domingo, 5 de junho de 2011

PIPA

Papel fino colorido, algumas varetas, cola e pano. Sentou-se no chão de terra batida e começou o trabalho, cortou, dobrou, colou e amarrou. A pipa foi surgindo pouco a pouco em suas hábeis mãos. Pronto, tudo no seu devido lugar. Restava, agora, o teste final. Subiu no alto do prédio no dia ensolarado. O vento lambia seu corpo franzino e quase o levantava. O tempo está ideal, pensava. Segurou firme o barbante com uma mão e a pipa com outra. Começou a correr e logo sua obra enfeitava o céu. Ficou embaixo, admirando-a com um olhar fixo e a boca aberta. Não queria perder a hora em que os anjos pegariam seu bilhete de socorro, amarrado na cruzeta que sustentava o brinquedo. Tinha cansado da vida e este era o seu derradeiro ato para tentar voltar a acreditar que um dia poderia ser feliz.

19 comentários:

Paulo Francisco disse...

Nossa! Sem palavras.
Um beijo grande

Sam. disse...

Que lindo, Gisa!
Adoro quando leio versos e textos que colocam encantamentos nas coisas simples da vida!

Um beijo, querida!

Richard disse...

Ce sont des petits riens qui, bien souvent peuvent éclairer la vie. Et puis, faire voler ce cerf-volant seul, pourrait être triste, mais s'il est regardé par une autre personne, le symbole est alors complètement différent.
Bonne fin de journée, Gisa!

Cristina Lira disse...

Muito sábias tuas palavras..
bjos e boa semana...

Letícia Nunes disse...

Comovente pedido Gisa!
Beijos e um ótimo domingo amiga!!

iglesiasoviedo disse...

Poético relato, un poco triste mostrando lo cotidiano de la vida humana, sus anhelos y sus pesares. Todos buscamos lo mismo la felicidad, lo intentamos una y otra vez, pero es difícil. Para cada uno es una cosa distinta, conseguir algo, vivir con el amor querido etc.
Como, cuando, donde, quien lo sabe.
Un gran beso.

F.H.Canata disse...

Olá Gisa!

Passei pra retribuir a visita e adorei seu espaço, a começar pelo nome do blog!
Ficarei e voltarei sempre!

Abraços e boa semana!!

Olga disse...

É uma escrita fascinante e instigante que você tem aí. :) Como de costume, eu posso vê-la mesmo em frente dos meus olhos.

wcastanheira disse...

Voltar a ser feliz, brincar, soltar pipa ou pelo menos estilizar esta delicia qé dxar a vida transcorrer leve, pra vc bjos, bjos e bjosssssssssss

Vera Lúcia Duarte disse...

Gisa,

Senti tristeza ao ler o seu belo texto. A mensagem é muito condizente com a situação de vida de muitas crianças deste mundão.

Você sumiu, hein?

Beijo e uma noite de paz para você.

Sérgio Pontes disse...

Gostei de ler. Beijinhos

OceanoAzul.Sonhos disse...

Texto tocante.
Grande abraço Gisa.
oa.s

Vieira Calado disse...

É sempre possível.
É preciso acreditar.

Bjjsss

Marinha disse...

Os anjos leem nossos bilhetes, mesmo os que não chegam à porta do céu amarrados em pipas construídas com a energia intensa de quem pede socorro.
Bjo a um lindo final de domingo, Gisa.

Pierre BOYER disse...

Very nice...

Pierre

Arnoldo Pimentel disse...

Bastante profundo o texto, sempre existe a esperança que os anjos nos ouçam.Beijos

Por que você faz poema? disse...

Os anjos nunca alcançam as mensagens de socorro,
quem deveria nunca recebe a mensagem da garrafa.

Quino disse...

Un genial relato donde mezclas lo poético y la esencia humana a través de muchos sinsabores. Pero una narración que prende al lector. Bien realizada.

Moitos beijos, Gisa.

Carla Ceres disse...

Bonito! A criança que fui entende e se solidariza. Beijos!