segunda-feira, 22 de agosto de 2011

EXPERIÊNCIA IMPERDÍVEL



Odeio campo, vacas pastando e passarinhos em algazarra. Nada mais deprimente que uma cigarra cantando, até mesmo porque eu sei que ela vai estourar de uma hora para outra. Coaxar de sapos me metem medo, não, melhor, pânico.Detesto sapos desde o dia que fazendo a cama em uma fazenda uma perereca pulou na minha coxa. Sinto até hoje o gelado viscoso do seu corpo colado em mim, um nojo! Quando determinei que vasculhassem o quarto a procura da louca para dar cabo de sua vida anfíbia, a mulher do caseiro me disse: “ Ah, não vai dar, porque se matar vai chover muito!”. “Que caia um dilúvio!” – pensei de imediato, mas me resignei com pena do animal, afinal ele poderia estar me pedindo ajuda para ir embora daquele inferno verde com aquele insuportável e sufocante ar puro e eu, totalmente insensível, não entendi a súplica.

Sou essencialmente urbana. Amo cidades. Quanto maiores melhor! Adoro a pressa do dia, a correria. Seduz-me a ideia de atravessar aquela densa nuvem de pessoas que se acotovelam nas ruas de grande movimento. Carros, buzinas, gritos de vendedores ambulantes. Barulho, muito barulho. Poluição sonora com todos os malefícios que dizem que causa. Gosto. Caminho sem pressa só para aproveitar cada pedacinho que ali se expõe. Cartela inesgotável de sensações. A energia que colho é absurdamente prazerosa. Sinto-me inflando com o atrito das cargas positivas e negativas que percorrem meu corpo durante o percurso. Elas vêm de todos os lados entrando em mim pelos poros conduzindo-me ao frenesi do êxtase de um sonho bom.

O sol fica mais colorido em uma grande cidade. Dias de verão, por exemplo, ficam mais iluminados por roupas que refletem uma paleta diversificada de cores, bom gostos e mau gostos. Divertido é olhar. Dá a impressão que o caleidoscópio quebrou e as peças, atordoadas com a amplidão, tentam buscar algum encaixe que ainda não descobriram. O cinza das tempestades, com sua cara feia de tristeza, consegue até sorrir quando manda para baixo toda aquela água e encontra uma festa de sombrinhas multicoloridas passeando acima do chão. Caminhar embaixo de muita chuva em um grande centro é uma experiência e tanto, principalmente quando a calçada escorrega. Lembro-me que quando criança brincava de “patinação no gelo” tentando me defender dos pedestres-obstáculos que se materializavam na minha frente. Pinball?

E o trânsito? Engarrafado como deve ser. Dá tempo de ver os prédios, os parques, os cachorros, os transeuntes e soltar a imaginação. Invariavelmente grito alto, a plenos pulmões quando estou dirigindo. O isolamento do carro em meio ao mundo de metal dormitando nas largas avenidas repletas, confere a impessoalidade ideal para a atividade. É bom, libera energias e dá uma certa leveza no peito! Os ônibus lotados também são um meio de transporte interessante. Pontas de conversas daqui e dali. amigos de ocasião ou simplesmente a mudez absoluta com o silêncio interior – quando não há uma música de explodir os tímpanos como companhia.

Assim caros amigos crédulos e incrédulos acerca das palavras antes expostas, se algum dia alguém desejar um incrível passeio tomado de emoções fortes e impactantes sugiro um grande centro com as suas inúmeras personalidades sem rosto, seus problemas, sucessos, falhas e belezas. Recomendo uma única aplicação, em doses cavalares direto na veia, só para incrementar o frisson do inusitado gosto que, com certeza, surgirá em todas as bocas.

17 comentários:

Ricardo Calmon disse...

Minha Pessoa Amiga Amadérrima:

Em narrativa tua acerca do embate avec la pererec,me mijei de rir,desculpe,coisas da idade terceira,embora cheguei a arrepios ter,quando voce quase a dizimou,tadinha,me eleva,muito,cada mais vezes, te sorver,de escritos teus através, desde há um mes tornei-me abstemio por perceber a terceira idade me pegar de sopetão, nesse iniciar de semana,após mais um lúdico encontro Internet com Leila,do blog Palavras, de Divinópolis Minas Geraies oriunda, um almoço me ofereceram avec ma muse, com mais um mineiro casal, foi ótimo, produzirei um post a respeito, aparte isso,chez moi permanecido tenho, em resguardo desse parto da terceira idade,difícil de parir,aff marie, além de muito trabalhado ter, graças a Ele!

bzuz girassolicos nessa bochecha, maçã quase!

viva la vie

te amo,pessoa amiga querida

Richard Moisan disse...

Quelle imagination fertile, as-tu, Gisa! Chaque jour, tu nous montres la vie et nous fais réfléchir. Tout est intéressant dans ce que tu nous proposes. Merci!

Carla Ceres disse...

Gisa, o primeiro parágrafo é imperdível e tem tudo a ver comigo. Os demais batem uns 50%. Beijos!

Déya disse...

kkkkkkk Ai Gisa querida minha, sinto em descordar
mas adoro o campo, amo-doro o mato... rsrrs
Cidade grande não me fascina de jeito nenhum..

Mas confesso que não gosto de sapo srsrs
pererecas não me atraem kkkkk..

um beijo minha amiga querida...

Lufe disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lufe disse...

Gostei da sua corajosa declaração, para alguns ecologicamente incorreta, de um bicho fundamentalmente urbano.
Os “ecochatos” que a perdoem.
Nada de cachoeiras, montanhas, vales ou campinas.
Passarinhos, nem pensar!
Uma ode aos prédios, ao asfalto e ao concreto, às emanações de Co2 e ao odor do povo que a embriagam.
Te inebriam os pombos e os pardais, o trinado das buzinas e o arrulhar das sirenes, além, é claro, do “orgânico” cocô de cachorro nas calçadas.
É simplesmente uma questão de gosto, de opção.
Mas tenho que confessar, que eu gosto das pererecas, sejam elas urbanas ou rurais.
Não entendo o porque do asco.
São tão bonitinhas.....rsrs

bjocas

Andradarte disse...

Já eu...adoro o campo...Logo que pude...mudei-me de
armas e bagagens, para um sítio calminho.....e
não foi por causa das pererecas....que eu adoro...
sejam elas citadinas ou campestres....
Beijo

Rogério Pereira disse...

Tem toda a razão
Cidade sim
Campo não
Entre a vaca
e o semáforo
este perfiro
até porque tem 3 cores
e é mais "giro"
e a vaca?, se malhada não fôr
tem, coitada, uma única cor...

Mas, (há sempre um mas)
Já lhe ocorreu
que aquele sapo safado
podia ser um principe encantado?
(que até podia ser eu...)

Cores da Vida... disse...

Sou extremista, rs. Gosto de ambos. Contudo, não faço votos nenhum para voltar a morar (morei 04 anos, nessa minha "amada" Capital. Hoje, optaria pela "Capital do Vale", como eu apelidei São José dos Campos) em São Paulo (assaltos, enchentes,...), somente se houver muita necessidade (o que desejo que não ocorra). Por sua vez, também não possuo a mínima vontade de morar no campo, num sítio, que seja; apesar de amar a natureza e todos os seus bichinhos.

Ou seja, está bom onde moro...

Beijos,

Flor de Jasmim disse...

Gisa
Tenho uma casa na cidade, no entanto vivo numa quinta no meio do campo, não existe nada melhor que é acordar todos os dias ao som de toda a espécie de pássaros, enquato poder não trocarei este belissimo horizonte da Natureza, os meus 8 gatos e a minha cabrinha pela cidade.
Beijinho

Paulo Sotter disse...

Oi Gisa, muito interessante o texto. Excelente argumentação. É tua maneira de ver e tem sim que apresentá-la. Parabéns por posicionar-se assim claramente. Quanto a mim gosto de campo e gosto de cidade. Acho interessante estar acompanhado no ambiente bucólico do campo e estar absolutamente sozinho em meio a multidão da cidade. Me confesso um prato cheio para qualquer psicanalista de plantão. Abraço!

Sérgio Pontes disse...

Também achei interessante a tua opinião.

Beijinhos

Juju Porcino Loureiro disse...

Amei o texto.
Disse que gosta da "agitação" dos grandes centros e ainda deu sua poética explicação. Parabéns!

Malu Machado disse...

Eu prefiro o campo, desde que possa usufruir da cidade vez em quando. Prefiro ouvir o silêncio, não gosto de festas com muita gente. Prefiro os papos em grupos menores. Mas, o que seria do azul se todos preferisse o vermelho?

Catia Bosso disse...

Gostei do seu lado 'escrevo oque sou' ...

Lindo isso!

bjs meus

Sonhadora disse...

minha querida

Gostei de saber mais um pouco de ti...eu também gosto da cidade...o campo só de vez em quando, por graça.

Deixo um beijinho com carinho
Rosa

Dilmar Gomes disse...

Amiga Gisa, tu já lestes o grande cronistaRubem Braga? Pois, então, teus escritos são dignos dele! Menina, tu escreves muito bem. Um grande abraço. Tenhas uma linda semena