segunda-feira, 29 de agosto de 2011

ESPETÁCULO

Com as sapatilhas nos pés sentia-se outra.
Entrelaçou a fita rosa nos tornozelos e testou as posições.
Ajeitou a saia e a tirara com o coração aos pulos.
No palco, a cena inicial já se desenrolava.
A música fluía leve e ela preparava-se para a sua deixa.
O acorde certo foi dado.
Invadiu o palco e fez-se perfeita.
Dançou com a alma exposta até o final do seu solo.
Aplausos e gritos de "Bravo!"
Agradeceu e despediu-se.
No camarim, 
Enquanto preparava-se para sair, 
Sentiu a falta de algo.
Não ligou.
Sabia que não a convenceria da obrigação de retornar.
Ao menos,
Tinha certeza que na próxima apresentação ainda a encontraria por lá.
Sorriu e foi-se embora.
No palco escuro, ainda via-se uma sombra,
Bem no meio.
Olhando-se melhor,
Era possível perceber que lá estava alguém
Firme e na sua mais bela ponta.
Fixando-se melhor os olhos
Vislumbrava-se a alma
Aguardando, pacientemente, a música voltar a soar,
As luzes derramarem-se sobre ela.
O espetáculo haveria de reiniciar,
A qualquer momento.

14 comentários:

Olga disse...

There is always something special for me here :) Thank you for sharing your talent with us!

Richard Moisan disse...

La magie de la scène. Quoi qu'il arrive, le spectacle continue.
Jolie histoire Gisa!

Paulo Francisco disse...

Aqui sempre textos bacanas. Gosto do que leio por aqui e está cada vez melhor.
Um beijo grande

Rogério Pereira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rogério Pereira disse...

O reinicio tardava
Os minutos passavam,
pois o tempo não hesita
e avança, deixando
o prolongado intervalo
entrar pela assintência
criando-lhe justificada impaciência
O dono do teatro, no camarote,
fez gesto de arranque ao director de orquestra
e os fagotes arrancaram desafinados
O operador de luz, desatinado,
não acertava a marcação
ao primeiro movimento dela
Do cenário caiu o pano principal
deixando mostrar uma estranha tela
tendo pintado
sobre um fundo esbranquiçado
um rosto de terror
A sombra, não podia deixar correr
o que estava a acontecer
com a assistência já em ruidosa pateada
e ela, confusa, à beira de ser vexada
Ergueu-se a sombra e entrou no palco
com um salto espectacular e acrobático
ao som da musica, quase dodecafónica
Ela, surpresa, entregou-se ao improviso
Deram-se então os corpos, o da sombra e o dela
a um dançar inimaginável,
nem belo nem seu contrário
mas nunca visto, criativo e extraordinário
A sobra levava-a
ela deixava-se levar
e foi assim até acabar,
com a sombra a sair como entrara...

A plateia em extase aplaudiu
e a sombra não apareceu para agradecer
saiu
para não mais se ver

(O teatro chama-se Paraíso
e conta-se quando em tempos alí havia ópera
um fantasma por ali fez história)

Malu disse...

Vim conhecer suas páginas, pois o Ricardo Calmon deixou estampado nas páginas dele o quanto seu espaço é belo e ele está coberto de razão.
Adorei passar por aqui, Gisa.
Abraços

Flor de Jasmim disse...

Gisa
Deslumbante.
Beijinho

Flor de Jasmim disse...

Deslumbrante!!! era o que eu queria escrever. Desculpa

Silenciosamente ouvindo... disse...

Os seus textos sempre me prendem e fico
a refletir neles.Portanto são importantes
para mim. Um beijinho/Irene

Ricardo Calmon disse...

Teve jeito não,Gisa amada amiga fraterna, aussi surrupiei poema esse e inseri naquela braçada de girassois, em forma de post, que a voce dediquei com mui amor!

bzix
El Ricca de La Mancha
Vive La Vie

Dja disse...

Lindona ... lindona

Que posso dizer: Perfeito, lindo, deslumbrante, chegamos até ver, ouvir, sentir o olhar ...


te adoroooo


Amo o Rogério, perfumando seus poemas rssss
Ele é um amor.

Beijos lindona.

Maria selma disse...

Ali estava sua alma,
lindo poema,
beijos,,

nacasadorau disse...

Pela mão do amigo Ricardo, aqui chego, na esperança de merecer a sua amizade também.

O poema é maravilhoso.
Parabéns

Evanir disse...

Querida vim te deixar um beijo desejar uma linda semana.
Creia você é muito especial para mim e para Deus
desejo muitas bençãos para vc nessa semana .
Bjs,Evanir