sábado, 30 de abril de 2011

PINTURA

Costumava brincar na linha do horizonte.
Rolava de ponta a ponta
Deixando seus cabelos cobrirem-se com as cores do caminho
Dissolvia-se na paisagem aquosa para reaparecer ora no céu, ora na terra
Fazia-se grande, concretizava-se pequena,
Tinha rosto e não tinha expressão.
E assim, à mercê dos caprichos do pintor, submetia-se
A uma divertida indefinição do existir.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

DESCOMPRESSÃO

Não sabiam como e nem queriam saber o porquê. Aproximaram-se cordialmente. Palavras doces e educadas viajaram nos ares que os separavam. Interesse em um primeiro plano, sedução mútua em segundo. Os rostos impassíveis pelas máscaras do acaso seguiam a conversa trivial. O desejo crescia, ardia e incomodava os corpos. O tempo passava e os interesses cresciam patrocinados pelas artes as quais pertenciam. A dança, o canto, o desenho, a escultura e a escrita. Não podiam imaginar o quanto elas confabularam a respeito do iminente encontro. Despercebidos dos encantos das musas, estavam cada vez mais hipnotizados. Em meio a luz da lua e as rajadas do temporal próximo encontraram-se. O magnetismo que os atraía prazerosamente fez com que a distância fosse inexistente. Rios, campos e mapas foram compactados e reduzidos ao nada. Frente a frente, mudos, atônitos e desejosos banharam-se em óleos perfumados. Os corpos quentes e brilhantes emaranharam-se instantaneamente. Amalgamados traçaram arabescos no ar dignos de um caleidoscópio. Entre murmúrios e gozos atingiram a plenitude dos prazeres. Ofegantes e exaustos deixaram-se levar na descompressão do espaço, que haviam drasticamente reduzido, retornando cada um a seu ponto de partida da onde prosseguiriam tentando não olhar para trás. Pelo menos nos próximos instantes.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

CÔNCAVO

                  Entrou
                 Sem
                Pressa
               Nem
              Pudor           
            Despiu-se    
           Das         
         Roupas        
        E da       
      Alma     
     Mirou-se no    
   Espelho   
  Côncavo  
A sua
 Frente 
  Percebeu  
   Com um   
   Arrepio    
    Todo o     
     Prazer      
      Que se lhe       
       Oferecia        
        Naquela          
         Estranha           
          Imagem            
           Invertida             
            De si mesma
             Entregou-se
              Com vagar
               Ao mais
                Inusitado
                 69...

                

quarta-feira, 27 de abril de 2011

PARTIDA

Pegou suas coisas e foi-se.
À medida que se afastava,
Sua sombra agigantava-se sobre ela
Estrangulando-a.
Em meio ao breu da desilusão,
Devolvia-lhe, com candura,
Todo carinho que lhe havia dedicado.

terça-feira, 26 de abril de 2011

ENCANTO

Fiz-me doce para o teu paladar
Sonora para tua audição
Perfumada para teu olfato
Bela para a tua visão
Sedosa para o teu toque
Aconchegante para teu descanso.
Não te demores,
Pois como todo encanto,
Um dia termina...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

TRAIÇOEIROS

O rosto é impassível.
A postura é irretocável
O sorriso é enigmático
As mãos são comedidas
O corpo é circunspecto
Mas os olhos...
Ah!
Os olhos tinham que estragar tudo?!

domingo, 24 de abril de 2011

BRUXA, PORTANTO.

Sou bruxa de mãe, pois de pai não se é bruxa. Ser bruxa é ser feminina, sem verrugas cabeludas. Ser bruxa é ser sensual sem ser vulgar. Ser bruxa é fazer incríveis poções com múltiplos sabores que causam sensações da mais variada gama. Ser bruxa e entender o indecifrável e conseguir complicá-lo ainda mais para que se torne inacessível mesmo. Ser bruxa é pensar em tudo ao mesmo tempo, querer tudo ao mesmo tempo, conseguir tudo ao mesmo tempo e aparentar que nem percebeu que algo mudou. Ser bruxa é correr o dia inteiro e, de noite, voar na vassoura somente para agradar a lua cheia que acabou de cair na sua cama. Ser bruxa é ser transparente com capacidade de transmitir uma forte impressão de conhecimento a todos que a cercam impedindo que eles percebam que apenas contemplam vagas imagens de uma mal iluminada sala de espelhos. Ser bruxa, enfim, é ser misteriosa e enfeitiçar todos vocês para que cheguem até o final dessa leitura com um sorriso nos lábios. Acertei?

sábado, 23 de abril de 2011

sexta-feira, 22 de abril de 2011

NOVA MORADA

Diante da fogueira ergueu-se.
Ereta, impassível.
Deixou-se ficar
Iluminada pelas chamas
Em contemplação e espera.
A luz rubra desfazia suas amarras,
Libertava seu corpo etéreo,
Queimava as muitas cascas que
Durante tanto tempo havia,
Meticulosamente,
Costurado e, até mesmo cerzido,
No afã de encobrir sua essência.
Uma sensação de prazer lhe percorria os poros
Que, somente agora, podiam respirar novamente
O calor do fogo agrandava-se.
Chegara o momento do passo.
Fechou os olhos e entrou correndo.
Bailou nas labaredas escarlates
Até que o portal se abrisse.
Esgueirou-se como lava
E sumiu.
Adentrou limpa
Na próxima dimensão
Que lhe caberia,
A partir daquele instante,
Habitar.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

TEMPESTADE

Delicio-me com o vento forte
Adoro os relâmpagos que riscam o ar
Formando arabescos de luz na escuridão da noite.
Energizo-me com os estrondos dos trovões
Que, obedientes, seguem no seu encalço.
Corro e abro a janela
Coloco um copo do lado de fora
Pingos grossos o completam rapidamente
Bebo a tempestade em toda sua plenitude,
Refaço-me e regenero-me
Na força da tormenta
Coisas de bruxa...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

PARABÉNS LUFE!

Dormi.
Sonhando o encontrei, tão apressado, afobado mesmo, parecia querer que o perseguisse. Rendi-me aos seus desejos e fui. Tropeçando nas raízes, pulando sobre as pedras, escorregando no limo. Fui tragada para dentro da árvore. Em queda livre, tentei voar e cores eu vi. Portas? Inúmeras! Passavam por mim e me colocavam a língua... impertinentes! Pousei no chão, de forma suave. Com fome, comi biscoitos e bebi poções. Espichei e encolhi, fugindo pela pequena porta da grande chave. Sorrisos, muitos. Surgiam de todos os lados. Fiquei tonta com a fumaça e ouvi atentamente as instruções. Não segui nenhuma, pois sou desobediente de natureza. Assustei-me na mesa de chá, mas conversei abertamente, não sou de me intimidar. Deveria tentar entender, mas não quis. Ora, se pintam as rosas brancas de vermelho é porque gostam da cor! Quando o vi novamente a Louca plantou-se na minha frente exigindo cabeças. A minha não! Sai para lá! Sou boa de persuasão. Convenci-a com minha fluente oratória. Quando percebeu o engodo, exigiu o que me furtava a dar. Já disse que minha cabeça não! Vasculhei os bolsos e a mágica se fez. Comi a guloseima e cresci, cresci muito e cá estou a lembrar do dia em que deixei a Alice dentro do livro, com suas loiras madeixas e seus belos olhos, espantada a pensar, juntamente com seus incríveis amigos, como consegui sair do encantado para sentar em um Buteco, não menos encantado, pertencente a um grande amigo que está a comemorar seu primeiro ano no maravilhoso mundo do país da blogosfera.

Parabéns Lufe e obrigada por esta constante companhia! Um bj querido amigo.


terça-feira, 19 de abril de 2011

TELA

Pinto uma estrada,
Onde árvores secas transmudam-se em verdes
E vice-versa,
Apenas ao sabor da brisa,
Soprada pelas palavras
Suaves e atenciosas.
No caminho de chão batido,
Sem início, nem fim,
Escondo um enigma
Que deverá ser desvendado sem perguntas
Nem respostas
Letras entrelaçadas misturam-se ao pano de fundo,
Uma sonora, outra nem tanto,
Remetendo-me a um ponto além mar
Um entre seis...
Instaura-se a sinfonia do desconhecimento,
Do mistério da figura
Entrego-me ao delicioso devaneio da imaginação...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

LIÇÃO

Sinto-me pálida, intranquila, triste. Onde errei? O que houve afinal? Não consigo descrever o inusitado gosto da rejeição e do desamparo. Por que a coisas são assim? É, não se pode e não se deve ter tudo! Como fazer para lidar com isso? Não tenho respostas e as perguntas me torturam. Circulam em minha mente como descargas elétricas, tênues, mas que incomodam barbaramente. Tudo era simples e bonito. Milimetricamente disposto. Tudo conduziria a um final digno de filme, mas não. Nada aconteceu, as coisas acabaram por desmoronar e tudo assumiu uma luz acinzentada. Está certo,não sei lidar com essa situação, até mesmo porque ela é tremendamente nova para mim. Tenho vida e tenho vivência, mas não sei lidar com barreiras. Árdua lição essa. Sei que se faz necessária, mas DOI!

domingo, 17 de abril de 2011

XÍCARAS RACHADAS

Os dois lados completam-se, mas ainda existem falhas
Imperceptíveis aos olhos, mas palpáveis aos espíritos
Pequenos vãos onde a luz penetra e cria sombras inimagináveis outrora
Sombras novas, pulsantes,  que se modificam conforme a luminosidade
Criando imagens que amedrontam acalentando
Convite a reflexão:
Valerão elas a pena?

sábado, 16 de abril de 2011

sexta-feira, 15 de abril de 2011

OI !

Fecha os olhos
1...2...3...4...5...6...7...8...9...10...
Abre os olhos devagar
Olha atentamente para a tela...
Fixa-te nas palavras... nas letras...na cor...no tamanho...
Tenta entrar nos contornos que elas te oferecem...
Experimenta as sensações, carregadas pelas ideias, que nelas se encerram...
Faz com que elas cresçam em importância no teu campo de visão...
Entrega-te às imagens que nascem na tua mente...
Podes sorrir ou chorar com as lembranças que elas te trazem...
Podes não ter qualquer memória ou sentimento em relação a elas...
Concentra-te...
Estás ficando com sono, sono, muito sono...
Teu raciocínio já não é tão claro...
Tua visão está nublada...
Ouves sons que não sabes da onde vem...
Desliga-te de tudo e de todos...
Só pensa em mim, na minha voz, no meu ritmo...
C-o-m-p-a-s-s-a-d-o...
Meu domínio começa a crescer sobre ti...
Quero-te assim, absorto, inerte, com o olhar vago, nulo, branco...
Ao meu comando irás acordar...
E esquecerás de tudo que aqui se passou...
Sentirás apenas que algo está mudado em ti...
Pois carregarás a minha marca no teu subconsciente...
Sou tua dona agora e para sempre....
10...9...8...7...6...5...4...3...2...1...
Oi! Tudo bom? Há quanto tempo não nos vemos! Estava com saudades!
Sinto, mas agora tenho que ir...
Até qualquer hora!
Tchau! Beijooooo!
;-)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

MONÓLITO

E no meio da sala o monólito surgiu
Imenso, denso, intenso
Era escuro e monossilábico
Tentei de todas as formas tirá-lo dali
Empurrei, uni todas as forças para erguê-lo
Nem se mexeu
Deixei os braços caírem no desânimo da frustração
Desisti da luta
Parei de respirar vagarosamente
Para que ele não percebesse que o chão,
Onde repousava apoteótico,
Havia parado de trepidar...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

CANTIGA

Beijo bom é beijo dado
Melado, doce ou salgado
No nariz, na boca ou em qualquer lado.

Beijo bom
É o esperado
É o inesperado
É o espevitado
ou é o acanhado
De cada um,
Quero um punhado

Beijo bom
É o que eu ganho
Roubo ou abocanho.

E fica assim a cantiga
Esperando à moda antiga
Que o amigo ou amiga
Se compadeça da prece
E logo, logo regresse
Com um gostoso beijo
A esta que se oferece...

 
ME BEIJA VAI!

terça-feira, 12 de abril de 2011

NUVEM

Vem!
Corre!
Depressa!
A chuva já não tarda!
Eu te ajudo! Sobe,
Sobe na nuvem!
Vê só!

Ela está de cara fechada,
Braba conosco.
Estamos muito atrasados,
Pois ainda temos que derreter
Para viajarmos nos pingos.


segunda-feira, 11 de abril de 2011

ERA UMA VEZ...

Era uma vez, em um país distante,
Das terras de muito ouro e pedras preciosas,
Um rei que abria as portas do seu castelo e
A todos recebia em sua mesa
Sempre com muita festa.
Bebericavam, conversavam
Contavam-se histórias e anedotas
Desfrutavam bons momentos de convívio
Certo dia, surgiu em sua porta uma mulher
E como os demais, foi gentilmente convidada
A entrar e desfrutar das agradáveis companhias
Voltava frequentemente ao ambiente
Sempre que novas conversas se impunham
Até que em uma de suas visitas,
Foi convidada a conversar pessoalmente com o rei
Em seu reservado espaço.
De assuntos variados e conversas fluídas começou a tecer a teia
O rei, perspicaz, percebia e divertia-se,
Certo do seu mais absoluto controle,
Onde ela quereria chegar? - perguntava-se
E a ocasião se fez, após pouco tempo de trocas de ideias privadas,
enquanto o rei distraído ainda duvidava de tudo,
Deu-se início à hipnose
A mulher, até então tão dissimulada,
Sorriu-lhe como quem sabia o que iria fazer
Dançou perante seus olhos incrédulos e fez seus lábios se calarem
Despiu-se de suas roupas, pouco a pouco,
Assim como de sua pele de lagarto
Fez-se em labareda de vermelho flamejante
E consumiu-o bem devagar...
A última vez que lhe olhou no rosto
O rei sorria-lhe ainda abismado com seu engano
Mas queimava vigorosamente
Sucumbindo de prazer no fogo da Teiniaguá.

domingo, 10 de abril de 2011

FANTASMA DA ÓPERA


Um único olhar

Uma única metade da face

O Fantasma da Ópera invade meu espaço

Desorganiza a minha cabeça

Voa diante de meus olhos atônitos

Em meio a seus acordes espontâneos

Sua sonoridade inerente

Alcança-me em poucos segundos,

Apesar da longa distância,

Materializa-se diante de mim

Com cabelos esvoaçantes e sorriso descarado

No toque do vento.

Passeia por todo meu corpo

Entre danças e rostos colados

Envolve, encanta, contesta e controla

Arrepia-me a pele e desfaz minha alma em gozo

Trabalha com perfeição as entrelinhas

Que irônicas

Debocham da minha falta de jeito

Já não consigo mais me ocultar

Pôs-me nua diante da luz da tela

Assino minha rendição ao óbvio

Sei que veio para ficar.

Sinto-me feliz.

sábado, 9 de abril de 2011

TORTURA

À luz da lamparina, dispo-me
Primeiro vão-se as roupas,
Os sapatos,
As fitas dos cabelos,
Os ornamentos...
Fico nua, pronta para o teu prazer
Teus olhos me incendeiam,
Mas tuas mãos,
Tuas mãos não me alcançam
Anseio por este contato
Quanta tortura!
Por favor,
Acho que já fiz tudo o que querias!
Podes me dizer agora
Até quando vais me manter presa
Dentro deste espelho?!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

PODER

Éramos em dez.
Cada qual com seu jeito
Mas a ambição única nos mantinha unidas
Dançávamos, cantávamos, ríamos e conversávamos
O tempo ia-se em gotas e a ansiedade crescia na razão inversa
Sabia que iria conseguir,
Tinha certeza
Dia chegado, hora aprazada
Todas esperávamos, lindas, envoltas em véus coloridos
Olhos à espreita e armas prontas
A porta abriu-se e a luz tomou conta do ambiente
Cacei teus olhos desde o primeiro instante
E por mais que as outras se esforçassem
Já eras meu
Andastes até mim
E a preferência se externou
Nem percebestes quando as demais se retiraram frustradas,
Em busca de novos caminhos.
Restastes totalmente inebriado
Pelo perfume das algemas floridas com que tolhi tua liberdade
E nunca mais te permitistes pensar em qualquer outra
Encantado com o muito, mas muito prazer
Que sou capaz de te proporcionar.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

AJUDA-ME

secaf sairáv supxe áJ   Já expus várias faces
setnecnetrep mim a sadoT   Todas a mim pertencentes
adivúd amu em-atseR   Resta-me uma dúvida,
,rohlem uO   Ou melhor,
,edadisoiruc amU   Uma curiosidade,
,ue euq arap laicnessE   Essencial para que eu
riugessorp assoP   Possa prosseguir
oxelfer uem o é omoC   Como é o meu reflexo
?ohlepse uet oN   No teu espelho?

quarta-feira, 6 de abril de 2011

SEIS

Seis homens já escolhidos
Seis lugares distintos
Seis visões
Seis intenções
Seis vidas
Seis curiosidades a serem satisfeitas
Seis curiosidades a satisfazer.
Seis caminhos a serem buscados
Seis instantes a serem vividos
Será que vocês podem aguardar?
Tem seis minutos para resolver.
Cinco, quatro, três, dois, um
...

terça-feira, 5 de abril de 2011

A VIAGEM

O devaneio, figura sombria e fluida, nos convida a entrar em seu reduto.
Espaço em desalinho, acessórios absurdos.
A falta de explicação impera do alto da sua empáfia.
O ambiente, onde o calor e o calafrio são sensíveis a olhos nus, nos é inexplicavelmente confortável.
O tempo segue o seu descompassado passar, ora lento, ora rápido, de acordo com a ansiedade de nossas visões.
Estamos juntos, lado a lado, amedrontados, curiosos, indiferentes à ordem pacata das coisas, tão irritantemente dona da situação, que grita estridentemente para que voltemos.
Agora é tarde.
O doce devaneio fechou a porta.
Seguimos em passos firmes em solo não tão rígido.
Crateras abrem-se sob nossos pés,
mas nuvens nos impedem de cair nas entranhas dos poços,
nascem do nada e nos sustentam até que possamos encontrar o solo firme novamente.
Damos as mãos, somos um.
O carro nos espera.
Não podemos nos atrasar.
A pressa, em seu caminhar alado, faz com que alcancemos o incrível veículo prateado dos sonhos.
Inicia a viagem.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

FORÇA

Os castelos,
Erguidos rumo aos céus,
Restam desfeitos.
Sobre os escombros,
A vida descansa
Esperando a próxima tarefa.
Resta saber se terá forças
Para seguir em frente.

domingo, 3 de abril de 2011

COMO?!

Os olhares cruzaram-se novamente.
Ela ficou pálida de susto.
Como ainda pode queimar
Se já faz tanto tempo
Que o fogo se extinguiu
E as cinzas foram viajar no vento?

sábado, 2 de abril de 2011

GUARDADO

Carrego a caixa                                                                                        
Para o sótão.                                                                                     
Escada íngreme                                                                                   
E tortuosa.                                                                                
Morcegos voam,                                                                              
Emaranham-se                                                                            
Nos meus cabelos,                                                                        
Emitem guinchos assustados.                                                                     
Sigo em frente,                                                                  
Degrau a degrau                                                               
Protegendo, firmemente o meu fardo                                                           
A escuridão está cada vez maior,                                                       
Melhor assim,                                                    
Dificuldades tornam-me mais protegida.                                                
Entro no recinto empoeirado,                                            
Coberto de teias de aranha.                                        
Vou pelo tato até a prateleira mais alta                                     
E lá, deposito o pacote.                                
Certifico-me que a etiqueta “não mexa”                            
Está fixada no lado que ficou para fora.                         
Dou as costas e começo o caminho de volta.                     
Ao pé da escada,                 
Quando tranco a porta do subconsciente,            
Suspiro aliviada,        
Está feito,   
Nunca mais lembrarei de ti.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

CASTELO

Um castelo construído com cuidado. Pedra sobre pedra minuciosamente calculadas. Espaços amplos, plenamente decorados. Jardins perfeitos, flores exóticas que exalam perfumes ímpares. Portões, fossos, janelas, vitrais, tapetes... Um leito, dossel, lençóis macios e cobertas aconchegantes. Lareiras, espalhadas por todos os cantos, aquecem e encantam o ambiente com seu jogo de luzes e cores. A música preenche todos os espaços restantes e a harmonia dança elegantemente com seus tons tênues. Tudo pronto. Vem, não te demora, o sonho é curto e o amanhecer não tarda...