrutar de ella.
Me gusta soñar, sentir e ilusionarme.
Un beso.

Rogério Pereira disse...

Senti uma luz intensa, me envolvendo. Parecia um flash, mas não era, pois de pronto me senti um pouco tonto. Olhei a tempo de ver um vulto esbelto e ágil escapar-se entre a folhagem. Cambaleante, percorri o pouco caminho para chegar ao apartamento onde, depois de entrar só descobri forças para me deitar. Estiracei-me e quando me sentia melhor, aconteceu o pior. Como se um frio aço cortante me penetrasse, senti-me… desmembrado, o tronco em dez separado um olho, para cada lado, a orelha esquerda atirada, como que anavalhada, para junto do pé direito e arrancado o meu coração de dentro do que me restava do peito. Estranha a ausência de dor. Nem dor nem sangue e, contudo, tinha o corpo em estilhaços decomposto em mil pedaços. Só pode ser magia. Feitiçaria vudu, feita por feiticeira malvada e sofisticada pois de tal prática nunca me tinha sido dado a conhecer, quanto mais acontecer. O tempo ia passando e, para espanto meu, bocado a bocado ia sendo montado. Reconstruído sem vestígios de mutilação, sem cicatrizes nem arranhão. À última parte de mim. Vi-me ao espelho. Não pode ser. Onde devia estar o nariz… estava lá o… joelho. Então tudo ficou explicado: só a Gisa me poderia ter assim transfigurado...

Inaie disse...

lindo Gisa...

Richard disse...

Quand on aime, on ne ménage jamais sa peine.
Bon début de semaine, Gisa!

Andradarte disse...

Estar ocupado...não é tempo perdido....Se a máquina fosse digital....este poema não era
possível...
Abraço

wcastanheira disse...

Um belo momento, uma postagem inteligente, por isso é tão bom passear por aqui, pra vc bjos, bjos e bjosssssssssssss

Maria selma disse...

Oi amiga,quem sabe....tudo é possível....
lindo dia para você,beijos

Marinha disse...

Acho que quando terminares a montagem, estarás tão ocupada com o resultado que nem lembrarás o motivo do desfazer e refazer da vida (a dois?).
Bjo e uma semana de fotografias de paz e amizade.

Carla Ceres disse...

Talvez você crie novos motivos durante a reconstrução. Beijos!

ϟ Cynthia Brito disse...

Oi Gisa, vi que já me segues! Que coisa boa!
Obrigada pela visita!

Fica na paz!
Beijos.

Mariolino disse...

ognuno ritaglia come può.
Ciao, abbracci e baci dall'Ialia