quinta-feira, 1 de setembro de 2011

ESQUINA MOVIMENTADA

Tudo era tão fresco. O ar de novidade instigava a prosseguir. Não desistiram. Chegado o dia, lá estavam. Ele aguardava em pé na esquina movimentada. Ela parou o carro para que pudesse embarcar. Trocaram rápidas e incertas palavras, salpicadas de nervosismo mútuo. Sorriram e procuravam não se encarar. Seguiam na certeza do acordo. Ela deu-lhe a chance de desistir. Não quis, o combinado deveria ser mantido. Rumaram ao destino. Subiram as escadas e entraram sem pressa. Ela colocou uma música e lhe ofereceu champagne. A excitação já tomava conta de ambos em igual escala, mas cada qual a seu modo. Sentaram-se. Ela tirou os sapatos e tentou conversar para descontrair. A chuva começou forte. No sofá, olharam-se nos olhos. Ela o beijou longamente e a chama acendeu todo seu lume. Livraram-se das roupas em instantes em meio a carícias mudas. Somente a respiração era ouvida. Beijos intermináveis intercalados por toques e línguas davam a tônica do encontro. Olhares desvairados faiscavam cada vez que, assutados, se cruzavam. Posições diversas foram experimentadas. Pingos de suor encharcavam os corpos. Cada passo era novo e inusitado. A loucura tomava conta dos amantes e era  responsável pelo total esquecimento do contexto. O prazer foi de igual para igual, apesar das diferenças existentes. Queriam-se mais do que tudo naquele momento. Gemeram, gozaram, brincaram, arfaram e sorriram exaustos dentro da bolha que eles mesmos criaram. Ao final, tomaram um longo banho juntos, onde aproveitaram para selar e ocultar as derradeiras marcas. Secaram-se nas toalhas brancas. Vestiram-se e partiram na tarde abafada de verão ainda sem palavras. Com um beijo final, despediram-se na mesma esquina movimentada. Ele seguiu seu caminho, sem olhar para trás. Ela custou mais um pouco, mas encerrou a história trancafiando-a na caixa etiquetada como a tarja: “lembranças boas e surreais que um dia vivi” tentando se convencer que seria melhor assim.

18 comentários:

Richard Moisan disse...

Une belle histoire d'amour. Un moment intense, érotique. Comme on a envie de vivre...

Mery disse...

Olá,Gisa.
Essa é uma história que me deixou intrigada, fiquei pensando nesse encontro que foi tão bonito para os dois e não entendi porque o final foi "cada um para um lado", seria melhor assim, eu pergunto... Que estranho!
Um forte abraço da Mery.

SELIA disse...

Olá, bom dia!!
Obrigada pela visita.
Amei seu texto, fantástico..
Porque cada um foi para um lado? Sou a favor dos finais felizes.. rss
beijos
Selia

Carla Ceres disse...

Também tô inconformada, Gisa. Junta esses dois de novo, vai! Beijos!

Rogério Pereira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rogério Pereira disse...

Está mal contado.
Nem está acabado...
Apague "sem olhar para trás"
e emende, se for capaz

(é que se nem para trás olhor
porquê este conto contou?)

Eli disse...

Seus textos são interessantes de se ler, muito bom!
Um abraço pra ti!
Bjss

Dilmar Gomes disse...

Muito bom o teu conto-crônica.
Um grande abraço. Tenhas uma linda noite.

Eva Gonçalves disse...

Muitas vezes, as paixões sem futuro são melhor guardadas em caixas etiquetadas e arrumadas na memória... :)Gostei. Beijo

Ricardo Calmon disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
VeraBruxa disse...

Olá!
Ah...os amores de verão...outros virão...outras bolhas se formarão...e, quem sabe, mais resistentes, serão eternas...
Abraço.

Paulo Sotter disse...

Linda narrativa. Volto a frase que hoje carreguei o dia todo: "Em um momento se vive uma vida", e nesse caso foi exatamente o que aconteceu, um momento que permanece vivo para sempre na caixinha da memória. Parabéns pelo texto. Um abraço Gisa!

João Ferreira Pelarigo disse...

Gostei muito do texto, está muito bom e transmite uma mensagem muito interessante! Gostei e hei-de voltar!

Luís Coelho disse...

Um texto de roupagens finas da imaginação. Nem sei se as procurou nas caixas de recordações ou se finalmente as remeteu para essa caixa de correio.

Misto de sensualidade e desejo.
Leitura e sonho.

taio disse...

hermosa historia

ANTONIO CAMPILLO disse...

¡Hola, Gisela! Tu relato es tan emocionante como intrigante. ¿Amantes ocasionales? ¿Antiguos amantes?

Es una prosa fresca, real, descubridora de sentimientos reales o ficticios pero siempre humanos. Sensual, apasionado, sin recato, sólo importa el encuentro, el reencuentro o la vuelta a empezar de la ocasional y despiadada vuelta a la esquina.

Gisela, siento aprovechar este espacio para decirte que te escribí a ese espacio que nunca funciona. Te decía que, con tu permiso, te enlazaría a mi blog. No ha funcionado y ahora te digo que ya estás enlazada a mi blog, DACTYLIOTHECA.

Un abrazo, amiga.

Anne Lieri disse...

Gisa,amores de ocasião que trazem apenas a satisfação de desejos imediatos e ficam como meras lembranças!Um conto muito bem escrito,eu gostei!Bjs,

Maria Alice Cerqueira disse...

Querida amiga
Hoje eu vim pensando um pouquinho em meu sonho
por favor clique no Link

http://www.mariaalicecerqueira.com/2011/08/prezado-amigo-leitor-e-seguidor-me.html

Muito obriga de coração

abraço amigo
atenciosamente Maria Alice