sexta-feira, 10 de junho de 2011

CORRESPONDÊNCIA

Derramei a última lágrima e a guardei em uma redoma de vidro.
Joguei alguns véus por cima para que ficasse bem oculta no canto mais sombrio da sala.
Sai fechando a porta e as janelas com cuidado.
Tranquei tudo e escondi a chave embaixo da pedra à direita da árvore torta no início do caminho.
Fiz um mapa detalhado de tudo, coloquei no envelope, enderecei a mim mesma, selei e depositei-o na  caixa de correios que pendia ao lado da casa.
Afastei-me sorrindo, leve.
Esperava nunca mais ter que abrir a correspondência...

12 comentários:

Rogério Pereira disse...

Foi-lhe fácil entrar
Com a chave que os deuses lhe tinham dado...
Era a segunda porta a franquear desde que dos confins do tempo fora chegado
Dentro, olhou em redor
com olhos habituados
a espaços mal iluminados
Gostou do que foi vendo, até que viu
num canto mais sombrio
um emaranhado de véus coloridos,
Desenlaçou o que encontrou
e deu com uma redoma
e dentro dela
um cristal de sal, em forma de estrela
Resto de uma lágima, foi o primeiro pensar
Nela pegou com cuidado
e iniciou a tarefa de a dona da lágrima procurar
decidido a procurá-la por todo o lado

Anda por aí procurando
entre os dedos cautelosamente segurando
restos da lágrima, em forma estrelada
daquela que já considera sua muito amada

wcastanheira disse...

Beijinhos pra poetiza Pelotense, é muiiiito bom passear aqui e encontrar estas pérolas q vc deixa para cada um de nós, pra ti guria bjos, bjos e bjosssssssssssssssss

Eva BSanz disse...

Invadimos el silencio entre gemidos y apoderados por el extasis morimos, morimos para...

Continuidad en el blog, gracias si decides visitarme y seguirme.

Mi beso

CHIICO MIGUEL disse...

Que sorte ter eu ficado no 3º lugar, assim fica mais fácil de você me ver (ler). Muito bom seu comentário ao meu estudo crítico do livro da escritora portuguesa Maria Helena Ventura. Depois que você leu meu trabalho e comentou eu coloquei um pequeno trecho do romance com indicação do endereço da editora em Portugal.Você não se arrependerá de ler esse grandioso romance "cidadão Orson Welles".
Aliás, com a imaginação que você tem a competencia em manejar a língua poeticamente, criativamente, por que não escreve um romance? Eu já escrevi 5 e publique 4.
Beijos, minha amiga
do francisco miguel de moura

Misturação - Ana Karla disse...

Essa correspondência não faz bem.
Gisa você encanta demais.
Bom final de semana
Xeros

Arnoldo Pimentel disse...

Muito bom seu texto, sempre chega o momentos de deixar de lado o que passou e nem mesmo lembranças devem ficar.Beijos

Bergilde Croce disse...

Não deve ser fácil esse tipo de decisão,mas também não sou do tipo chegada em remoer as coisas do passado,particularmente prefiro jogar fora a chave e nunca mais procurar.
Abraços,

 [christian.yamao] disse...

Hola, te invito, si te interesa, a seguirme por FB http://www.facebook.com/pages/purosgarabatos-christianyamao/103661969727142 . saludos

MARILENE disse...

Tem um opção, o que é bastante significativo.
Bjs.

Pedro Coimbra disse...

Muito bonito, Gisa.
Que não necessite mesmo de abrir mais essa correspondência.
bjs

Marinha disse...

Tuas construções são tão reveladoras e cinematográficas, Gisa! Em textos curtos revelas a complexidade da vida. Gosto muito de teus textos, amiga!
Bjo e uma semana de paz pra ti.

Dois Rios disse...

Lindo, Gisa! Ainda que eu pense que jamais devamos guardar as lágrimas em redomas de vidro. As tristezas são "correspondências" que devemos esquecer na caixa de correios.

Beijo,

Inês